Capítulo 11 — Um Domingo de Espera
O relógio marcava dez horas da manhã.
O domingo seguia calmo.
Na casa de Lucas, o silêncio era quebrado apenas pelo som da televisão ligada na sala.
Lucas permanecia sentado na sua secretária.
À sua frente estavam os livros da escola abertos.
Matemática.
História.
Ciências.
Tentava resolver alguns exercícios para a semana seguinte.
Escrevia uma resposta.
Parava.
Olhava pela janela.
Respirava fundo.
Voltava a escrever.
Mas a sua concentração desaparecia poucos minutos depois.
Na sua mente surgia sempre a mesma imagem.
Nina.
O sorriso dela no festival.
O coelho de peluche apertado contra o peito.
A forma como ela lhe tinha dito:
— "Obrigada, Lucas."
Ele fechou lentamente o livro.
— Não consigo concentrar-me...
Levantou-se da cadeira e começou a andar pelo quarto.
Deu uma volta.
Depois outra.
Parou diante da janela.
"Amanhã..."
"Amanhã volto a vê-la."
...
No andar de baixo, a mãe chamou.
— Lucas!
Ele abriu a porta.
— Sim?
— Vamos ao supermercado. Queres vir connosco?
Ele pensou durante alguns segundos.
— Está bem.
A mãe sorriu.
— Então veste um casaco. Hoje está vento.
— Certo.
...
Alguns minutos depois, os três caminhavam pelo supermercado.
A mãe empurrava o carrinho.
O pai procurava alguns produtos na lista.
Lucas caminhava logo atrás.
Tudo parecia normal.
Até que, ao virar um corredor...
Lucas ficou imóvel.
Os seus olhos arregalaram-se ligeiramente.
Do outro lado do corredor...
Estava Nina.
Ela usava uma camisola azul-clara, calças de ganga e o cabelo preso num r**o de cavalo.
Ao lado dela estavam os pais.
Ela ria de alguma piada que o pai acabara de contar.
Lucas permaneceu parado.
O coração acelerou.
A mãe percebeu.
— Lucas?
Ele não respondeu.
Continuava apenas a olhar.
Nina ainda não o tinha visto.
Ela colocava algumas bolachas no carrinho enquanto conversava alegremente com a mãe.
Nesse instante, levantou a cabeça.
Os olhos verdes encontraram os olhos castanhos de Lucas.
Ela abriu imediatamente um grande sorriso.
— Lucas!
Sem pensar duas vezes, caminhou até ele.
— Que coincidência!
Lucas respondeu calmamente.
— Olá.
— Também vieste fazer compras?
— Sim.
Ela sorriu.
— Eu também.
Os pais de Nina aproximaram-se.
A mãe dela sorriu educadamente.
— Então este é o Lucas?
Nina assentiu rapidamente.
— Sim!
Olhou para ele.
— Mãe, pai... este é o amigo de quem vos falei.
Os pais dele também chegaram naquele momento.
A mãe de Lucas sorriu.
— Muito prazer.
A mãe de Nina respondeu da mesma forma.
— O prazer é nosso.
Os dois casais começaram a conversar educadamente.
Enquanto isso, Nina olhava para Lucas.
— Não esperava encontrar-te aqui.
— Eu também não.
Ela riu.
— O mundo é pequeno.
Lucas fez um pequeno aceno.
— Parece que sim.
...
Enquanto os adultos conversavam, Nina apontou para um pacote de bolachas.
— Já provaste estas?
— Não.
— São muito boas.
Ela pegou no pacote.
— Compra um.
Lucas olhou para as bolachas.
Depois colocou um pacote no carrinho.
Nina sorriu satisfeita.
— Depois diz-me se gostaste.
— Está bem.
...
Poucos minutos depois, os pais terminaram a conversa.
A mãe de Nina sorriu.
— Foi um prazer conhecer-vos.
— Igualmente.
Nina acenou.
— Até amanhã na escola!
Lucas respondeu.
— Até amanhã.
Ela sorriu mais uma vez antes de acompanhar os pais para outro corredor.
Lucas observou-a afastar-se.
Só voltou a andar quando ela desapareceu de vista.
...
Ao regressarem a casa, a mãe de Lucas comentou:
— A Nina parece uma rapariga muito simpática.
— É.
— Agora percebo porque gostas da companhia dela.
Lucas permaneceu em silêncio.
O pai sorriu.
— Esperamos conhecê-la melhor um dia.
— Talvez.
...
Na casa de Nina...
Assim que entrou no quarto, colocou as compras sobre a cama.
Sentou-se ao lado do coelho de peluche.
Pegou nele e sorriu.
— Afinal encontrei o Lucas outra vez...
Riu baixinho.
— Que coincidência engraçada.
Depois levantou-se para arrumar as compras.
Na sua cabeça, aquele encontro tinha sido apenas um acaso divertido.
Para Lucas, porém, aquele breve momento bastou para tornar o domingo menos longo.
Agora só faltavam algumas horas para a segunda-feira... e para voltar a encontrá-la na escola.