Capítulo 16 — O Quarto Vazio
O resto do dia de aulas passou rapidamente.
As explicações dos professores pareciam distantes.
Os alunos já só pensavam no fim das aulas.
Quando o último sinal tocou, a turma começou a arrumar os materiais.
Nina fechou a mochila e olhou para Lucas.
— Até amanhã!
Ele respondeu com um pequeno aceno.
— Até amanhã.
Ela sorriu e saiu da sala, despedindo-se de alguns colegas pelo caminho.
Lucas ficou alguns segundos sentado antes de se levantar.
Depois caminhou calmamente até ao portão da escola.
O caminho até casa foi silencioso.
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Ao abrir a porta de casa, encontrou os pais na sala.
Os dois interromperam a conversa assim que o viram.
— Cheguei. — disse Lucas.
— Olá, filho. — respondeu a mãe.
O pai apenas sorriu.
Mas havia algo diferente.
Os dois pareciam tensos.
Como se estivessem à espera de alguma coisa.
Lucas franziu ligeiramente a testa.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não... — respondeu a mãe rapidamente. — Vai descansar.
Ele estranhou a resposta.
Mesmo assim, não insistiu.
Pegou na mochila e subiu as escadas.
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Parou diante da porta do quarto.
Respirou fundo.
Girou a maçaneta.
Abriu a porta.
Deu apenas um passo...
E ficou completamente imóvel.
O quarto estava... diferente.
As paredes estavam vazias.
O mural tinha desaparecido.
Não havia fotografias.
Não havia recortes.
Não havia anotações.
A secretária estava limpa.
As caixas com recordações tinham desaparecido.
A moldura da fotografia deixara de estar sobre a mesa de cabeceira.
Até o diário tinha desaparecido.
O quarto parecia o de qualquer adolescente.
Por alguns segundos...
Lucas não conseguiu reagir.
Os olhos percorriam o quarto de um lado para o outro.
Como se recusassem a acreditar no que viam.
Respirou uma vez.
Duas.
Três.
O peito começou a subir e a descer rapidamente.
— Não...
A voz saiu baixa.
Quase um sussurro.
Abriu todas as gavetas.
Nada.
Olhou debaixo da cama.
Nada.
Abriu o armário.
Nada.
Começou a procurar freneticamente.
As mãos tremiam.
Os livros caíam ao chão.
As gavetas eram puxadas com força.
Nada.
Absolutamente nada.
A expressão de espanto transformou-se em raiva.
Num movimento brusco, empurrou a cadeira da secretária.
Ela caiu no chão com um estrondo.
— Não...
A respiração acelerou.
— Não...
Virou-se de repente.
Saiu do quarto a passos largos.
Desceu as escadas quase a correr.
Os pais levantaram-se imediatamente ao ouvi-lo.
Lucas entrou na sala.
O rosto estava vermelho de raiva.
— Onde estão?!
A mãe deu um passo à frente.
— Filho...
— Onde estão as fotografias?!
A voz dele ecoou pela casa.
— Onde estão as minhas coisas?!
A mãe tentou manter a calma.
— Lucas, ouve-me...
— ONDE ESTÃO?!
O pai levantou-se.
— Fomos nós.
Lucas virou-se imediatamente para ele.
— O quê?
A mãe respirou fundo.
— Guardámos tudo.
— Guardaram...?
— Sim.
— Onde?!
A mãe aproximou-se.
— Filho, precisávamos de fazer alguma coisa. Estávamos muito preocupados contigo.
Lucas deu um passo para trás.
— Vocês mexeram no meu quarto...
— Fizemo-lo porque te amamos.
— Entraram sem a minha autorização!
A voz dele tremia de indignação.
— Não tinham esse direito!
A mãe tentou aproximar-se novamente.
— Lucas, por favor, acalma-te...
Ele afastou-se.
— Não!
Ela respondeu, com a voz mais firme do que antes:
— Foi para o teu bem, filho!
O silêncio durou apenas um instante.
Lucas cerrou os punhos.
Olhou alternadamente para os dois.
A respiração estava pesada.
— Vocês não têm o direito de se intrometer na minha vida!
A mãe deixou escapar uma lágrima.
— Estamos a tentar proteger-te.
— Proteger-me?!
A voz dele voltou a subir.
— Vocês não tinham o direito de entrar no meu quarto!
O pai tentou intervir.
— Filho, escuta...
— NÃO!
Lucas apontou para as escadas.
— Deitaram fora tudo!
— Não deitámos fora. — respondeu o pai rapidamente. — Guardámos tudo num lugar seguro.
Lucas ficou em silêncio por um segundo.
Mas a raiva continuava estampada no rosto.
— Mesmo assim... mexeram nas minhas coisas.
A mãe estendeu a mão na direção dele.
— Lucas...
Ele recuou.
Sem dizer mais uma palavra, virou-se.
Abriu a porta de casa com força.
— Lucas! — gritou a mãe.
Ele não respondeu.
Saiu para a rua.
A porta bateu atrás dele.
O silêncio tomou conta da sala.
A mãe levou as mãos ao rosto.
— Será que fizemos a coisa certa?
O pai passou um braço pelos ombros dela.
— Não sei...
Olhou para a porta ainda fechada.
— Mas agora o mais importante é garantir que ele volte para casa em segurança. Depois, vamos precisar conversar com ele com calma e reconstruir a confiança que foi abalada hoje.
Lá fora, Lucas caminhava sem rumo pelas ruas, tentando controlar a mistura de raiva, tristeza e sensação de perda que o consumia. A noite começava a cair, e nenhum dos três imaginava como aquela discussão mudaria a r*****o da família dali em diante.