Ashlyn
Depois de passar o fim de semana invejando minhas amigas, sentindo falta de Garrett e sendo obrigada a ficar com Adam, fui para faculdade na segunda de manhã totalmente desanimada.
Aguentei as aulas sem ânimo algum para fazer qualquer anotação. Eu costumava sentar entre o meio e a frente da sala, mas desde o acidente de Gavin eu andava sentando no fundo, escondida do professor para que ele não visse a péssima aluna que eu estava me tornando.
O que meus pais pensariam de mim se me vissem assim?
Na hora do intervalo sai um pouco da sala pra tomar uma água. Estava no bebedouro quando Adam agarrou meu braço com força.
- Oi gatinha!
Seus lábios bateram nos meus, num beijo e******o e sem carinho algum. Senti meu estômago revirar ao meu lembrar que no sábado fui obrigada a arrumar todo o apartamento dele, enquanto ele e Maggie transavam no quarto ao lado. O empurrei e virei a cara.
- Aqui não.
- Eu acho bom Ash você não me irritar, fiz uma prova muito r**m hoje e não estou de bom humor.
- Problema seu, manda a Maggie te consolar! - ironizei e dei as costas.
Adam agarrou meu braço me puxando de volta e me machucando. Senti ele apertar com tanta força que parecia que estava interrompendo o fluxo de sangue.
- Não vai pensando que porque Garrett saiu do hospital você vai poder me tratar do jeito que quiser entendeu? Eu duvido que ele conseguiria se defender com aquela perna de gesso.
- Deixa ele e meus amigos em paz, eu já estou com você, o que mais você quer? Para de ficar a toda hora me ameaçando, me humilhando. - respondi, eu não queria, mas estava prestes a chorar.
- É exatamente isso que eu quero. Humilhar você, te atormentar para você aprender a nunca mais aprontar pelas minhas costas.
- Você não acha que já me humilhou bastante? Termina logo com isso!
- Para que? Para você correr para os braços daquele i*****l, nem pensar Ash. Você vai ficar comigo até quando eu quiser e saber muito bem o que vai acontecer se você não me obedecer.
Um grupo de alunos entrou no corredor para voltar para sala, Adam segurou meu queixo e sorriu.
- Agora me dá um beijo como uma boa namorada apaixonada!
Tentei empurrá-lo, mas Adam me agarrou e me beijou a força. Sua língua invadiu minha boca e nunca senti tanto nojo na minha vida.
Quando vi que o grupo já tinha passado, mordi seu lábio inferior dele. Adam gemeu se afastando de mim e colocou a mão na boca. Gostei de ver que estava sangrando.
- Nunca mais me beije desse jeito!
Adam me olhou furioso e desferiu um t**a no meu rosto me pegando de surpresa.
- Você é uma v*******a! - apontou o dedo na minha cara, puxou minha mão e colocou um molho de chaves sobre ela. - Quero a cozinha do meu apartamento brilhando hoje à tarde quando eu chegar, ai de você se eu entrar lá e não estiver tudo em ordem. Não se preocupe com o almoço, vou levar a Maggie num restaurante. - me olhou indiferente e me deu as costas.
Assim que Adam virou o corredor, coloquei a mão no rosto onde ardia e cai sentada no chão. Não consegui segurar e desabei em lágrimas ali mesmo no corredor.
- Moça você tá bem?! - um rapaz se ajoelhou na minha frente, acompanhado de uma moça.
- Eu... Tô bem! - falei soluçando.
- Tem certeza? - a moça perguntou preocupada.
- Tenho! - me desvencilhei do rapaz e corri para fora do bloco.
Não estava em condições de assistir a aula, então me escondi num canto da faculdade onde quase ninguém passava. Passei a última hora ali chorando.
Devo ter cochilado com o rosto escondido entre as pernas, pois, acordei não sei quanto tempo depois com a cabeça latejando.
Passei no banheiro, lavei o rosto e tentei dar um jeito na minha cara. Meu rosto ainda estava vermelho onde Adam tinha batido, então passei o ** por cima para tentar disfarçar.
Sai do banheiro e fui direto para o refeitório, não tinha comido nada de manhã e meu estômago começava a dar sinais de fome.
Entrei e congelei no lugar quando vi Garrett sentado na mesa com Scar e Oliver. Sua perna engessada estava apoiada numa cadeira e as muletas encostadas na parede atrás dele.
Mordi meu lábio inferior e respirei fundo para não começar a chorar ali. Estava tão feliz em vê-lo, que quase não dava para acreditar que ele tinha acordado do coma.
Apertei a aliança que usava escondida embaixo da blusa, tomando coragem para dar as costas e sair dali. Foi quando Garrett olhou para o lado e me viu, e a pouca força que eu tinha conseguido reunir sumiu completamente.
Ele ficou me encarando e eu vi que ele estava surpreso em me ver, mas também estava magoado e triste. Dava para ver no rosto dele que ele estava se lembrando do nosso encontro naquele apartamento e devia estar se perguntando o que eu estava fazendo no hospital quando ele acordou.
Minha vista embaçou e antes que eu começasse a chorar de novo, dei as costas e sai correndo. Dei de cara com Benjamin e Miguel entrando no refeitório, um deles segurou meu braço.
- Ash o que foi? - Miguel me olhou.
- Nada! - enxuguei o rosto correndo. - Eu vou pra casa.
- Espera o que você tem? - Ben me olhou preocupado. - O que você fez no seu rosto?
- Nada! - cobri o rosto com a mão. - Da licença gente eu tô com pressa. - empurrei os dois e sai correndo.
Garrett
Foi um alívio voltar para faculdade. Todo mundo por onde eu passava me perguntava como eu estava, se a perna engessada doía, se as muletas incomodavam. Se eu já era conhecido na faculdade, parecia que tinha me transformado numa espécie de herói por ter sobrevivido a um acidente grave.
Descobri que alguns alunos estavam na apresentação aquele dia e que muitos foram me ver no hospital quando eu ainda estava em coma. As meninas eram as que mais vinham falar comigo. O gesso tinha se provado um charme a mais, mas nenhuma delas me interessava, só tinha uma que eu queria ver.
Mas apesar da vontade imensa de ver Ash eu não estava preparado para esse encontro. Eu não percebi quando ela entrou no refeitório, mas a vi parada no corredor de entrada me encarando. A primeira coisa que eu notei é que ela estava mais magra e com a expressão triste. Parecia surpresa e ao mesmo tempo em choque por me ver ali. Na certa não esperava que eu fosse voltar tão rápido.
Falando assim parecia que ficamos horas ali nos encarando, mas tudo não passou de segundos, tanto que ela saiu correndo antes que eu conseguisse me decidir em ir atrás dela ou ficar onde estava.
Parte de mim, queria sair correndo com ou sem perna engessada para ir atrás dela. A outra parte ainda se lembrava das palavras dela, da sua escolha... E por mais que me doesse eu devia respeitar a decisão dela e não ficar correndo atrás. Eu nunca precisei correr atrás de menina nenhuma, não ia começar com uma que tinha deixado claro que não me queria.
Eu voltei a mexer na minha maça e fiquei quieto, na minha, me segurando para não fazer perguntas sobre ela. Foi quando Benjamin e Miguel chegaram e sentaram na mesa com a gente.
- Oh Scar está tudo bem com a Ash? - Miguel perguntou. - A gente trombou com ela agora e ela passou como um tiro pela gente. Parecia que tinha acontecido alguma coisa muito séria.
- Olha gente já tem dias que eu tô vendo que a Ash não está bem. Eu e a Hilary já cansamos de perguntar o que ela tem, mas ela foge do assunto todas as vezes. - Scar respondeu.
- Ela ficou assim depois do seu acidente. - Ben me olhou.
- Isso deve ser culpa! Todos vocês já sabem que ela jogou na minha cara que prefere ficar com o Adam. Ela me disse isso no dia do meu acidente e eu sai de cabeça quente por causa das palavras dela e me apresentei sem condições.
- Isso não é culpa dela, Kuno te alertou a não se apresentar e você teimou com ele.
- Não tô dizendo que a culpa é dela, estou falando que ela se sente culpada pelo que me disse aquele dia.
- Tá, mas você já saiu do hospital e está bem e ela parece que fica cada vez pior. - Scar respondeu.
- O que você quer dizer com isso? - perguntei, não aguentando a curiosidade.
- Que tem alguma coisa errada acontecendo, eu conheço a minha amiga. Ash não faz o tipo de que fica com um cara, namorando outro, tem alguma coisa esquisita. Pra começar o namoro dela com o Adam está estranho. Muito errado e estranho.
- Como assim errado e estranho Scar? - a encarei, eu precisava encontrar alguma explicação.
- Não sei como te explicar, eu acho que vou calar a minha boca porque tô falando demais como sempre. Vamos mudar de assunto?.... No final do mês a gente entra de férias, o que estão pensando em fazer?
Miguel e Ben começaram a falar dos planos deles de visitar os pais do Miguel nas férias.
Eu fiquei calado ouvindo meus amigos falar e lembrando da conversa com a minha mãe e agora as palavras de Scar só estavam me dando mais coisas em que pensar.
Apesar de estar magoado, com raiva, me sentindo de certa forma humilhado e traído, se eu fosse parar para pensar com frieza, Ash nunca demonstrou ser como as outras garotas com quem fiquei, esse foi um dos motivos de eu ter me apaixonado por ela. Não era possível eu ter me enganado tanto com ela, não fazia sentido, eu, que tinha tantas experiências com garotas, que já tinha conhecido “N” tipos, ter me deixado enganar. Eu não podia ter sido burro a esse ponto.
Minha mãe e Scar achavam que alguma coisa estava errada. Minha mãe havia afirmado que Ashlyn gostava de mim. Será que tinha alguma coisa que eu não estava vendo?
Deu para ver na cara de Ash que ela estava m*l, se fosse só culpa e remorso, há essa altura já teria passado. Ninguém ia ficar tanto tempo remoendo uma coisa depois de ver que tudo acabou bem.
Adam sempre foi um i****a, eu não ficaria muito surpreso, se ele estivesse fazendo alguma coisa para manter Ashlyn ao lado dele. Talvez o b****a tenha percebido meu interesse nela e só para me ferrar, fez alguma coisa para ela ficar com ele. Talvez contou alguma mentira, ou mandou alguma garota contar algo para ela. Era a cara desse i*****l fazer algo baixo assim.
Suspirei.
Tudo isso podia não passar de teorias mirabolantes para eu não acreditar no inevitável. Talvez eu estivesse inventando desculpas para acreditar que Ashlyn gostava de mim, talvez eu estivesse me iludindo e fosse quebrar a cara f**o no final dessa história.
Mas eu me conhecia e sabia que não ia ter sossego, enquanto não tivesse uma confirmação, uma prova. Era disso que eu precisava. Algo que me provasse muito mais do que palavras de que Ashlyn amava Adam e que era com ele que ela queria ficar.
Se no final eu descobrisse que realmente tinha perdido nessa história, eu ia arrancá-la da minha cabeça, ia me desapaixonar por ela de um jeito ou de outro.
Ashlyn
Depois do encontro desastroso com Garrett no refeitório e ter trombado com Ben e Miguel, fui paro apartamento do Adam.
Levei uma hora para conseguir lavar e esfregar todo o chão. Adam havia falado sério quando disse que não ia mais pagar a diarista, ele havia dispensado a moça e agora eu era sua cozinheira e faxineira.
Já tinha limpado tudo quando ouvi a campainha tocar.
Suspirando fui abrir a porta, só podia ser ele que estava sem as chaves.
- Oi boneca! - ele sorriu, virei a cara, mas ele agarrou meu rosto e me beijou.
- Maggie não veio com você?
- Deixei ela na casa de uma amiga, você limpou minha cozinha? - ele perguntou indo na direção dela. - Muito bem! - cruzou os braços e sorriu ao parar na porta
Segui ele e parei na porta da cozinha.
- Posso ir embora?!
Adam abriu a geladeira e pegou uma jarra de suco. Do gargalo mesmo ele tomou um gole e em seguida se virou para mim. Com um sorriso malicioso nos lábios, ele soltou a jarra que se espatifou no chão, derramando suco e cacos de vidro por toda a cozinha.
Agarrei o batente da porta com raiva.
- Ops! Que desastrado eu sou, acho que você vai ter que limpar a cozinha antes de ir. - ele sorriu e veio até mim. - E limpe muito bem. Eu vou odiar s*******r o meu pé quando entrar aqui de novo. Depois que acabar, você pode ir, vou para o meu quarto dormir. - acariciou meu rosto e saiu.
Encarei o chão que eu tinha acabado de limpar todo imundo de suco e cheio de cacos de vidro. Mordi o lábio inferior jurando que não ia chorar, mas não consegui.
Respirando fundo tentei me controlar e fui buscar pano, vassoura e saco de lixo.
Garrett
Estava deitado na cama, encarando a aliança que eu tinha comprado e ainda tentando achar uma explicação para eu e Ash termos chegado nesse ponto.
Sentindo minha cabeça latejar, deitei na cama e fechei os olhos, talvez o silêncio do quarto me ajudasse.
“Eu amo você!”
Abri os olhos me lembrando de que foram essas palavras que me acordaram no hospital. Foram as primeiras coisas que ouvi quando abri os olhos e me deparei com Ashlyn deitada sobre mim.
“Eu amo você!”
Estreitei as sobrancelhas e me sentei na cama.
Será que eu tinha sonhado?
Será que eu estava alucinando ou aquele dia no hospital, Ash dissera que me amava?
Coloquei as mãos na cabeça e massageei minhas têmporas que estavam latejando.
Eu tinha ouvido errado? Tinha sonhado acordado e fantasiado que ela tinha me dito isso?
“Eu amo você!”
Era a voz dela me dizendo essas palavras, eu tinha certeza absoluta. Mas como ia saber se a minha cabeça tinha criado tudo aquilo ou se tinha acontecido de verdade?