Depois que Alice foi embora, Enrico e Lorenzo conversaram e chegaram a conclusão de que Alice realmente estava comprometida com eles, e que não sairia do caso até solucioná-lo.
— Ela realmente me pareceu muito confiável, Lorenzo. — Enrico comentou.
— Sim, que bom que deu tudo certo. Agora sabemos que podemos confiar nela. Eu vou preparar a lista e mandar pra ela por email, se você se lembrar de alguém, me avisa. — Lorenzo disse.
— Tá bom. — Enrico falou e ele saiu da sala logo em seguida.
Voltando para sua sala, Lorenzo foi direto para seu computador trabalhar na lista. Até o horário do almoço queria terminar a lista, não tinham tempo a perder.
Então assim que Alice retornou para sua cidade, recebeu por e-mail a lista com todos os nomes que Lorenzo havia mencionado e ele estava esperançoso que em meio a tantos nomes Alice encontrasse logo o culpado. Alice estava quase terminando o expediente da manhã quando recebeu o e-mail de Lorenzo e decidiu escrever para ele que já tinha acessado a lista.
Lorenzo não disse a Alice que tinha contatos no submundo do crime e usou esses contatos para descobrir alguma informação que pudesse ajudar ela nas investigações e então, enquanto do outro lado Alice começava a tentar conectar datas de registros e documentos que ele enviou, mas faria isso após voltar do almoço.
Enquanto ela almoçava, sua mente não parava. Ela tentava traçar conexões entre os nomes da lista e os registros que Lorenzo havia enviado. Algo lhe dizia que a verdade estava ali, apenas esperando para ser descoberta.
Assim que voltou ao escritório, ela se concentrou na papelada. Alguns nomes pareciam familiares, e ao cruzar as informações, Alice percebeu que Enrico e Suzany frequentavam os mesmos lugares que um pequeno grupo de amigos em comum. Isso poderia ser a chave para entender o que realmente aconteceu e se algum deles estava tentando incriminar Enrico.
[...]
Lorenzo havia acabado de chegar no bar que tinha marcado para se encontrar com Tito, seu informante, que Lorenzo quase não tinha contato exceto se precisasse mesmo com necessidade dos seus serviços. Há muito tempo atrás, por um mínino tempo, Lorenzo teve algumas participações em operações relacionadas ao submundo do crime, mas aquilo ficou tão bem ocultando por debaixo dos panos que nem Enrico descobriu. Minutos depois, um homem baixo e robusto entrou no bar. O rosto marcado pelo tempo e por erros do passado, era parcialmente coberto por um boné surrado. Tito não gostava de chamar atenção e era exatamente isso que o fazia ser tão bom nos serviços que executava.
Lorenzo, que estava sentado em das mesas de canto, levantou um pouco o copo em um cumprimento silencioso. Tito caminhou até ele, puxando uma cadeira e sentando-se sem cerimônia.
— Faz tempo que você não me procura, Lorenzo. Alguma coisa séria aconteceu, não é? — Tito falou num tom de curiosidade.
Lorenzo inclinou-se para a frente, os olhos atentos ao rosto de Tito que anda permanecia encoberto.
— Eu só te chamei porque preciso de informações urgentemente. — Lorenzo falou e era nítido o tom de urgência em sua voz.
Tito soltou uma risada curta.
— Sempre precisa, né? Mas e aí, o que você quer saber?
Lorenzo manteve o tom neutro, mas firme.
— Quero saber por que algumas informações sobre Enrico estão sendo encobertas. Quem mais está envolvido nessa história?
Logo o sorriso de Tito sumiu, ele olhou ao redor, como se checasse se alguém os ouvia, e depois voltou a encarar Lorenzo, se aproximando mais dele.
— Tem. E não é só um, cara. O que aconteceu com a amiga do seu irmão da sua “amiga” mexeu com gente grande. Tem um grupo na força policial barrando informações. E se eles tão fazendo isso, pode apostar que tem mais sujeira por baixo.
Lorenzo sentiu os músculos enrijecerem e travou seu maxilar, processando o que Tito disse.
— Então Enrico foi preso por algo que eles estão escondendo?
Tito assentiu, pegando um amendoim do pote sobre a mesa e jogando na boca.
— Parece que ele viu ou falou algo que não devia. E agora tão querendo garantir que ele fique quieto.
Lorenzo franziu a testa, pensando na enrrascada que seu irmão tinha se metido.
— E nós também estamos na mira, não estamos? Digo eu, e a pessoa que está me ajudando a defender o Enrico.
Tito deu um sorriso torto.
— Vocês conseguiram um outro advogado? — Lorenzo assentiu. — Bom, se vocês tão se metendo nisso, então sim. Alguém já te mandou um aviso?
— Ainda não — Lorenzo mentiu, mas algo em sua expressão fez Tito rir.
— Vai acontecer. Quando receber, vai saber que tá no caminho certo.
Lorenzo respirou fundo e encarou o homem a sua frente com seriedade.
— Tito, eu preciso de nomes.
Tito olhou para ele por um instante antes de balançar a cabeça.
— Infelizmente, não posso te ajudar com isso, irmão. Mas vou te dar um conselho: sai dessa enquanto pode. E a outra pessoa também pode se queimar junto com vocês! — disse ele se levantando.
Lorenzo soltou um riso seco.
— Você me conhece. Sabe que não vou sair até entender tudo. — Lorenzo também se levantou.
Tito suspirou, olhando para o lado.
— Então só toma cuidado. Porque a próxima mensagem que você receber pode ser mais do que uma ameaça.
Sem dizer mais nada, Tito terminou de sair da mesa e caminhou na direção da saída do bar, deixando Lorenzo com uma sensação incômoda. Ele pegou o celular e mandou uma mensagem para Alice.
Mensagem para Alice:
Precisamos ser rápidos antes que a polícia prenda meu irmão outra vez.
Ao ler a mensagem do outro lado, Alice se assustou com o que leu. Porque Lorenzo estava com tanto medo da polícia? Será que eles estavam envolvidos de alguma forma? Alice mordeu a ponta da caneta, enquanto pensava nas teorias para aquela mensagem. Ela então se deu conta de que, conforme fossem mais fundo na investigação, se a polícia estava envolvida, logo eles fariam parte da mira deles.
Então temos que ficar mais atentos do que nunca agora.
Foi o que ela enviou para Lorenzo. Infelizmente, ela sabia que hoje, teria que levar um pouco daquele caso para terminar as investigações em casa.