POV Karlyson
Imediatamente me levanto da cadeira, com a expressão surpresa estampada em meu rosto.
- Sofia... Eu não sabia que você viria.
Por relance, vejo Madson ficar um pouco desconfortável quando digo o nome de Sofia. Pois ela sabe que se trata da minha noiva.
- Eu quis te fazer uma surpresa - Ela responde entrando na sala e ignorando a tensão no ar.
Seus olhos pousam novamente em Madson, e seu sorriso permanece, mas há algo afiado nele.
- E quem é ela?
- Madson - Respondo rapidamente, sem hesitação. - Ela é uma das minhas funcionárias mais competentes.
- Ah, claro - Sofia diz, ainda com aquele sorriso educado, mas a maneira como avalia Madson deixa claro que ela esta tentando entender mais do que o óbvio. - Prazer, querida.
- Prazer - Responde forçando um sorriso enquanto sente a tensão aumentar a cada segundo.
Vendo nitidamente o desconforto no ar, tento mudar o foco.
- Sofia, vamos dar uma volta para conversarmos com mais calma. Madson já estava de saída.
- Claro - Sofia responde, ainda sem tirar os olhos de Madson.
Sentindo-se mais constrangida do que nunca, Madson pega suas coisas e se apressa a sair da sala, enquanto Sofia não desvia o olhar de sua direção ate a garota passar pela porta.
Depois que Madson sai da sala, fecho a porta, mas não antes de notar o olhar desconfiado de Sofia.
Suspiro, sabendo que a conversa que viria não seria fácil.
- Então, Karlyson - Sofia começa, cruzando os braços e olhando diretamente para mim. - Quem exatamente é essa Madson?
- Já disse. - Respondo, tentando manter o tom calmo. - Ela é uma das minhas melhores funcionárias. Inteligente, dedicada. Só estávamos discutindo sobre o trabalho.
- Ah, claro... - Ela responde, a voz carregada de sarcasmo. - Porque é normal ter esse tipo de... Conexão no trabalho, não é?
Franzo a testa.
- Conexão? O que você está insinuando?
- Eu estou insinuando que tem algo entre vocês dois. Eu vi como ela te olhava, e como você olhava pra ela. Não precisa fingir que não percebi.
Respiro fundo, tentando controlar a irritação que começa a subir.
- Sofia, você está imaginando coisas. Madson é apenas uma funcionária, e eu jamais ultrapassaria os limites. Você sabe disso.
- Será mesmo? - Ela rebate, aproximando-se de mim. - Porque, do jeito que ela agia, parecia que havia algo mais. E, sinceramente, Karlyson, eu não gosto dela.
- Isso não é justo, Sofia. - Respondo com a voz firme. - Madson não fez nada para merecer isso. Ela é profissional, dedicada, e não tem culpa de como você está interpretando as coisas.
- Você a está defendendo agora? - Sofia pergunta, o tom mais alto, com uma pitada de mágoa.
- Estou defendendo o que é justo - Digo olhando em seus olhos. - E, sinceramente, você está sendo injusta tanto com ela quanto comigo. Não há nada entre nós além de trabalho.
Sofia fica em silêncio por um momento, claramente tentando processar o que digo. Mas sei que a desconfiança ainda esta lá, pairando como uma nuvem pesada.
- Espero que você esteja dizendo a verdade, Karlyson - Ela diz, finalmente. - Porque, se eu descobrir que tem algo a mais, não vou aceitar.
Com isso, ela pega sua bolsa e sai da sala, me deixando sozinho.
Passo as mãos pelo rosto, exausto.
Sofia esta errada... Pelo menos em parte. Sei que sinto algo por Madson, mas também sei que não posso deixar isso atrapalhar minha vida – ou a dela.
POV Madson
A noite esta silenciosa no escritório. As luzes principais estão apagadas, e apenas a luminária da minha mesa ilumina o espaço ao redor.
Estou tão concentrada no trabalho que m*l percebo o tempo passar.
Enquanto reviso os últimos detalhes, ouço passos pelo corredor. Meu coração da um leve salto – a essa hora, o prédio deveria estar vazio.
A porta da sala se abre, e Karlyson aparece, com o paletó sobre o braço e a gravata já afrouxada.
- Você ainda está aqui? - Ele pergunta, a voz surpresa e um pouco preocupada.
Levanto o olhar, piscando algumas vezes.
- Ah, sim... Eu queria terminar isso antes de amanhã. Mas e você? Achei que já tivesse ido embora.
- Eu tinha - Ele responde entrando na sala e encostando-se à porta. - Mas percebi que esqueci meu celular na mesa. E, bom, imagine minha surpresa ao ver que você ainda está aqui, trabalhando sozinha.
Dou um sorriso cansado.
- Só queria adiantar as coisas. Não gosto de deixar nada pela metade.
Karlyson me observa por um momento, seus olhos analisando cada detalhe.
- Você precisa aprender a desligar, Madson - Ele diz caminhando até a mesa. - Trabalho é importante, mas não a ponto de você sacrificar suas noites por isso.
Solto uma risada baixa.
- Fácil falar quando você é o chefe.
Karlyson arquea uma sobrancelha, divertido.
- Ah, então agora é minha culpa?
- Talvez seja - Provoco, sorrindo de leve. - Se você não fosse tão exigente, eu não estaria aqui.
Ele ri, balançando a cabeça.
- Eu só sou exigente porque sei do que você é capaz.
Sinto minhas bochechas coram levemente, mas desvio o olhar para a tela do computador.
- Obrigada, eu acho.
Karlyson permanece no local, o clima na sala mudando sutilmente. O silêncio que se segue não é desconfortável, mas carregado de algo não dito.
- Você deveria ir pra casa - Ele diz suavemente.
- Eu vou. Só mais alguns minutos.
Ele hesita, depois coloca o paletó sobre a cadeira ao lado.
- Então, vou esperar. Não é seguro você sair sozinha a essa hora.
Olho para ele, surpresa, mas percebo que ele esta sério. Apesar de tudo, existe algo reconfortante em sua presença aqui.
- Obrigada, Karlyson - Digo, voltando ao trabalho, mas sentindo o coração bater um pouco mais rápido.
...
O dia seguinte começa como qualquer outro. Chego cedo à empresa e começo minhas tarefas, como sempre.
Durante a manhã, Karlyson esta mais reservado do que o normal, talvez ainda refletindo sobre os acontecimentos recentes.
Por volta do meio da manhã, um cliente importante chega para uma reunião.
Sou chamada para recebê-lo na recepção.
O homem, de terno impecável e sorriso confiante, imediatamente me cumprimenta com entusiasmo.
- Você deve ser a Madson - Ele diz estendendo a mão. - Me disseram que eu seria muito bem recebido aqui, mas não mencionaram que a recepção seria tão encantadora.
Dou um sorriso educado, acostumada a lidar com clientes carismáticos.
- É um prazer recebê-lo, senhor Henrique. Por favor, siga-me, vou acompanhá-lo até a sala de reuniões.
Enquanto caminhamos pelo corredor, Henrique aproveita para puxar conversa.
- Você trabalha aqui há muito tempo? Porque, se me permite dizer, com sua simpatia e profissionalismo, você deve ser indispensável para a empresa.
Rio levemente, tentando manter o tom profissional.
- Obrigada, eu faço o meu melhor.
Karlyson, esta saindo de sua sala para pegar um café, quando vê a cena.