Quando Icarus voltou para dentro do condomínio, Dandara já estava conversando com Vênus, Sheila, Vanessa e Dona Rosa. Assim que o viu, ela percebeu pelos olhos dele que já era hora de ir.
Ela sorriu para as mulheres, sem demonstrar pressa, apenas carinho.
— Meninas… eu adorei conhecer vocês. De verdade. — disse Dandara, tocando de leve o braço de Vênus.
Sheila abriu um sorriso animado:
— A gente também amou você aqui, Dandara. Você tem uma energia boa. Vai se encaixar muito bem.
Vanessa concordou com a cabeça, mais tímida.
Dona Rosa, como sempre, colocou a mão nas costas dela com aquele jeito acolhedor.
— Volta logo, viu? A casa fica mais leve quando você está aqui.
Dandara deu uma risadinha suave.
— Eu vou voltar sim. Em breve. Quero ter mais tempo com vocês, conversar com calma, conhecer melhor todo mundo.
Vênus puxou ela num abraço rápido, firme:
— A gente te espera.
Icarus observava tudo à distância, com aquele olhar possessivo e orgulhoso. Era evidente que ver as mulheres acolhendo Dandara deixava ele mais tranquilo.
Dandara caminhou até ele, ainda sorrindo das despedidas.
— Pronta? — Icarus perguntou, a voz baixa só para ela.
— Pronta. — ela respondeu, entrelaçando os dedos nos dele.
Antes de sair, Dandara virou-se mais uma vez.
— Logo estou de volta, eu prometo!
As esposas acenaram, algumas rindo, outras mandando beijo.
E então, ela e Icarus deixaram o condomínio.
No carro, Icarus segurou a mão dela no meio do caminho.
Silencioso, mas cheio de significado.
Era a primeira vez em muito tempo que ele voltava para casa com a sensação de que algo na vida dele estava finalmente se encaixando.
E Dandara sabia exatamente o que estava fazendo:
ela iria voltar — e quando voltasse, seria para se unir ao grupo de verdade.
*********
Assim que o carro parou diante da casa, Dandara sentiu o peso do silêncio confortável que só existia quando estavam só os dois. Icarus desligou o motor, mas ficou ali parado por um segundo, como se aproveitasse o último instante de quietude antes de cruzar a porta.
Dandara olhou para ele de lado, com um sorriso leve.
— Longo dia, né?
Icarus virou o rosto para ela, o olhar quente, mais suave do que aquele que mostrava na frente dos outros.
— Com você… fica menos pesado.
Ela sorriu um pouco mais, porque sabia que aquilo, vindo dele, era quase uma declaração.
Saíram do carro juntos. Icarus, como sempre, colocou a mão nas costas dela enquanto caminhavam até a porta — um gesto simples, mas cheio de proteção.
Quando entraram, o clima da casa pareceu abraçá-los.
Dandara tirou os sapatos na entrada.
— Tô com saudade da nossa calma aqui.
— Aqui só fica calmo por sua causa. — ele respondeu, fechando a porta atrás de si.
Ela riu, enquanto ia para a sala, mas Icarus a puxou suavemente pela cintura antes que ela se afastasse muito.
Dandara se virou para ele.
— O que foi?
Icarus a observou por um momento, como quem confirma algo na própria mente. Então disse, baixo, firme:
— Você fez bem hoje. Se adaptou, conversou…
Ele deu um passo mais perto.
— Me orgulhou.
Dandara sentiu o coração aquecer.
— Eu só fui eu mesma.
— E isso já é muito.
Por um instante, ficaram ali, no meio da sala, sem pressa.
O mundo lá fora era pesado demais, cheio de obrigações e conflitos.
Mas ali… era só eles dois.
Dandara passou a mão pelo peito dele, subindo devagar até o ombro.
— A gente tá em casa, Icarus. Agora respira.
Ele inclinou a cabeça, encostando a testa na dela.
— Só consigo respirar assim.
Ficaram assim por alguns segundos, respirando juntos, no silêncio que só casais profundamente ligados conseguem criar.
Até que Dandara falou, ainda com a testa colada à dele:
— Quer tomar um banho e relaxar? Ou prefere só deitar comigo um pouco?
O olhar de Icarus escureceu, não de raiva — de necessidade.
— Quero você comigo. Do jeito que você quiser.
Icarus ainda estava com a testa colada na dela quando suas mãos deslizaram lentamente pela cintura de Dandara, puxando-a mais para perto. O corpo dela se encaixou no dele como se tivesse sido feito para aquilo.
— Vem comigo, — ele murmurou, a voz baixa, rouca.
Sem tirar os olhos dela, Icarus a guiou até o quarto.
O ambiente estava meio escuro, iluminado apenas pela luz suave que entrava pela janela. Assim que a porta se fechou, o clima mudou — ficou denso, quente, cheio da energia que só os dois tinham juntos.
Icarus a beijou, primeiro lento, profundo… depois mais firme.
As mãos dele passaram pela nuca dela, descendo pelas costas, segurando sua cintura com possessividade carinhosa. Aquelas mãos grandes, seguras, que faziam o corpo dela reagir na hora.
Dandara puxou a camisa dele, subindo o tecido até sentir a pele quente por baixo. Ele a ajudou, tirando a própria camisa com um movimento rápido antes de voltar a beijá-la, agora com o corpo inteiro colado ao dela.
O beijo deles sempre foi assim: intenso, cheio de sentimento, cheio de saudade mesmo quando tinham se visto horas antes.
Ele levantou o queixo dela, deixando beijos suaves no pescoço — e Dandara suspirou, segurando nos ombros dele para se manter de pé.
— Icarus…
— Eu tô aqui, — ele respondeu, como uma promessa.
Ele a pegou pelo quadril erguendo-a devagar, e Dandara envolveu as pernas ao redor dele sem pensar. Icarus caminhou com ela no colo até a cama, deitando-a ali com cuidado, mas sem perder a intensidade do olhar.
— Você é o meu descanso depois de um dia inteiro de guerra, — ele disse, passando o polegar pelo lábio inferior dela.
— E eu quero você agora… inteira.
Dandara puxou ele para si, sentindo o peso, o calor, o domínio que ele tinha sobre o próprio corpo — e sobre ela. Suas mãos exploravam, reconheciam, desejavam.
Os dois se entregaram um ao outro como sempre: com desejo, mas também com aquela i********e profunda, aquela confiança que só crescia.
Cada toque era familiar, mas sempre novo.
Cada beijo parecia dizer algo que palavras não conseguiam.
E enquanto a noite avançava…
Icarus e Dandara não eram mais o chefe da organização e sua esposa.
Eram apenas eles.
Dois corpos, um só ritmo.
Dois corações, um só lugar seguro.