Eu sorrio.
—Vamos?
Dante se inclina, apontando para a porta aberta, indicando que eu devo sair primeiro. No elevador, ele me observa pelo reflexo metálico das paredes antes de perguntar:
—Por que aceitou sair comigo?
Cruzo os braços e o encaro.
—Gostaria de ser sua amiga… Quem sabe colocar algum juízo nessa sua cabeça?
Ele solta uma gargalhada, mas seu olhar permanece sério ao me analisar.
—Só por isso mesmo?
Levanto uma sobrancelha.
—Por que uma mulher não pode sair com um homem sem que ele leve para o outro lado?
Ele ergue as mãos em um gesto despreocupado.
—Tudo bem. Seja lá o que te fez aceitar sair comigo… Eu amei.
Sorrio de leve para ele. Quando o elevador se abre na garagem subterrânea, Dante caminha comigo até uma Land Rover blindada, preta, imponente. Ele destrava o veículo, mas, em vez de abrir a porta para mim, segue até o porta-malas e o abre. Meu corpo enrijece por instinto. Só relaxo quando ele puxa dois capacetes de dentro e estende um para mim.
—Se importa se formos de moto? A noite está bonita.
Meu coração dispara no peito ao pegar o capacete. Não esperava isso.
—Tudo bem.
Ele sorri.
—Ótimo. Então vem!
Andamos alguns passos até que ele para ao lado de uma Kawasaki Ninja verde metálica. Linda, aerodinâmica, potente. Mas para mim, só mais um símbolo do dinheiro sujo que corre pelo mundo dele.
Ele monta na moto e ajusta o capacete. Com o coração martelando no peito, ergo os cabelos e os prendo no alto da cabeça antes de colocar o meu. Sento-me na garupa e, sem alternativa, passo os braços ao redor de sua cintura, sentindo o calor de seu corpo. O motor ruge antes de ele arrancar da garagem.
O vento corta meu rosto enquanto Dante manobra com destreza entre os carros, costurando pelo trânsito do Rio de Janeiro com uma confiança absurda. Seguro firme, meus olhos fechados, meu coração aos saltos.
"Deus… O que eu estou fazendo na garupa desse bandido?"
Mas já é tarde para pensar nisso.
Minutos depois, a moto desacelera diante de um bar de fachada discreta, mas que exala exclusividade. Um lugar que não é para qualquer um. O letreiro apagado na entrada não entrega nada para quem passa na rua, mas os seguranças fortemente armados deixam claro que ali só entra quem tem nome.
Só então percebo que ainda estou agarrada a ele.
—Pode me soltar agora. — Ele diz com ironia.
Aos poucos, afrouxo o aperto, minhas mãos ainda trêmulas. Desço da moto com dificuldade, enquanto ele desce com facilidade.
—Acho que não foi uma boa ideia. Você está gelada. — Ele segura minha mão e depois me envolve em um abraço. — Sentiu medo?
Respiro fundo e tento sorrir.
—É muita adrenalina.
Ele solta um meio sorriso.
—Adrenalina é o que nos faz sentir vivos.
Dante pega meu capacete e o coloca no assento da moto junto ao dele. Com a mão na parte baixa das minhas costas, me guia para dentro do bar. O reconhecimento imediato que recebe é inegável. Os seguranças acenam com a cabeça para ele, homens o cumprimentam com respeito.
O ambiente interno é pouco iluminado, um misto de sofisticação e perigo. O cheiro de cigarro paira no ar, misturado a um perfume amadeirado e o tilintar de copos caros. Lá dentro, ele não é apenas um cliente: ele manda.
No balcão, Dante se apoia casualmente enquanto um homem n***o, forte, com uma cicatriz na sobrancelha e um sorriso matreiro, o encara.
—E aí, Dante! — O bartender, chamado Nelsinho, abre um sorriso largo. — Qual vai ser hoje?
Dante dá um tapinha no balcão.
—Uma dose de conhaque pra moça.
Nelsinho assente e olha para mim com curiosidade.
—Tá investindo diferente agora, hein? Sua nova mina?
Dante me observa com os olhos intensos.
—Não sei… Ela diz que quer ser minha amiga.
O riso de Nelsinho explode alto, e outros ao redor gargalham junto.
—Essa é nova! — Ele balança a cabeça. — Mas é questão de tempo, né, Dante?
Dante sorri de canto, malicioso.
—É sempre questão de tempo.
Engulo em seco. Meu estômago revirando. Ele pede uma cerveja, mas eu não deixo passar batido.
—Você vai dirigir. Melhor beber só essa.
Nelsinho gargalha.
—Olha aí, Dante. Ela já tá falando que nem mulher ciumenta.
Dante sorri e dá um longo gole. Mas antes que eu possa protestar, ele segura minha mão e murmura contra meu ouvido:
—Vem. Se não quer que eu beba, então dança comigo.
Minha pele arrepia. Meu coração acelera. Eu deveria recuar. Mas, em vez disso, deixo que ele me conduza.
Ele me leva até um jukebox e escolhe uma música. Assim que os primeiros acordes de Nothing Else Matters, do Metallica, preenchem o ambiente, sinto um frio na espinha.
Ele se vira para mim e sorri.
—Para você, minha princesa.
Minha respiração falha.
Dante tira a jaqueta e a joga para um dos homens, que a pega no ar. Meu olhar se prende aos traços de tinta n***a serpenteando seus braços musculosos. Seus olhos se fixam nos meus, carregados de algo intenso.
Ele me puxa para o centro do salão, e os clientes ao redor reagem.
—Aí, Dante! Gostei de ver!
Sorrisos, assobios, provocações. Mas para mim, tudo se dissolve. Porque, nesse momento, só existe ele. E eu.
E o perigo que insiste em me atrair.