Capítulo 2

1225 Words
Espero que esse amigo dela não demore muito, digamos que paciência nunca foi o meu forte, acho que herdei isso da minha amada mãe. Chequei o meu celular e tinha algumas notificações do i********:, a maioria era curtidas em fotos e mensagens. Meu insta bomba, por incrível que pareça me dou bem em frente as câmeras, quando mais nova até pensei em ser modelo, porém com uma mãe narcisista que quer ser sempre melhor que todos... é um tanto complicado, mas até que ela tem melhorado. Sai do celular quando vi um carro com o farol super alto parando na nossa frente, deve ser a tal carona, fico feliz que não demorou. A Jennyfer levantou toda animada e foi a primeira a entrar no carro. Me sentei no banco de trás, sozinha. Fitei o motorista que deu um selinho nela, deve ser algum dos vapor que a mesma pega com segundas intenções (interesse), não a julgo por isso, tem muita gente que dá sem receber nada. -Boa noite- o carinha falou me olhando pelo espelho. -Boa noite- falei sem dar muita atenção. Não gosto de dar corda pra esses ficantes da Jennyfer, porque no fim das contas, eles querem vim dar em cima de mim, como já ocorreu algumas vezes, posso ser tudo, menos talarica. Sempre tivemos o nosso acordo, se gostarmos de algum boy, a outra não pode ficar, assim não estraga a amizade por bobeira, e esse trato funciona até que bem. Voltei a minha atenção pro celular, já que a conversa desses dois não está nada interessante. O baile fica bem perto da minha casa, não sei ao certo porque a Jennyfer faz tanta questão de ir de carro, deve ser a preguiça de andar 10 minutos. Como estamos de carro, em mais ou menos 5 minutos chegamos. Já posso ouvir o som mega alto vindo da quadra imensa. Só queria subir pro camarote hoje, tô cansada daquela pista, cheia de bêbados me enchendo o saco. -Ou Jennyfer, desenrola alguém pra finalmente subirmos naquele camarote- pedi na cara dura. -Ela já arrumou, eu- o carinha murmurou todo confiante. -Sério?- perguntei com um sorriso esperançoso. -Sim ué- o mesmo deu de ombros. O carro parou um pouco antes do baile. Infelizmente lá na frente já está cheio de veículos. Desci do carro e me ajeitei toda. A Jennyfer agarrou minha mão e a do boy. Não caminhamos nem 3 minutos e já estávamos adentrando a quadra que está cheia. Os cantores ainda nem começaram a cantar, só as caixas de som ligadas, tocando várias música diferentes ao mesmo tempo. O carinha foi guiando a gente até o camarote. E pela primeira vez me encontro aqui, nunca tinha subido, pertinho dos maiores traficantes do Rio, confesso que tenho um pouco de medo, é arma pra todos os lados. A Jennyfer já foi se enturmando, cumprimentou a maioria, até parece que tem toda essa i********e mesmo. O r**m de vim com alguém que socializa demais, é que você passa a maioria do tempo "sozinha". Aprender a curtir sozinha, foi uma das melhores coisas que eu já fiz. Fui até um bar que tem aqui, inclusive a fila é bem menor do que a da pista, amei. Fiquei na fila, espero que não demore muito. Tô só observando tudo por aqui, o movimento dos carinhas armados é grande. Tem alguns que me olham como se eu fosse um pedaço de carne, credo. -O Bárbara, vamos ali pra você conhecer o Jefferson- a Jennyfer me chamou toda animada aparecendo do nada. -Espera aí que eu vou pegar uma bebida pra mim. Aliás, quem é Jefferson?- perguntei sem entender. -O dono do morro ué- ela disse toda cínica e eu engoli em seco. -Pra que diabos eu vou querer conversar com o dono do morro?- perguntei incrédula. Só a Jennyfer mesmo pra querer que eu fique perto e ainda converse com o dono do morro, parece que é maluca, tenho amor a vida. -Quando tu pegar a bebida, só vai lá tá?- ela pediu. Apenas concordei com a cabeça sem dar muita importância. Odeio ficar esperando, mas não tem outra forma né... infelizmente. -Oi moça bonita. Boa noite, toma aqui uma bebida pra você não ter que ficar esperando- um homem ofereceu uma lata de GT já aberta. Cara, eu só posso ter um semblante de burra, ou de otaria, não é possível. Jura que vou aceitar uma latinha aberta? Me poupe né, isso deve tá cheio de balinha. -Não, obrigado. Já está perto de chegar a minha vez- neguei sem pensar nem duas vezes. O indivíduo nem falou mais nada, só saiu pagando de cínico. É cada um que me aparece viu. Finalmente chegou a minha vez, escolhi um copão de frozem (alguns chamam de nevada também). O cara começou a preparar e eu fiquei de lado só esperando. Hoje vou deixar lá fora tudo de r**m e aproveitar ao máximo aqui, dançar horrores, até as pernas não aguentarem mais. -Moço quanto deu?- perguntei quando ele me entregou. -As bebidas são todas patrocinadas pelo chefe pô- ele respondeu indo para o próximo pedido. Depois dessa eu fiquei até calada, estou um tanto surpresa com essa, bebida grátis, sendo que as coisas são o olho da cara no baile daqui, mas não vou nem reclamar. Rodei o meu olhar pelo local e avistei a Jennyfer conversando toda sorridente com um homem muito bonito. Fui até a minha amiga em meio a aqueles traficantes, passo de cabeça baixa pra não arrumar confusão pro meu lado, as mulheres daqui são bem possessivas. A Jennyfer acenou quando me viu se aproximando. -Então essa é a famosa Bárbara- o homem murmurou me olhando dos pés a cabeça. -Sim, sou eu, e você quem é?- perguntei olhando nos olhos do mesmo. -Jefferson- ele afirmou e eu gelei por cerca de alguns segundos. Sim, é o dono da p***a toda. Nem me lembrava mais dele, seu pai morreu faz um tempo, então ele assumiu tudo por aqui, está diferente, eu diria irreconhecível. -Desculpa, não tava reconhecendo, você se encheu de tatuagens, mudou muito, te via por aqui mas nunca me perguntei quem seria- admiti um tanto envergonhada. Como eu moro em um lugar e nem ligo de procurar saber quem é o que comanda as coisas por aqui. Sou distraída desde nova, nem me surpreendo mais. -O Jennyfer, será que você pode dar uma licença pra mim trocar uma ideia com essa loira aqui- ele pediu sem dar muita importância pra minha explicação. -Ok, quando terminar eu vou está dançado viu Bárbara- a Jennyfer avisou, aparentemente frustrada. -Estou me perguntando como não tinha reparado em você antes- ele admitiu me fitando. -Sem mais delongas por favor, diz logo o que você quer- pedi francamente sem muita paciência. -Tu é direta em mulher, e eu particularmente gosto bastante disso- o JF afirmou. -Já saquei tudo, você quer me pegar- deduzi o óbvio. -É isso mesmo, ainda bem que você não é daquelas que se faz de burra, odeio joguinhos de desinteresse- o mesmo admitiu. -Uma pena, porque eu não tenho interesse nenhum em me envolver contigo- falei com a maior sinceridade possível. -Como é?- ele perguntou incrédulo. -Não vou repetir, você ouviu o que eu disse- não dei a mínima. -Beleza então, rala com esse teu cu doce- JF disse puto. -Ta ué- concordei saindo.
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