Capítulo 14

1024 Words
Alice pede um carro por aplicativo e fica na frente de casa esperando, ela fica olhando aos arredores atenta para ver se estava sendo observada e por sorte, o carro não demorou muito a estacionar em sua porta. Chegando na empresa, ela vai direto para sua sala guardar suas coisas e segue para a sala de reuniões. Foi começando a ajeitar tudo enquanto aguardava o restante dos participantes para a reunião, eles foram chegando, mas Alice não desviou o foco. E assim que termina de ajeitar os papéis sobre a mesa, lança um olhar discreto ao redor da sala de reuniões. O ar estava carregado de formalidade, mas havia algo errado. Um homem sentado no canto oposto, com um terno impecável e expressão impassível, parecia observá-la com mais atenção do que deveria. Era um olhar calculista, como se tentasse medir cada movimento dela. Mantendo a postura firme, Alice ignorou a sensação incômoda e focou nas negociações. Mas a dúvida ficou ali, latejando em sua mente, ainda mais porque ela tinha dispensado o segurança que Lorenzo tinha contratado pra ela. — Bom dia a todos, eu me chamo Alice Salazar, e vou dar início a nossa reunião. — falou num tom firme. Ignorou os olhares e focou no mais importante, a negociação. Por volta do meio-dia, o bip do celular interrompeu seus pensamentos assim que fechou a porta da sua sala. Uma mensagem sem identificação brilhou na tela. O passado nunca dorme. Você está preparada para quando ele bater à sua porta? O coração de Alice deu um salto, mas seu rosto permaneceu inexpressivo. Com um suspiro contido, bloqueou o telefone e o guardou. Não daria a quem quer que fosse o prazer de vê-la abalada, mas a inquietação já se instalava em seu peito. Foi até o outro lado da rua, no restaurante costumeiro e pediu o prato do dia: arroz, feijão e bife de frango à milanesa. Enquanto estava lá, se permitiu distrair por um tempo. Depois que finalizou seu prato, Alice viu que o lugar estava começando a ficar mais movimentado, então percebeu que já era a hora de voltar para o escritório. [...] Alice finalmente podia ter seu merecido descanso, a reunião tinha sido um sucesso e ela pegou uma Caixa de bombons para comemorar, caminhou até o caixa do mercado, e depois de pagar, foi para casa de táxi. Chegando lá, já entrou em casa tirando os seus sapatos, e chamando por Lavínia. — Amiga? — chamou. — Oi, tô aqui. — ouviu a voz dela bem baixinho, indicando que estava na cozinha. Alice foi caminhando descalço até lá com os braços cheios de sacolas. O aroma dos temperos preencheu a cozinha enquanto Lavínia levantava a tampa de uma das panelas. — Nossa, o cheiro está delicioso. — comentou Alice. — Obrigada! Você conseguiu achar tudo pra gente? — perguntou analisando as sacolas com o olhar. — Sim, aqui. — disse dando as sacolas para a amiga. — Eu só vou tomar um banho venho te ajudar a preparar. Lavínia assentiu e Alice caminhou na direção do quarto, pegou tudo que precisava e se dirigiu até o banheiro. Tomou um banho bem quente e depois daquele dia estressante foi a ajuda que ela precisava para acalmar sua mente, desviando-a das preocupações que se acumulavam. Saiu do banho, e terminando de se vestir, ouviu o telefone vibrar sobre o balcão, se aproximou vendo a tela piscar. Era uma mensagem do mecânico. Seu carro estará pronto amanhã. Antes que pudesse responder, outra notificação surgiu na tela, desta vez de Lorenzo. Mensagem de Lorenzo: Boa noite, Alice. Preciso que volte para Londres. Algo r**m aconteceu. O frio na espinha foi imediato, principalmente por algo r**m ter acontecido, Alice pensava no pior, em Enrico sendo preso. Então foi ligando seu notebook e comprando a primeira passagem do dia que estava disponível para Londres. Oi, Lorenzo. Estarei aí logo pela manhã de amanhã. Foi o que ela respondeu para ele, depois deixou seu celular de lado e foi ajudar Lavínia a terminar de montar as marmitas da semana. Depois elas jantaram e Alice aproveitou para arrumar sua mala para a viagem já que sairia cedo. E por fim, seu dia chegou ao fim, com ela escovando os dentes e indo se deitar. O vento cortava a noite enquanto Alice caminhava para casa, as sacolas do mercado pesando em suas mãos. A princípio, o som dos passos atrás dela pareciam um mero eco do seu próprio ritmo. Mas então vieram as pequenas diferenças: um intervalo mais longo, um ritmo hesitante, como se alguém tentasse se sincronizar com seus movimentos. Seus músculos enrijeceram, e o instinto de sobrevivência se ativou. Ela não hesitou. Precisava decidir: virar e encarar a ameaça ou encontrar uma forma de despistar quem quer que fosse. Alice correu pelos corredores escuros, os gritos de ameaça ecoando atrás dela. Você pode fugir, mas nunca estará segura. Abandone o caso. Você vai se queimar junto com eles. A voz era baixa e cortante como uma lâmina, e trazia consigo lembranças que ela preferia esquecer. O cheiro de pólvora e ferrugem impregnava o ar, e a sensação de perigo era tão real que seu peito ardia com a respiração acelerada. Ela tentou abrir uma porta, mas mãos invisíveis a puxaram para trás. Alice então acordou, o corpo úmido de suor, o coração martelando no peito, sua respiração totalmente descompassada. Se sentou na cama pensativa, o passado não estava apenas em seus sonhos. Ele realmente a perseguia, e ela sabia que não poderia fugir para sempre. Olhou as horas no relógio e eram três horas da madrugada, Alice se levantou e decidiu tomar outro banho para se acalmar, era só um pesadelo, mas aquilo estava a assustando mais do que o costume, pois era uma coisa que estava ficando frequente em sua vida, desde que aceitou o caso. Depois do banho, voltou a se deitar e conseguiu cochilar mais um pouco, acordando ao som do despertador. Alice se levantou sentindo sobre seus ombros o peso da noite m*l dormida, mas não tinha como permanecer ali, a vida continuava lá fora, independente de seu estado físico e mental.
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