Um domingo de espera

693 Words
Capítulo 11 — Um Domingo de Espera O relógio marcava dez horas da manhã. O domingo seguia calmo. Na casa de Lucas, o silêncio era quebrado apenas pelo som da televisão ligada na sala. Lucas permanecia sentado na sua secretária. À sua frente estavam os livros da escola abertos. Matemática. História. Ciências. Tentava resolver alguns exercícios para a semana seguinte. Escrevia uma resposta. Parava. Olhava pela janela. Respirava fundo. Voltava a escrever. Mas a sua concentração desaparecia poucos minutos depois. Na sua mente surgia sempre a mesma imagem. Nina. O sorriso dela no festival. O coelho de peluche apertado contra o peito. A forma como ela lhe tinha dito: — "Obrigada, Lucas." Ele fechou lentamente o livro. — Não consigo concentrar-me... Levantou-se da cadeira e começou a andar pelo quarto. Deu uma volta. Depois outra. Parou diante da janela. "Amanhã..." "Amanhã volto a vê-la." ... No andar de baixo, a mãe chamou. — Lucas! Ele abriu a porta. — Sim? — Vamos ao supermercado. Queres vir connosco? Ele pensou durante alguns segundos. — Está bem. A mãe sorriu. — Então veste um casaco. Hoje está vento. — Certo. ... Alguns minutos depois, os três caminhavam pelo supermercado. A mãe empurrava o carrinho. O pai procurava alguns produtos na lista. Lucas caminhava logo atrás. Tudo parecia normal. Até que, ao virar um corredor... Lucas ficou imóvel. Os seus olhos arregalaram-se ligeiramente. Do outro lado do corredor... Estava Nina. Ela usava uma camisola azul-clara, calças de ganga e o cabelo preso num r**o de cavalo. Ao lado dela estavam os pais. Ela ria de alguma piada que o pai acabara de contar. Lucas permaneceu parado. O coração acelerou. A mãe percebeu. — Lucas? Ele não respondeu. Continuava apenas a olhar. Nina ainda não o tinha visto. Ela colocava algumas bolachas no carrinho enquanto conversava alegremente com a mãe. Nesse instante, levantou a cabeça. Os olhos verdes encontraram os olhos castanhos de Lucas. Ela abriu imediatamente um grande sorriso. — Lucas! Sem pensar duas vezes, caminhou até ele. — Que coincidência! Lucas respondeu calmamente. — Olá. — Também vieste fazer compras? — Sim. Ela sorriu. — Eu também. Os pais de Nina aproximaram-se. A mãe dela sorriu educadamente. — Então este é o Lucas? Nina assentiu rapidamente. — Sim! Olhou para ele. — Mãe, pai... este é o amigo de quem vos falei. Os pais dele também chegaram naquele momento. A mãe de Lucas sorriu. — Muito prazer. A mãe de Nina respondeu da mesma forma. — O prazer é nosso. Os dois casais começaram a conversar educadamente. Enquanto isso, Nina olhava para Lucas. — Não esperava encontrar-te aqui. — Eu também não. Ela riu. — O mundo é pequeno. Lucas fez um pequeno aceno. — Parece que sim. ... Enquanto os adultos conversavam, Nina apontou para um pacote de bolachas. — Já provaste estas? — Não. — São muito boas. Ela pegou no pacote. — Compra um. Lucas olhou para as bolachas. Depois colocou um pacote no carrinho. Nina sorriu satisfeita. — Depois diz-me se gostaste. — Está bem. ... Poucos minutos depois, os pais terminaram a conversa. A mãe de Nina sorriu. — Foi um prazer conhecer-vos. — Igualmente. Nina acenou. — Até amanhã na escola! Lucas respondeu. — Até amanhã. Ela sorriu mais uma vez antes de acompanhar os pais para outro corredor. Lucas observou-a afastar-se. Só voltou a andar quando ela desapareceu de vista. ... Ao regressarem a casa, a mãe de Lucas comentou: — A Nina parece uma rapariga muito simpática. — É. — Agora percebo porque gostas da companhia dela. Lucas permaneceu em silêncio. O pai sorriu. — Esperamos conhecê-la melhor um dia. — Talvez. ... Na casa de Nina... Assim que entrou no quarto, colocou as compras sobre a cama. Sentou-se ao lado do coelho de peluche. Pegou nele e sorriu. — Afinal encontrei o Lucas outra vez... Riu baixinho. — Que coincidência engraçada. Depois levantou-se para arrumar as compras. Na sua cabeça, aquele encontro tinha sido apenas um acaso divertido. Para Lucas, porém, aquele breve momento bastou para tornar o domingo menos longo. Agora só faltavam algumas horas para a segunda-feira... e para voltar a encontrá-la na escola.
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