Capítulo 19

1149 Words
Caminhando com Lorenzo até o carro, Alice logo viu o homem misterioso parado lá, conversando com Enrico. Queria perguntar para Lorenzo quem seria ele, mas não precisou, Lorenzo tomou a frente de apresentá-los. — Alice, esse aqui é o Marcos, um dos meus aliados e o responsável por te salvar. — Lorenzo disse e Marcos se aproximou. — Muito prazer, Alice, é só uma pena que nos conhecemos assim. Esse aí, não parava de falar de você! — disse ele apontando para Lorenzo que deu um sorriso fraco. — Prazer, Marcos. — disse Alice, retribuindo o aperto de mão dele. — Bom, agora acho que podemos ir para àquele bar comemorar. — disse Lorenzo e todos riram. Em seguida, todos começaram a entrar no carro de Lorenzo e Alice foi no banco do passageiro, tudo que ela sentia era vontade de ficar a sós com seu amor, e conversar sobre tudo, principalmente sobre a ameaça velada que Maurício deixou para eles ao ser preso. Durante o trajeto até o bar, Alice e Lorenzo trocaram apenas alguns olhares, já que tinham companhia, mas ao chegar lé, Enrico pediu para conversar com ela a sós, então Lorenzo e Marcos entraram no bar. Alice e Enrico foram para um canto, um pouco mais isolados. — O que você quer me falar? — perguntou ela. — Então, Alice… eu queria te pedir desculpas, por te colocar em risco desse jeito e por tudo que eu tinha te dito antes. — Eu entendo seu lado, Enrico. Mas agora está tudo resolvido, logo a notícia da sua inocência vai ser divulgada e você poderá viver em paz. Desculpas aceitas, agora vamos entrar. — disse ela com um fraco sorriso. Quando entraram, Alice foi caminhando na frente até a mesa em que eles estavam e sentia o olhar de Lorenzo lhe queimar. Ela então se sentou bem próxima dele. [...] Conforme a noite foi passando, Marcos foi embora e Enrico já sentia que estava sobrando ali, mas ele tinha uma surpresa para os dois, então chamou Lorenzo num canto. — Eu não sabia como a Alice vai reagir a isso, então por isso eu te chamei. Eu queria me desculpar com vocês, e não deveria ter imposto sobre vocês aquelas regras idiotas, os dois são adultos livres! Então eu estou dando uma viagem com tudo pago pra vocês, se for desejo de ambos recomeçar de onde pararam. — disse, entregando um envelope. — Tá tudo aí dentro. Lorenzo olhou para Enrico incrédulo. — Obrigado por me ajudarem. — disse e saiu logo em seguida, sem que Lorenzo dissesse algo. Lorenzo volta para a mesa, ainda assimilando tudo. — Então o que ele queria? — perguntou ela. — Nada de mais, é uma surpresa, logo você vai saber. Podemos ir embora? — disse ele e ela assentiu, se levantando. O caminho até o apartamento de Lorenzo foi silencioso e rápido, e aos chegar, Alice se jogou no sofá, agradecendo mentalmente por poder desfrutar daquele conforto. — Você tem certeza de que está bem? — Sim. — Alice disse num tom seco. — Mas ele disse que isso ainda não acabou. — A voz de Alice soou baixa, mas carregada de inquietação. — Você não vai ter que se preocupar com isso, eu me encarreguei que tudo se resolva dentro da prisão, daqui a alguns dias você saberá pelos noticiários. — Certo. E falando nisso, como meu trabalho por aqui acabou, vou voltar para casa no final da semana. Lorenzo sentiu o peso das palavras dela e sentiu seu coração se entristecer com aquilo, mas sabia que não tinha motivos para ela continuar lá, mesmo que o amasse, eles não tinham tocado no assunto de recomeçar, de se permitirem ter uma segunda chance. E foi por isso que Lorenzo apenas assentiu. Ambos se despediram, depois daquela noite tensa, mas Lorenzo teve dificuldades em pegar no sono, alguma coisa parecia ainda precisar ser resolvida, Lorenzo encarou a cidade pela janela do apartamento, o medo e a raiva se misturavam enquanto ele pensava nas consequências que aquele mundo trazia para sua vida, era um mundo do qual ele queria se afastar. Ele pegou o telefone e ligou para Enrico. — Alô? — falou. — Tá na hora, não acha? — Lorenzo falou. — De deixarmos o passado no passado. Enrico demorou um pouco para assimilar, mas logo entendeu o que o irmão queria fazer, ele soltou um suspiro pesado do outro lado da linha, mentalmente já concordando com a decisão de Lorenzo. — Sim. Dessa vez, eu concordo, de verdade. — Amanhã de manhã nós vamos resolver isso. Encerrou a ligação e se preparou para o dia seguinte, que não demoraria a surgir no horizonte. No dia seguinte, logo pela manhã, eles se dirigiram ao clube de strip, apesar do sol quente lá fora, dentro do clube estava mais escuro do que Lorenzo se lembrava, como se tivesse absorvido o peso dos pecados cometidos ali. O cheiro de cigarro e álcool impregnava o ar, e a música abafada vibrava no chão de madeira desgastado. Na mesa do fundo, estava Simon Russo, o homem que comandava o crime na cidade. Um rei sem coroa, mas com súditos leais espalhados por cada esquina. Ele ergueu os olhos quando os irmãos se aproximaram e deu um sorriso carregado de ironia. — Não esperava ver vocês tão cedo. — Sua voz era arrastada, carregada da arrogância de quem acreditava ter controle sobre tudo. Enrico puxou a cadeira e se sentou sem hesitação, Lorenzo ao seu lado. Ambos sabiam que não havia espaço para vacilos. — Não é uma visita social — Enrico disse, o tom direto. — Estamos fora. Acabou. Simon ficou em silêncio por um momento, o sorriso diminuindo aos poucos. Ele pegou um charuto da mesa e o acendeu com calma, soltando uma baforada lenta antes de responder. — Fora? — Ele riu, mas seus olhos estavam afiados. — Não existe “fora”, Enrico. Você sabe disso. Lorenzo cruzou os braços, mantendo a expressão dura. — Não estamos pedindo permissão. É uma decisão. Já arriscamos tudo o suficiente. Já estamos cansados, precisamos viver com o pouco de paz que nos resta. — Vocês são adultos. Se acham que conseguem viver sem olhar por cima do ombro, boa sorte. Mas saibam de uma coisa… — Ele inclinou-se para frente, a voz baixa e carregada de ameaça. — Ninguém sai completamente. Se um dia precisarmos de vocês, vamos encontrar um jeito de puxá-los de volta. Os irmãos não desviaram o olhar, mantendo-se firmes. Enrico foi o primeiro a se levantar. — Então espero que nunca precisem. Lorenzo fez o mesmo, lançando um último olhar ao líder antes de se virar. Nenhum deles olhou para trás ao atravessar o clube e sair pela porta dos fundos. — Conseguimos — Lorenzo disse, aliviado. Enrico passou a mão pelos cabelos, sentindo o peso daquela escolha.
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