Capítulo 7 — Um Dia Para Recordar
O festival continuava animado.
A música espalhava-se pelo pátio, crianças corriam entre as barracas e os alunos conversavam enquanto experimentavam as diferentes atividades.
Nina segurava o pequeno coelho de peluche junto ao peito.
De vez em quando, olhava para ele e sorria.
— Ainda não acredito que o ganhaste de primeira.
Lucas caminhava ao lado dela.
— Não foi difícil.
Ela riu.
— Para ti, talvez.
Os dois continuaram a andar pelo festival.
Pouco depois, passaram por uma barraca onde os alunos podiam pintar pequenos vasos de cerâmica.
Nina parou imediatamente.
— Que bonito!
Uma professora sorriu ao vê-los.
— Querem participar?
Nina olhou para Lucas.
— Vamos?
Ele fez um pequeno aceno com a cabeça.
— Está bem.
Os dois sentaram-se lado a lado.
Cada um recebeu um vaso branco, pincéis e várias tintas coloridas.
Nina pegou logo na tinta verde.
— Verde é uma das minhas cores favoritas.
Lucas apenas ouviu.
Ela começou a pintar pequenas folhas e flores à volta do vaso.
Enquanto isso, Lucas pintava o seu de forma simples, com linhas pretas e cinzentas.
Nina inclinou a cabeça.
— O teu está muito organizado.
— Gosto das coisas assim.
Ela sorriu.
— O meu ficou todo diferente.
— Ficou bonito.
Nina piscou os olhos, surpresa.
— Achas mesmo?
— Sim.
Ela sorriu com satisfação.
— Obrigada.
Quando terminaram, a professora colocou os vasos a secar.
— Podem vir buscá-los antes de irem embora.
— Está bem! — respondeu Nina.
...
Mais tarde, encontraram uma pequena banca de sobremesas.
O aroma a bolos e chocolate espalhava-se pelo ar.
Nina olhava para tudo com entusiasmo.
— Não consigo decidir...
Ela apontava para um lado e para o outro.
— Quero aquele...
Depois mudava de ideias.
— Não... aquele parece melhor.
Lucas observava-a em silêncio.
— Escolhe o que mais gostares.
Ela fez um pequeno beicinho.
— Esse é o problema... eu gosto de quase tudo.
Os dois acabaram por comprar uma fatia de bolo e dois sumos.
Sentaram-se numa mesa afastada da confusão.
Enquanto comiam, Nina começou a conversar.
— Sabes...
Lucas levantou os olhos.
— Hum?
— Antes de sermos amigos, eu achava que tinhas muita raiva de toda a gente.
Ele permaneceu em silêncio.
Ela continuou.
— Mas agora percebi que és só muito calado.
Lucas respondeu calmamente.
— Prefiro ouvir.
— Eu faço exatamente o contrário.
Ela começou a rir.
— Falo sem parar.
— Percebi.
Nina levou uma mão à boca para esconder a risada.
— Desculpa...
— Não incomoda.
Ela ficou alguns segundos em silêncio.
Depois perguntou:
— Tens muitos amigos?
Lucas respondeu sem hesitar.
— Não.
— Nem um?
Ele pensou por um instante.
Olhou para ela.
— Agora tenho uma.
Nina sorriu de forma calorosa.
— Então... eu também tenho um amigo.
Lucas manteve a expressão séria, mas aquelas palavras ficaram gravadas na sua memória.
...
Já perto do fim da tarde, o festival começou a esvaziar.
Os alunos despediam-se uns dos outros.
Nina foi buscar o vaso que tinha pintado.
Lucas fez o mesmo.
Enquanto caminhavam até ao portão da escola, ela abraçava o peluche e segurava cuidadosamente o vaso.
— Hoje foi muito divertido.
— Foi.
— Obrigada por teres vindo comigo.
Lucas olhou para ela.
— Eu é que agradeço.
Ela sorriu.
— Espero que a gente possa sair outra vez um dia.
Antes que Lucas respondesse, ouviu-se uma voz ao longe.
— Nina!
Ela virou-se.
Era a mãe dela, que tinha acabado de chegar para a buscar.
— Já vou!
Nina voltou-se para Lucas.
— Então... até segunda-feira?
— Até segunda.
Ela acenou várias vezes.
— Boa noite!
— Boa noite.
Lucas ficou parado no portão enquanto a via afastar-se ao lado da mãe.
Só voltou a caminhar quando ela desapareceu de vista.
Durante todo o caminho para casa, as palavras de Nina repetiam-se na sua mente.
"Eu também tenho um amigo."
Pela primeira vez em muito tempo, Lucas sentiu que alguém o via para além da imagem de rapaz frio e distante. No entanto, também percebeu que precisava de aprender a respeitar o espaço e a confiança de Nina se quisesse preservar aquela amizade que começava a nascer.