Se eu fosse você, tomaria cuidado com o Dante.

1001 Words
Fico tentando manter a calma, forçando um sorriso tranquilo, mas a ansiedade ainda está clara demais. — Seu irmão? Desculpe-me, mas eu não sei quem você é, e não conheço seu irmão. Eu apenas dancei com ele, e ele não faz o meu tipo. — Tento soar casual, mas sei que falhei. Rafael apoia um braço no balcão, inclinando-se ligeiramente para mais perto de mim. O perfume amadeirado dele é diferente do de Dante, mais suave, mas ainda assim carregado de uma masculinidade inquietante. — Rafael Souza. — Ele se apresenta com um sorriso que me faz sentir como se estivesse sendo observada sob uma lente de aumento. — Rebeca Silva. — Interessante. — Ele diz, com o sorriso nos lábios, aquele sorriso intrigante, quase desafiador. — As mulheres costumam cair de joelhos pelo Dante, mas você parece... diferente. Dou de ombros, tentando afastar a tensão crescente. — Não preciso de bebida ou de homens como ele para me sentir bem. — Homens como ele? — Rafael pergunta, seus olhos azuis estreitando com uma curiosidade que me desconcerta. — Você sabe, os cheios de si. — Respondo com uma falsa casualidade, mas minha voz trai minha tentativa de controle. Ele ri, um som profundo e cativante, mas seu olhar permanece firme, atento. — E homens como eu? Qual é a sua opinião? Encaro-o por um momento. Rafael tem uma aura diferente de Dante. Ele ainda é magnético, mas há algo mais sutil, mais calculista nele. Ele é como uma presença que você não vê chegando, mas que logo toma conta do ambiente. — Acho que ainda não tenho uma opinião formada. — Respondo, tomando um gole de refrigerante, a sensação de seus olhos ainda ardendo em mim. Ele inclina a cabeça, os olhos ainda brilhando de interesse. — Justo. Mas não me leve a m*l, você não parece do tipo que frequenta lugares como este. Eu quase perco o controle. A respiração vacila, mas consigo manter a postura, mesmo com o peito apertado. — E o que te faz pensar isso? — É fácil perceber. Você parece fora de lugar, como uma flor nascendo no meio do asfalto. Sinto minhas bochechas esquentarem, e rapidamente desvio o olhar, forçando-me a parecer calma. — Às vezes, as aparências enganam. — Respondo, tentando sorrir. — Talvez. — Ele diz, retribuindo o sorriso, mas a tensão permanece. — Mas tenho uma boa intuição, e ela raramente falha. O peso das palavras dele paira entre nós, e eu sei que Rafael não está apenas conversando. Ele está me testando, medindo cada palavra que eu digo. Ele está jogando um jogo, e eu tenho que ser tão boa quanto ele. Dou mais um gole no refrigerante, mantendo os olhos fixos no balcão, mas sinto o peso do olhar dele, como uma pressão invisível sobre meus ombros. E então, de repente, ele se inclina para mais perto, e sua voz fica baixa, carregada de uma ameaça quase imperceptível. — Se eu fosse você, tomaria cuidado com o Dante. Ele não é alguém com quem você queira se envolver. Meu coração dá um salto, mas tento ignorá-lo. Finjo indiferença. — Boa dica. — Respondo com um sorriso, forçado, claro. — Mas, como eu disse, ele não faz o meu tipo. Rafael se recosta na cadeira, o sorriso dele agora mais sutil, quase desafiador. — Melhor assim. Porque, do contrário, não sobraria muito de você. A ameaça, velada e sutil, paira no ar entre nós, e eu sinto o peso dela apertando meu peito. Ele se vira para o barman e toma um longo gole de uísque, o som do copo ecoando com a mesma força da tensão em minha mente. O coração acelera, mas eu sei que tenho um objetivo maior. Esta missão não é apenas uma chance de provar meu valor; é a oportunidade de desmantelar a rede de tráfico que Dante, o chefão do Morro de Ouro, lidera. E, seja qual for o jogo de Dante e Rafael, eu vou jogar. Rafael então me olha novamente e sorri de canto. Os olhos de um azul penetrante escondem algo mais profundo. Ele me observa por inteiro, como se analisasse cada detalhe com calma perigosa. — Você é uma mulher sábia em não gostar de tipos como ele — comenta ele, a voz baixa, quase um sussurro. — Homens como meu irmão são como veneno. Minha mente corre. Até que ponto Rafael sabe dos negócios escusos de Dante? Será que ele está apenas constatando um fato ou me testando, desconfiado? Um arrepio percorre minha espinha, mas me forço a manter o controle. Sempre fui fascinada pelo perigo, então não é agora que vou recuar. Eu sorrio, uma expressão leve, quase tímida. — Ele não me pareceu uma má pessoa, mas como eu disse, não gosto de tipos como ele. O sorriso de Rafael se alarga, sedutor. Ele inclina levemente o corpo para mais perto, como se quisesse invadir meu espaço pessoal, e o perfume dele preenche o ar. — As mulheres geralmente não resistem a ele. — É, então conheceu uma. — Respondo, desviando meu olhar e pegando o copo com refrigerante. Bebo lentamente pelo canudo, ignorando-o. Esse é o meu risco. Ele pode se desinteressar e sair... ou minha indiferença pode despertar ainda mais sua atenção. A aposta é alta, mas eu jogo no efeito contrário. Homens como ele não estão acostumados a serem ignorados. — Você nunca veio aqui antes. — ele diz, seu olhar passeando pelos meus cabelos e então deslizando pelo meu rosto. — Você é bonita demais, eu teria notado. Eu lhe dou um sorriso receptivo, mas sem me entregar totalmente. — É a primeira vez. Suas pupilas faíscam com interesse enquanto ele foca na minha boca. Minha mão treme de leve. Meu vestido justo, a maquiagem bem-feita... talvez eu tenha acertado o ponto. Rafael agora parece um demônio sedutor, embora não tenha o magnetismo bruto e perigoso de Dante, o verdadeiro chefão. — Está sozinha? — ele pergunta, a voz carregada de curiosidade.
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