Capítulo 6 — O Festival da Escola
O sábado amanheceu com um céu limpo e uma brisa agradável.
Na escola, professores e funcionários terminavam os últimos preparativos para o festival. Barracas de jogos, doces, bebidas e apresentações culturais enchiam o pátio de cores e música.
...
Na casa de Lucas.
Ele já estava pronto muito antes do horário combinado.
Vestia uma camisa preta de mangas compridas, calças escuras e ténis brancos.
Olhou-se no espelho por alguns segundos.
Arrumou discretamente o cabelo.
Depois pegou o telemóvel e olhou para a hora.
08:17.
Ainda era cedo.
Mesmo assim, decidiu sair.
— Mãe, vou para o festival da escola.
A mãe sorriu da cozinha.
— Divirte-te.
O pai levantou os olhos do jornal.
— Aproveita para conversar com os teus colegas.
— Está bem.
Lucas apenas pegou as chaves e saiu.
...
Na casa de Nina...
Ela ainda corria de um lado para o outro.
— Mãe! Onde está a minha bolsa?
— Em cima do sofá!
— Ah... achei!
Ela apareceu usando um vestido branco simples com pequenos detalhes floridos e um casaco leve.
Os cabelos loiros estavam soltos.
— Estou bonita?
A mãe sorriu.
— Muito bonita.
O pai brincou.
— Mas nada de voltar tarde.
— Prometo!
Ela deu um beijo nos dois e saiu quase a correr.
...
Quando Lucas chegou à entrada da escola, olhou para o relógio.
08:46.
Ainda faltavam vários minutos.
Mesmo assim, decidiu esperar.
Os estudantes iam chegando aos poucos.
Alguns passavam por ele e cumprimentavam-no.
Ele apenas respondia com um pequeno aceno.
Seu olhar, porém, procurava apenas uma pessoa.
Então...
Ela apareceu.
Nina caminhava sorrindo enquanto segurava uma pequena bolsa.
Assim que o viu, levantou a mão.
— Lucas!
Ele virou imediatamente.
Ela aproximou-se.
— Desculpa se demorei.
— Não demoraste.
Ela sorriu.
— Esperaste muito?
— Não.
Na verdade, ele estava ali havia quase vinte minutos.
Mas não se importava.
Nina olhou para ele de cima a baixo.
— Uau...
Lucas franziu ligeiramente a testa.
— O quê?
— É estranho ver-te sem uniforme.
Ela riu.
— Ficas diferente.
— Diferente como?
Ela pensou por alguns segundos.
— Mais... elegante.
Lucas permaneceu em silêncio.
Por dentro, porém, aquelas palavras ficaram gravadas.
...
Os dois entraram juntos no festival.
Havia música por toda a parte.
Crianças corriam.
Pais conversavam.
Os alunos participavam dos jogos.
Nina olhava tudo com entusiasmo.
— Quero ver tudo!
Ela praticamente puxava Lucas de uma barraca para outra.
— Olha aqueles peluches!
— Tem algodão-doce!
— Também quero experimentar aquele jogo!
Lucas apenas caminhava ao lado dela.
Era a primeira vez que a via tão descontraída.
Ela ria de quase tudo.
...
Na barraca de arremesso de argolas, Nina decidiu participar.
— Aposto que vou ganhar!
Pegou cinco argolas.
Lançou a primeira.
Errou.
A segunda.
Errou novamente.
Na terceira, a argola bateu na garrafa e caiu.
Ela fez um pequeno beicinho.
— Isto é mais difícil do que parece...
Lucas observava em silêncio.
Ela lançou a quarta.
Errou.
Restava apenas uma.
Ela respirou fundo.
— Vamos...
Lançou.
A argola passou longe.
Nina suspirou.
— Perdi...
O responsável pela barraca sorriu.
— Acontece.
Ela riu de si mesma.
— Acho que não levo jeito para isto.
Lucas aproximou-se.
— Posso tentar?
O homem entregou-lhe cinco argolas.
Lucas observou a distância por alguns segundos.
Lançou a primeira.
Acertou.
A segunda.
Acertou.
A terceira.
Acertou novamente.
As outras duas também entraram perfeitamente.
Alguns alunos olharam admirados.
— Cinco seguidas?
— Caramba...
O responsável entregou-lhe o prémio.
Um pequeno coelho de peluche.
Lucas olhou para o brinquedo.
Depois para Nina.
Estendeu-o na direção dela.
— Para ti.
Ela arregalou os olhos.
— Para mim?
— Sim.
Ela segurou o peluche com cuidado.
Os olhos verdes brilharam.
— Que fofinho!
Ela apertou o coelho contra o peito.
— Muito obrigada, Lucas!
Ela sorriu de um jeito tão espontâneo que, por um instante, Lucas ficou sem reação.
Não respondeu.
Apenas desviou o olhar por alguns segundos.
...
Enquanto continuavam caminhando, Nina abraçava o peluche feliz.
— Vou colocá-lo no meu quarto.
Lucas olhou para ela.
— Gostaste mesmo?
— Muito!
Ela sorriu.
— Sempre gostei de coelhos.
Lucas guardou aquela informação imediatamente.
"Ela gosta de coelhos."
Mais um detalhe.
Mais uma lembrança.
Mais uma página que, naquela noite, certamente seria escrita no diário.
Sem perceber, Nina continuava tratando Lucas como um amigo gentil e reservado.
Já Lucas, a cada sorriso que recebia dela, sentia a sua obsessão crescer em silêncio, tornando cada momento ao lado dela ainda mais precioso aos seus olhos.