Ao chegar na empresa, Alice logo é direcionada para a sala de Lorenzo e já começam a trabalhar juntos ali, enquanto esperam por Enrico. Rodeados de muitos papéis sobre a mesa, ambos sentem a tensão no ar, e antes de dizer o que observou na folha, com várias datas marcadas, Alice ouviu seu celular vibrar e logo o olhar de Lorenzo também estava sobre ele. Ela o pega e lê mais uma mensagem de ameaça, mas essa era diferente das outras.
Mensagem:
Algumas histórias não devem ser revividas.
Isso é um aviso.
Alice arregalou os olhos na hora. Sentiu o corpo enrijecer na cadeira, ao ler aquela mensagem na tela. O frio na espinha foi imediato, aquela pessoa com certeza sabia muito sobre sua vida.. Suas mãos apertaram o celular com força, e ela trocou um olhar rápido com Lorenzo, que já analisava sua expressão com atenção.
— O que será que eles querem dizer com isso? — perguntou Lorenzo.
— Não faço ideia — mentiu Alice, desviando o olhar para os papéis à sua frente, tentando reorganizar os pensamentos.
Era nítido que ela teria que contar a verdade para Lorenzo, antes que aquelas ameaças fossem longe demais e ele descobrisse pelas mãos de outra pessoa. Enquanto pensava numa forma de sair daquilo, Lorenzo se levantou, ficou andando pela sala, de um lado para outro, pensando e foi até a janela, parando lá.
— Bom, pelo que parece é alguma história do passado, será que é sobre aquele caso antigo que você mencionou? — ele perguntou se virando para olhar para Alice.
— Pode ser, vou ter que analisar com calma mais uma vez. — diz um pouco nervosa, e acaba involuntariamente apertando o pulso.
Lorenzo notou aquilo e ficou um pouco surpreso, e em silêncio começou a refletir e ligar os pontos. Pensou que não podia ser ela, pois a cor de cabelo não era mais a mesma, mas ele evidentemente ficou nervoso com a ideia dela ser a mulher à sua frente.
— Certo. Mas eu tenho que te perguntar: tem alguma coisa que você poderia estar ocultando de mim? — Lorenzo perguntou olhando bem nos olhos dela.
Alice sabia que estava numa situação complicada.
— Eu não sei bem se é a hora. — diz ela apreensiva.
— Pode me dizer sem medo.
— Não temos tempo pra essa conversa, precisamos falar com Enrico. — Alice falou se levantando e saindo da sala. Lorenzo coçou a nuca e foi atrás dela.
Em seu escritório, no escuro, Enrico bebia um gole de uísque, sentindo o líquido queimar sua garganta. O envelope amarelo à sua frente parecia pesar toneladas. Respirou fundo e o abriu com cuidado, revelando uma pilha de documentos. Seu peito apertou ao ver as cópias das transferências bancárias. Enrico passou a mão pelo rosto, sentindo a tensão crescer. Seu celular vibrou, trazendo uma nova notificação. Ele o pegou, leu a mensagem assustado, mas sem hesitar, a apagou. Seu coração martelava no peito. Levantou-se e, após um momento de hesitação, abriu uma gaveta e retirou uma arma. Mas no mesmo instante, ele ouve uma batida na porta, o fazendo guardar sua arma.
— Pode entrar. — falou ele.
— Oi, Enrico. — disse Alice entrando na sala, mas havia reparado que ele estava mais nervoso que o normal. — Está tudo bem? — perguntou ela já se sentando e Lorenzo ao seu lado.
— Sim… é mais ou menos, mas não têm com o que se preocupar. — Forçou um sorriso. — Não é nada relacionado ao caso. — mentiu.
Nisso, seu celular vibrou novamente, chamando a atenção de todos. Ele olhou a tela e perdeu a cor.
Você não aprendeu a ficar em silêncio, Enrico.
Se continuar, ela será a primeira a pagar o preço.
Logo o celular de Alice também vibrou e era a mesma mensagem, só que Alice não entendia o sentido daquilo. Ela ergueu os olhos para Enrico, e os dois trocaram um olhar tenso.
— Eles estão nos observando — disse Alice, a voz firme, mas fria.
— E agora, o que vamos fazer? — perguntou Enrico.
— O primeiro passo, é reforçar nossa segurança. — falou Lorenzo. — De todos nós.
Alice e Enrico assentiram, e Lorenzo logo saiu da sala para fazer telefonemas, o mais difícil seria encontrar algum segurança pessoal na cidade de Alice, mas logo ele fez contato com alguns conhecidos e encontrou Mateus. Mais tarde, Lorenzo ligaria para ele e apresentaria Alice.
Ao voltarem para sua sala, estava quase no final do expediente deles e Alice sentia que Lorenzo não a deixaria sair de lá sem lhe contar aquele “segredo”, então foi por isso que ela respirou fundo, e se virou para ele num misto de coragem, medo e ansiedade.
— Bom, acho que finalmente chegou a hora de colocar as coisas no lugar. — disse e ele ficou sem entender. — Eu sou a mesma Alice, aquela que rompeu o noivado com você.
Lorenzo levantou as sobrancelhas depois daquela revelação, não estava tão surpreso quanto antes, mas de certa forma aliviado por finalmente reencontrá-la e obter as respostas aos motivos que a fizeram ir embora.
— Eu desconfiei mais cedo, quando você apertou seu pulso. — disse olhando para ela, que prestava atenção. — Era uma mania sua quando estava nervosa com algo. Por que você me deixou, Alice? É só isso que eu preciso saber.
— Na época, eu estava recebendo ameaças, como as que estamos recebendo agora, e eu não queria que você sofresse algo por minha causa.
— Então você nunca chegou a me amar de verdade!? — Lorenzo disse num tom um pouco mais elevado.
— Tudo que fiz foi pensando em te proteger, justamente porque te amava, e não me perdoaria se eu perdesse você para sempre. — Alice falou já sentindo as lágrimas molhando suas bochechas. — Sei que não deveria ter ido sem te dar nenhuma explicação e me arrependo disso até hoje. Mas era o certo a se fazer naquela época. — ela disse já se levantando, sabia que não aguentaria ficar ali. — Sinto muito.
Foi tudo o que ela disse, antes de finalmente sair da sala para ir embora, mas ao sair acabou por esbarrar em Enrico no corredor e vendo seu estado, ele soube que algo grave havia acontecido.
Ao chegar na sala do seu irmão, o encontrou sentado e visivelmente abalado.
— O que aconteceu com vocês dois? — perguntou.
— É ela, ela é A ALICE.
Foi o que Lorenzo conseguiu dizer e Enrico só conseguiu soltar um suspiro, surpreso. A única coisa que ambos os três pensavam, era em como o caso e a investigação prosseguiria, depois daquela revelação.