Capítulo 20

1064 Words
Quando Icarus voltou para dentro do condomínio, Dandara já estava conversando com Vênus, Sheila, Vanessa e Dona Rosa. Assim que o viu, ela percebeu pelos olhos dele que já era hora de ir. Ela sorriu para as mulheres, sem demonstrar pressa, apenas carinho. — Meninas… eu adorei conhecer vocês. De verdade. — disse Dandara, tocando de leve o braço de Vênus. Sheila abriu um sorriso animado: — A gente também amou você aqui, Dandara. Você tem uma energia boa. Vai se encaixar muito bem. Vanessa concordou com a cabeça, mais tímida. Dona Rosa, como sempre, colocou a mão nas costas dela com aquele jeito acolhedor. — Volta logo, viu? A casa fica mais leve quando você está aqui. Dandara deu uma risadinha suave. — Eu vou voltar sim. Em breve. Quero ter mais tempo com vocês, conversar com calma, conhecer melhor todo mundo. Vênus puxou ela num abraço rápido, firme: — A gente te espera. Icarus observava tudo à distância, com aquele olhar possessivo e orgulhoso. Era evidente que ver as mulheres acolhendo Dandara deixava ele mais tranquilo. Dandara caminhou até ele, ainda sorrindo das despedidas. — Pronta? — Icarus perguntou, a voz baixa só para ela. — Pronta. — ela respondeu, entrelaçando os dedos nos dele. Antes de sair, Dandara virou-se mais uma vez. — Logo estou de volta, eu prometo! As esposas acenaram, algumas rindo, outras mandando beijo. E então, ela e Icarus deixaram o condomínio. No carro, Icarus segurou a mão dela no meio do caminho. Silencioso, mas cheio de significado. Era a primeira vez em muito tempo que ele voltava para casa com a sensação de que algo na vida dele estava finalmente se encaixando. E Dandara sabia exatamente o que estava fazendo: ela iria voltar — e quando voltasse, seria para se unir ao grupo de verdade. ********* Assim que o carro parou diante da casa, Dandara sentiu o peso do silêncio confortável que só existia quando estavam só os dois. Icarus desligou o motor, mas ficou ali parado por um segundo, como se aproveitasse o último instante de quietude antes de cruzar a porta. Dandara olhou para ele de lado, com um sorriso leve. — Longo dia, né? Icarus virou o rosto para ela, o olhar quente, mais suave do que aquele que mostrava na frente dos outros. — Com você… fica menos pesado. Ela sorriu um pouco mais, porque sabia que aquilo, vindo dele, era quase uma declaração. Saíram do carro juntos. Icarus, como sempre, colocou a mão nas costas dela enquanto caminhavam até a porta — um gesto simples, mas cheio de proteção. Quando entraram, o clima da casa pareceu abraçá-los. Dandara tirou os sapatos na entrada. — Tô com saudade da nossa calma aqui. — Aqui só fica calmo por sua causa. — ele respondeu, fechando a porta atrás de si. Ela riu, enquanto ia para a sala, mas Icarus a puxou suavemente pela cintura antes que ela se afastasse muito. Dandara se virou para ele. — O que foi? Icarus a observou por um momento, como quem confirma algo na própria mente. Então disse, baixo, firme: — Você fez bem hoje. Se adaptou, conversou… Ele deu um passo mais perto. — Me orgulhou. Dandara sentiu o coração aquecer. — Eu só fui eu mesma. — E isso já é muito. Por um instante, ficaram ali, no meio da sala, sem pressa. O mundo lá fora era pesado demais, cheio de obrigações e conflitos. Mas ali… era só eles dois. Dandara passou a mão pelo peito dele, subindo devagar até o ombro. — A gente tá em casa, Icarus. Agora respira. Ele inclinou a cabeça, encostando a testa na dela. — Só consigo respirar assim. Ficaram assim por alguns segundos, respirando juntos, no silêncio que só casais profundamente ligados conseguem criar. Até que Dandara falou, ainda com a testa colada à dele: — Quer tomar um banho e relaxar? Ou prefere só deitar comigo um pouco? O olhar de Icarus escureceu, não de raiva — de necessidade. — Quero você comigo. Do jeito que você quiser. Icarus ainda estava com a testa colada na dela quando suas mãos deslizaram lentamente pela cintura de Dandara, puxando-a mais para perto. O corpo dela se encaixou no dele como se tivesse sido feito para aquilo. — Vem comigo, — ele murmurou, a voz baixa, rouca. Sem tirar os olhos dela, Icarus a guiou até o quarto. O ambiente estava meio escuro, iluminado apenas pela luz suave que entrava pela janela. Assim que a porta se fechou, o clima mudou — ficou denso, quente, cheio da energia que só os dois tinham juntos. Icarus a beijou, primeiro lento, profundo… depois mais firme. As mãos dele passaram pela nuca dela, descendo pelas costas, segurando sua cintura com possessividade carinhosa. Aquelas mãos grandes, seguras, que faziam o corpo dela reagir na hora. Dandara puxou a camisa dele, subindo o tecido até sentir a pele quente por baixo. Ele a ajudou, tirando a própria camisa com um movimento rápido antes de voltar a beijá-la, agora com o corpo inteiro colado ao dela. O beijo deles sempre foi assim: intenso, cheio de sentimento, cheio de saudade mesmo quando tinham se visto horas antes. Ele levantou o queixo dela, deixando beijos suaves no pescoço — e Dandara suspirou, segurando nos ombros dele para se manter de pé. — Icarus… — Eu tô aqui, — ele respondeu, como uma promessa. Ele a pegou pelo quadril erguendo-a devagar, e Dandara envolveu as pernas ao redor dele sem pensar. Icarus caminhou com ela no colo até a cama, deitando-a ali com cuidado, mas sem perder a intensidade do olhar. — Você é o meu descanso depois de um dia inteiro de guerra, — ele disse, passando o polegar pelo lábio inferior dela. — E eu quero você agora… inteira. Dandara puxou ele para si, sentindo o peso, o calor, o domínio que ele tinha sobre o próprio corpo — e sobre ela. Suas mãos exploravam, reconheciam, desejavam. Os dois se entregaram um ao outro como sempre: com desejo, mas também com aquela i********e profunda, aquela confiança que só crescia. Cada toque era familiar, mas sempre novo. Cada beijo parecia dizer algo que palavras não conseguiam. E enquanto a noite avançava… Icarus e Dandara não eram mais o chefe da organização e sua esposa. Eram apenas eles. Dois corpos, um só ritmo. Dois corações, um só lugar seguro.
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