A noite dos de.sejos

1445 Words
📖 Capítulo 9 — A Noite dos Desejos A noite já ia muito avançada, e o silêncio que cobria a casa parecia pesado, denso, quase opressivo. O relógio no corredor bateu a uma, duas, três horas da madrugada, um som lento e monótono que parecia marcar cada segundo da sua insónia, cada batida do seu coração inquieto. Mas dentro do quarto de Lucas não havia sossego, não havia descanso, não havia nada que não fosse ela. Ele ali permanecia, sentado diante do ecrã do computador, imóvel como uma estátua, preso a uma força invisível que não conseguia — nem queria — libertar-se. O mundo lá fora dormia em paz, alheio ao turbilhão que tomava conta dele, mas o seu mundo não parava de girar, de bater, de arder em torno de uma única pessoa. Antes de mais nada, trancara a porta duas vezes, girando a chave devagar, com um cuidado quase doentio, como se temesse que qualquer som, qualquer movimento, qualquer respiração alheia pudesse quebrar aquele momento que era só seu e dela. Depois, abrira a pasta que escondia no fundo do sistema, com um nome qualquer, sem sentido para quem não soubesse — mas para ele, ali guardava-se o tesouro mais valioso que existia em toda a sua vida. E ali estavam elas: as fotografias dela. Uma a uma, organizadas por data, por lugar, por cada vez que ele a vira passar, por cada vez que ela lhe sorrira, guardadas com uma dedicação que não dava a nenhuma outra coisa, observadas milhares de vezes em noites como esta. Mas hoje era diferente. Hoje tinha passado o dia inteiro ao lado dela. Hoje tinha ouvido a sua risada a ecoar ao seu lado, sentido o calor da sua presença, o som suave da sua voz, o modo como ela o olhava como se ele fosse alguém importante. Hoje ela lhe dera algo que ele nunca tivera: um lugar na sua vida. E isso só fez crescer, de forma avassaladora, tudo o que ele já sentia. Clicou na imagem que ele mesmo tinha tirado discretamente, quando ela se virou para ver uma barraca e ninguém reparou nele: Nina no festival, com o rosto iluminado pelo sol da tarde, os cabelos loiros a voarem levemente com a brisa, o pequeno coelho de peluche apertado contra o peito como se fosse algo sagrado, sorrindo de uma forma tão pura, tão verdadeira, tão inocente que quase doía de olhar. Lucas aproximou o rosto do ecrã, até que o seu hálito embaçou levemente o vidro frio, como se quisesse atravessar aquela luz fria e tocar-lhe o rosto de verdade, sentir a sua pele macia, ouvir a sua voz perto do seu ouvido, sentir o seu perfume a invadir os seus sentidos. Os dedos apoiados na mesa cerraram-se com força, as unhas a cavarem na madeira polida, deixando marcas que só ele veria, marcas tão profundas e tão escuras quanto o que sentia. — Como podes ser assim... — sussurrou, com a voz rouca, baixa e carregada de uma emoção tão intensa que quase lhe doía a garganta. — Tão perfeita... tão doce... tão inocente... e tão minha sem sequer saberes... sem sequer imaginares o quanto já tomaste conta de tudo o que sou, de cada pensamento que me passa pela cabeça, de cada batida do meu coração. Reviveu cada instante do dia, como se estivesse a passar um filme lento e repetido na sua cabeça: o momento em que ela apareceu à porta da escola e o chamou pelo nome, como se ele fosse a pessoa que ela estava à espera; a forma como os olhos dela brilharam tanto quando ele lhe deu o coelho que pareciam ter luz própria; a maneira como ela pintou o vaso e sorriu para ele quando ele disse que ficara bonito; o modo como ela disse, tão naturalmente, que agora também tinha um amigo. Mas para ele, nunca fora amizade. Nunca fora algo leve ou passageiro. Para ele, ela era o começo e o fim de tudo. O primeiro pensamento ao abrir os olhos de manhã, o último antes de adormecer, e cada segundo que passava no meio. Não havia amizade no que sentia: havia posse, havia d****o, havia uma necessidade absoluta de tê-la para si, de a fazer sua, de não deixar que mais ninguém a tocasse, que mais ninguém a olhasse daquela forma. — Eu quero-te toda para mim — murmurou para a imagem, como se ela pudesse ouvi-lo do outro lado da tela, como se as palavras pudessem voar até ela e gravar-se na sua mente para sempre. — Quero poder tocar-te quando eu quiser, onde eu quiser, sem ter de fingir que sou apenas um colega, sem ter de esconder o quanto te quero, o quanto te d****o com toda a força do meu ser. Quero sentir a tua pele quente contra a minha, sentir o teu coração a bater ao mesmo ritmo que o meu. Quero ver-te a tremer quando eu te aproximar, ver o teu olhar mudar quando perceberes que pertences-me. Quero deixar a minha marca em ti, Nina, para que todos vejam que és minha. Para que ninguém mais te olhe daquela forma, ninguém mais te toque, ninguém mais te tenha a não ser eu. Não quero partilhar-te com ninguém. Não quero que ninguém saiba o que eu sei. Quero-te só para mim, só para mim. A respiração tornou-se mais rápida, mais pesada, entrecortada de suspiros que ele tentava — e falhava — em abafar. O coração batia-lhe tão forte que ele ouvia os seus batimentos a ribombar nos ouvidos, em sintonia com o fogo que começava a queimar-lhe por dentro, avassalador e incontrolável, que consumia qualquer razão que ainda restasse. Todo o seu corpo ficou tenso, tomado por uma excitação que não conhecia limites, uma necessidade tão grande que doía no fundo do peito, uma v*****e de a ter ali e agora que o fazia cerrar os olhos com força e apertar os punhos até os dedos ficarem brancos. — Quero beijar-te em todo o lado — continuou ele, quase num gemido baixo, perdido na escuridão e na luz ténue do ecrã que só iluminava o rosto dela. — Na tua boca, até te esqueceres de respirar e só lembrares do meu nome; no teu pescoço, onde o teu pulso bate tão rápido e tão doce; nos teus ombros, nos teus braços, em cada centímetro do teu corpo. Quero fazer-te sentir o quanto te d****o, o quanto te quero para mim e para mais ninguém. Quero ouvir o teu nome a sair da tua boca em sussurros, em tudo o que disseres. Quero que saibas, em cada fibra do teu ser, que és minha. Apenas minha. Para sempre. O d****o tomou conta de todo o seu ser, sem restrições, sem regras, sem nada que o pudesse parar. Fechou os olhos e ela apareceu-lhe ali, diante de si, tão real que ele quase conseguia sentir o seu perfume doce, quase conseguia ouvir a sua voz a chamar-lhe, quase conseguia tocar-lhe o rosto com a ponta dos dedos. E o nome dela saía-lhe repetidamente dos lábios, rouco, cheio de uma paixão sombria e absoluta, como uma oração desesperada, como uma promessa que ele iria cumprir a qualquer custo: — Nina... Nina... minha... só minha... não pertenças a mais ninguém... não olhes para mais ninguém... Ele sentiu o calor do seu corpo aumentar ainda mais.Sentiu o seu p*u pulsando com força. Ele abre a calsa deixando o seu p*u fora pulsando com uma força que até era dolorosa.Ele começa a se masturbar, olhando para a foto dela como um tesouro. murmurando o nome dela como uma oração. E quando sentiu que está chegando no clímax aumenta a velocidade dos movimentos, fazendo escapar um gemido baixo e rouco. Quando chegou no auge ele liberou tudo para fora,o seu semen se espalhando pela frente e um pouco cai no computador onde estava a foto dela. E ficou ali por horas que pareciam não ter fim, perdido entre a realidade e a fantasia, a agarrar-se à imagem dela como se isso fosse o único modo de a ter perto. O sono não chegava, o descanso não vinha — só havia ela, só havia o que sentia, só havia a certeza de que um dia tudo isso deixaria de ser apenas um sonho solitário na escuridão de um quarto. E naquela madrugada, jurou a si mesmo, com toda a força que havia em si, com toda a obsessão que crescia nele a cada instante: um dia ela iria estar ali, naquele quarto, ao seu lado. Um dia ele iria tê-la de verdade, inteiramente, corpo e alma. E nada nem ninguém o iria impedir.
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