Quando amanheceu o dia, Alice seguiu sua rotina de sempre, e depois de tomar café com Lavínia, foi para a empresa trabalhar, e chegando lá que se lembrou da mensagem que havia recebido, então ligou o computador e acessou seu e-mail para ler a mensagem por completo e saber o que responder.
Mensagem:
Oi srt.ᵃ Alice, desculpe se eu estiver sendo invasivo, mas te procurei porque estou desesperado. Meu irmão está necessitando de uma boa profissional para defender seu caso, mas por conta de ser um caso complicado, ninguém quis representá-lo. Sei que a srt.ᵃ é muito requisitada, justamente por ser uma profissional renomada e capacitada. Gostaria muito que pudéssemos conversar sobre o caso do meu irmão.
Att, Lorenzo Ricci.
Contato: (XX. XXXXX-XXXX)
Ao ler aquele nome, Alice sentiu um nó em sua garganta, ao engolir em seco, sabia muito bem que se tratava de um pedido de ajuda para que ele representasse Enrico, e tinha visto nos jornais há pouco tempo atrás que ele estava envolvido na morte de uma modelo muito famosa, apesar de o processo estar ocorrendo com Enrico em liberdade, Alice deduziu que mais um advogado tinha deixado eles na mão. Ela não estava muito a fim de representar aquela família, foi um bom tempo tentando se desvincular do meio daquela família e agora de repente, Lorenzo veio pedir a ajuda dela.
Alice para, respira fundo e relê a mensagem que ele enviou e diante daquela súplica dele, não conseguiu evitar, sua sede por justiça foi mais forte e mesmo que no final isso acarretasse descobertas desonestas, ela estava determinada a ir até o fim. Pegou seu telefone e digitou o número que estava na mensagem, e aguardou do outro lado da linha, tentando formular uma conversa normal e cordial com quem agora seria o intermediador de todo o processo.
— Alô? — falou a voz grave do outro lado da linha e Alice se perdeu por um mísero segundo.
— Alô, o senhor é Lorenzo Ricci.
— Sim, eu mesmo, o que aconteceu? — diz ele.
— Estou ligando porque vi sua mensagem no e-mail, e queria saber se podemos falar sobre. — Alice fala com a voz calma.
— Sim, com certeza, você mora aqui perto de Londres? — perguntou ele.
— Sim, bem próximo.
— Eu gostaria de falar com você pessoalmente, que também me dá o tempo de eu preparar os papéis e tudo que você precisa saber a respeito do caso. — Lorenzo fala.
— Tudo bem, eu acho que consigo um voo para amanhã. Até lá a gente vai se falando por mensagem. — Propõe ela.
— Certo, então era isso. Obrigado desde já pelo seu tempo.
— Imagina, é sempre um prazer poder ajudar. Tchau.
— Tchau.
Alice desliga o celular e fica pensando sobre sua última fala e fica meio receosa se deveria mesmo ter dito aquilo. Mas logo ouve o telefone tocar, e seus pensamentos são interrompidos, fazendo com que ela voltasse a dar atenção ao seu trabalho que ainda não tinha acabado.
O dia foi passando e depois de comprar a passagem, teve algumas reuniões e conseguiu fechar mais alguns contratos, o expediente de Alice chegou ao fim, e naquele final de dia, tudo que ela queria era chegar em casa logo e se livrar de seus sapatos de salto agulha. Hoje ela não teria que passar no mercado então foi direto pra casa, ao chegar, notou que Lavínia estava no sofá, assistindo a algum programa na tv. E logo sua presença foi percebida por ela.
— Oi.
— Oi. Faz tempo que você chegou? — perguntou Alice.
— Ah, tem um tempinho.
— Já jantou? — perguntou com um sorriso.
— Não, estava esperando você. — Lavínia responde.
— Tá certo, eu vou só tomar um banho ali rapidinho e já venho. — Alice falou já começando a caminhar na direção do corredor.
— Tá bom.
Alice chega em seu quarto já se despindo e vai caminhando até o banheiro, ela toma um banho rápido e sai de lá enrolada na toalha, e massageando seus ombros. O dia tinha sido cansativo e antes de terminar a noite ainda teria que fazer as malas para a viagem, apesar de pensar em como seria esse reencontro Alice queria focar em manter sua postura profissional e cuidar do que era mais importante, ganhar o caso.
Voltou para seu quarto, se vestiu e foi em direção da sala.
— Pronto, agora nós podemos comer. — falou.
Sua amiga assentiu e se levantou do sofá, seguindo Alice para a cozinha. As duas vão até o armário e revezam em colocar os talheres na mesa. Depois Alice esquenta a comida da noite para elas no micro-ondas.
— E o dia hoje como foi?
— Foi tranquilo, a gente tá aprendendo a fazer os procedimentos em equipe e hoje a aula foi mais interativa, fizemos o teste com a seringa, pra espetar a bexiga e ver quem tinha mão leve. — Lavínia contava empolgada. — E o seu?
— Ah, eu falei com o Lorenzo hoje.
— O Lorenzo? — perguntou com os olhos arregalados, e Alice assentiu.
— Amanhã eu vou pra Londres e a gente vai discutir todo o processo do irmão dele.
— Sei, aquele que está envolvido na morte da modelo. — Lavínia fala pensativa. — Mas vai dar tudo certo, não precisa ficar nervosa, logo você volta pra cá.
— Sim, ainda vou ter que fazer as malas antes de ir dormir, e eu estou com uma dor nesse meu pescoço. — fala apalpando a região tensionada. — Você ainda tem aquela pomada pra dor muscular?
— Tá na cômoda do meu quarto, depois do jantar eu pego pra você. — disse se sentando e a mais velha assentiu.
As duas sentaram de frente uma para a outra e jantaram em silêncio.
Após o jantar, Alice lavou todas as louças, e Lavínia secou e guardou já que Alice precisava de um tempinho pra organizar a mala. Ao passar pelo quarto da amiga, ela pegou a pomada e passou, sentindo o alívio quase que instantaneamente, depois foi finalmente fazer sua mala. Como ficaria apenas uma noite, pegou uma mala pequena e colocou dois pares de peças para sair durante o dia e dois pares de roupas para a noite, não esquecendo também de levar um casaco, e outras roupas de frio.
Depois disso, finalmente suspirou satisfeita e foi escovar seus dentes, depois se deitou e adormeceu.