Mais um dia de trabalho começa e Alice olha no relógio as horas esperando seu novo cliente, Robert. No dia anterior, eles tinham conversado sobre ele voltar e começarem a dar andamento nos papéis da guarda de sua filha. Logo o telefone da sala toca e Alice já sabe que é ele.
— Pode deixar ele vir, Mariana. Obrigada! — diz.
Depois de uns minutos, Robert aparece na porta.
— Bom dia, Alice. Perdão pela demora. — disse ele se sentando.
— Sem problemas. Você trouxe todos os documentos?
— Sim, estão todos aqui. — disse ele entregando para ela.
— Ótimo, eu vou dar uma olhadinha se não falta nada e nós podemos ir até a vara da infância e juventude, começar a dar andamento no processo.
— Obrigado. — Robert diz e fica em silêncio, dando tempo para Alice ler tudo.
Alguns minutos se passam e Alice, vendo que estava tudo certinho diz para irem até a vara da infância. No caminho, Robert liga para a ex-esposa e diz que ela deveria ir até lá também, e apesar de não estar muito a fim de facilitar as coisas para ele, Paola aparece junto com Lisa.
Alice não chega muito perto devido a estar apresentando um lado contra a mulher, mas fica observando a forma como a mãe trata sua filha e percebe o motivo de seu cliente querer a guarda definitiva, a mulher não tem a filha como prioridade; cabelos e unhas impecáveis e a menina com roupas amarrotas e sapatos um pouco gastos. Já a menina, segurava na mão da mãe com certa hesitação e não com conforto e segurança.
— Não se preocupe, vai dar tudo certo. — disse ela, sussurrando para Robert.
Eles ficam sentados do lado de fora da sala, esperando que a senha deles seja chamada.
Alguns minutos se passam e eles logo são chamados. Lá dentro da sala, eles se apresentam e ao juiz permitir a fala, Alice olha para Robert e ele começa a falar.
— Senhor Juiz, eu gostaria muito de entrar com o pedido de guarda definitiva de Lisa. A mãe dela não tem condição nenhuma de cuidar dela.
O Juiz olha para todos atento.
— Eu como pai, posso oferecer uma vida confortável para ela; se observarem bem olhem as vestimentas que Lisa veio, não precisa pensar muito que ela deve ficar comigo. — diz.
— Senhor Robert, essa é uma acusação muito séria. Mas o senhor me parece um pai preocupado. Presumo que tenha trago todos os documentos necessários.
— Sim, senhor. — Robert coloca os papéis sobre a mesa e Alice observa em silêncio.
Mas como tinham conversado antes, Alice toma a palavra para sugerir o que Robert havia pedido.
— Meritíssimo, meu cliente gostaria muito de contar com o serviço de uma assistente social para observar o dia a dia, a rotina da senhora Paola com Lisa. — Alice disse.
— Mas isso é um absurdo! — protestou a mãe, como Robert suspeitou.
— É um ponto a se considerar. Acredito que essa será a melhor forma de comparar quem realmente tem condições de cuidar de Lisa.
— Obrigada, meritíssimo.
— Com isso, nós finalizamos. Vamos analisar os papéis com calma e quando for necessário enviaremos uma intimação. — disse o juiz.
Todos se levantaram e se retiraram da sala, ouvindo o próximo caso ser chamado.
Já na portaria, Robert exibia um sorriso vitorioso.
— Graças a você deu tudo certo. — ele diz.
— Imagina! Estou aqui pra isso. Tenho certeza que as coisas vão continuar caminhando a seu favor. Agora tenho que voltar para o escritório, mas qualquer coisa, vamos nos comunicando por mensagem. — ela fala.
— Tá certo, obrigado mais uma vez, Alice. — ele fala e vai se afastando.
Alice retorna ao seu carro, e vê no relógio que já era quase seu horário de almoço, até retornar a hora iria se completar, então decidiu já ir direto para o restaurante de sempre e pediu o prato do dia, depois pediu um pudim de sobremesa. Ela ficou ali por mais um tempo apreciando pela janela a vista que tinha, era um dia cansativo, mas foi produtivo, só de estar em sua cidade Alice já agradecia mentalmente.
De volta à empresa, Alice foi convocada para a sala de reuniões, então já foi direto para lá. A tarde prometia ser longa, e sua cabeça ainda estava no caso da manhã, preocupada com o bem estar da garotinha. Mas logo se viu imersa nos assuntos internos do escritório, participando ativamente das discussões e resolvendo pendências antes de finalmente encerrar o expediente.
Depois que seu expediente se encerrou, Alice entrou em seu carro e partiu para o mercado, tinha algumas coisa em falta na despensa, alguns produtos de limpeza, então aproveitou para comprá-los. Foi para o caixa, pagou tudo e foi para casa. Mas assim que abriu a porta de casa, Alice parou no meio da sala, ao se deparar com uma cena constrangedora, Lavínia e um rapaz que estavam aos beijos, agora se separavam às pressas, notando a presença dela, ambos com expressões de surpresa e constrangimento.
O silêncio foi tão intenso que Alice precisou quebrá-lo com um sorriso discreto.
— Ah, oi... Desculpa, eu não quis interromper nada.
— Não tudo bem. — Lavínia respondeu.
— Melhor eu ir, nos falamos depois. — O rapaz murmurou um ‘tchau’ apressado e saiu quase correndo.
Alice caiu na gargalhada no mesmo instante.
— Então esse era o Bruno? — perguntou e Lavínia constrangida balançou a cabeça.
Lavínia suspirou, levando as mãos ao rosto.
— Que vergonha.
Alice riu baixinho, colocando a bolsa sobre o sofá.
— Por quê? Você não fez nada errado. — Lavínia a olhou de lado, ainda sem jeito, mas com um leve alívio nos olhos.
— Desculpa por não ter te avisado, aconteceu de repente. — falou.
— Está tudo bem, amiga. Agora eu vou lá tomar meu banho pra gente ir jantar. — falou.
Depois disso, Alice saiu caminhando pelo corredor. De banho tomado, retornou para a cozinha, o cheiro do jantar caseiro recém-pronto, preenchia o apartamento enquanto as duas comiam em silêncio confortável. Até que Lavínia, brincando com o garfo no prato, murmurou.
— Decidi dar uma chance para ele. — Alice ergueu os olhos e sorriu.
— E aí? Está valendo a pena? — perguntou e Lavínia assentiu com um sorriso. — Fico feliz por você, amiga.
— Obrigada. Como foi o dia de trabalho? — perguntou.
Alice então começou a contar sobre o caso que estava trabalhando.