O meu dia até que passou rápido, duas audiências, uma reunião com a equipe de advogados do senhor Reviera, uma tarde agradável com o meu pai e nada para reclamar sobre hoje.
Inclusive já estou até indo embora, já deu me horário de encerramento por hoje. Pego as minhas coisas e saio do meu escritório sozinha, já dispensei todo mundo, só tem eu e a minha secretária mesmo, mas essa última disse que vai ficar finalizando a minha agenda e fecha tudo quando for embora.
Saio do meu escritório focada no meu celular e acabo esbarrando em alguém enquanto peço um Uber, meu carro deu um problema hoje e eu tive que mandar para o mecânico, mas nada que afete o meu bom humor e atrapalhe o meu dia.
- Me desculpe- falo olhando a pessoal e me deparo com o senhor Reviera- senhor Reviera?- pergunto confusa.
- Boa noite, senhorita- fala me olhando sério.
- Posso lhe ser útil em algo?- pergunto e ele confirma com a cabeça.
- Poderia me acompanhar em um jantar? Tenho pontos do meu caso para discutir com a senhorita- fala e eu concordo com a cabeça.
- Claro, mas o senhor poderia ter me informado isso pelo telefone- aviso e ele da de ombros.
- Preferi tratar sobre isso pessoalmente, está de carro?- pergunta e eu n**o com a cabeça.
- Não senhor.
- Então iremos no meu carro até o restaurante- fala e eu confirmo com a cabeça.
Seguimos até o seu carro juntos e em silêncio, entramos no veículo de luxo preto e ele deu partida para o restaurante, o caminho inteiro fomos em silêncio, ele completamente focado na estrada e eu completamente focada no meu celular, mandando mensagem para o meu noivo, o avisando que não vou chegar a tempo do jantar.
[...]
- O que queria conversar?- pergunto após fazermos o nosso pedido.
- Eu estou fazendo as minhas próprias investigações sobre a minha acusação- fala e eu apenas o olho atenta.
- O senhor sabe que assim, o senhor pode de alguma maneira estar interferindo nas investigações, correto?- pergunto e ele se arruma na cadeira.
- Correto, mas eu não posso deixar que me incriminem de algo que eu realmente não fiz- fala e eu confirmo com a cabeça.
- Eu entendo, mas senhor Reviera, se o senhor continuar interferindo nas investigações, ficará ainda mais difícil de provarmos a sua inocência- falo e ele respira fundo.
- Mas eu não consigo apenas confiar na polícia, todos nós sabemos que a justiça brasileira é falha, muito falha- fala e eu apenas olho para ele, como eu vou falar algo se eu acho que ele está certo?
- O senhor vai ter que confiar- falo e na mesma hora o garçom chega com o vinho.
- Desculpe, mas eu não consigo senhorita, mas com a minha própria investigação, eu consegui chegar até algumas pessoas, os meus investigadores só precisaram juntar algumas peças desse quebra cabeça- escuto cada palavra atenta- tenho tudo em uma pasta, irei lhe entregar a mesma na nossa viagem- confirmo com a cabeça.
- Eu estava olhando alguns assuntos do seu caso, estava pensando em ir até Nova York coletar algumas provas de que o senhor não estava lá na data do dia trinta e outubro- ele me escuta atentamente.
- Poderiamos ir até Nova York depois de Brasília, uma semana lá acho que será o suficiente- confirmo com a cabeça.
[...]
Saio do banheiro com o roupão no meu corpo, sigo até o meu closet e já passo os meus produtos corporais, visto um baby Doll azul Royal com detalhe em renda, calço as minhas pantufas e devolvo o roupão para o banheiro.
Saio do meu quarto indo até ao meu escritório, preciso rever algumas coisas do caso do senhor Reviera, tem algo em todo o material que tenho, que não está batendo, que não tem uma conexão, mas ainda não consegui identificar que parte é essa.
- Clara? Clara? Querida?- escuto Marcos me chamando pela cobertura.
Acabou que ele também tendo um jantar de negócios de última hora, o que não me deixa surpresa, sempre acaba aparecendo esses jantares, do mesmo jeito que eu sempre acabo ficando presa no meu escritório com algum caso.
- Estou no escritório- anúncio alto para que ele possa me ouvir, e não demora muito para que ele apareça na porta.
- Como foi o seu jantar?- pergunta se aproximando de mim enquanto afrouxa a gravata.
- Esclarecedor- falo esfregando os meus olhos.
- Cadê os seus óculos?- pergunta me vendo sem o mesmo e eu aponto para a caixinha em cima da mesa.
- Apenas esqueci de coloca-los - ele pega a caixinha me entregando.
- Coloque-os, você sabe que não pode trabalhar sem eles- fala e eu coloco os meu óculo.
- E como foi o seu jantar?- pergunto fechando o meu notebook e o meu caderno.
- Como sempre- fala me dando um selinho- vou tomar um banho e vou dormir, estou exausto- fala e eu dou um selinho nele.
- Vai lá, bom descanso querido, vou terminar isso aqui e vou dormir também- falo e ele me dá um último selinho antes de sair andando para fora do meu escritório.
Me jogo no encosto da cadeiro e respiro fundo, já faz um tempo que eu estou assim, me afundando no meu trabalho para não ter que passar muito tempo com o Marcos, estamos juntos a tanto tempo e eu não sei se é realmente esse relacionamento que eu quero para a minha vida.
Esses dias ele me cobrou de marcar uma data para nos casarmos, mas eu não quero me casar, já moramos juntos, eu não sei para que nos casar, só para ter um papel dizendo que somos casados? Isso quando eu não sei nem se quero continuar noiva, se quero continuar em um relacionamento com ele.
O nosso relacionamento já não está mais a mesma coisa de antes, ele está mais distante, eu também estou distante, o nosso relacionamento que um dia já foi quente, já teve tanto fogo, hoje está puro gelo, não tem mais aquele fogo em baixo dos lençóis, não temos mais aquela vontade um do outro, não temos mais química.