Chego na empresa dia seguinte e assim que entro na recepção, vejo a vaca que fez Karlyson fazer aquela reunião.
Ela conversa com um cliente e parece que não está se saindo muito bem. Ignoro e vou direto para o elevador na intenção de ir para a sala.
- O que a Kelly tem? - Pergunto assim que vejo Natalie.
Ela da de ombros sem se importar.
- Problemas com o cliente.
- Isso eu já percebi.
Natalie respira fundo não demonstrando interesse pela conversa.
- Ela passou um prazo errado para o cliente. Ele está querendo o material agora, mas ele não foi feito.
Ah...
Minutos depois a garota entra na sala. Ainda parece inquieta. Acho que ela não conseguiu resolver a situação.
- E então? - Uma amiga dela pergunta.
- Eu disse para ele aguardar meu gerente chegar...
Rio internamente. Isso vai sobrar para o Karlyson.
Algumas horas e Karlyson entra na sala. Assim que ele coloca o pé no local, a garota se levanta e vai até ele. Parece que o próprio Deus chegou.
- Karlyson!
Ele não responde e tranquilamente puxa uma cadeira para sentar ao meu lado.
- Eu já sei o que aconteceu. - Ele diz após um tempo - Resolva.
Poha... Essa doeu.
A garota fica sem reação e juro que vi alguns resquícios de lágrimas em seus olhos. No entanto, ela apenas sai da sala novamente.
- Vou pegar um pouco de café - Informo a ele quando está quase no horário de almoço - Aceita?
- Eu não gosto de café.
Alguém acordou meio azedo hoje.
- Ok... - É tudo o que digo e então vou até a copa.
Quando passo pelos corredores me deparo com minha querida colega de trabalho Kelly. Não havia percebido que ela não voltou para a sala.
A garota parece desesperada enquanto fala ao telefone tentando entrar em um acordo com o cliente.
Ignoro tudo isso e vou para a cozinha.
Foco no meu trabalho assim que retorno a sala.
- Não faça assim... - Karlyson chama minha atenção - Melhor fazer desse jeito.
Ele se inclina para mexer no computador. Mas eu o impeço.
- Desculpe. Não confio em pessoas que não gostam de café.
Karlyson me encara ao ouvir minhas palavras e cerra os olhos. Sorrio.
Ele ignora minha brincadeira e volta a mexer no aparelho.
Horas depois, Kelly entra na sala finalmente.
- E então? - Karlyson pergunta assim que a vê.
- Resolvido.
- Ótimo.
Ele volta a mexer em seus papéis como se nada tivesse acontecido e a garota finalmente, pela primeira vez no dia, se senta em sua mesa.
- Tá vendo? É assim que ele faz! - Natalie diz ao me arrastar com ela para a copa usando a desculpa que iríamos lanchar.
- Se refere ao Karlyson?
- Quem mais?
Franzo o cenho.
- A pobi da Kelly passou o dia no telefone com o cliente tentando resolver as coisas. Você viu o jeito que ele falou. Ele fala assim com todo mundo. Menos com você.
A encaro.
- Está com ciúmes?
Ela ri.
- Óbvio que não. Só tô te falando por que você não queria aceitar. Agora viu como funciona.
Devo me preocupar?
...
- É sexta feira, Madson! Precisamos sair. - Natalie fala super animada - Conheço um barzinho que é perfeito!
- Tá bom... - Concordo sabendo que não tenho como fugir.
- Parecem animadas - Karlyson comenta ao entrar na sala.
Natalie ri do comentário.
- Hoje é sexta feira, Chefinho.
Reviro os olhos ao modo que ela chamou ele. Sei que está só querendo me provocar.
Ele ri.
- E as meninas vão sair?
Curioso...
- Talvez... - Natalie deixa no ar.
Assim que o expediente acaba, pegamos um táxi e fomos até o local.
Rapidamente encontramos uma mesa, mesmo o local estando um pouco lotado.
- Tudo bem? - Minha amiga pergunta ao ver meu jeito.
Por instinto, qualquer pessoa que entra, eu olho para a porta. Não vi que ela percebeu.
- Karlyson não vem? - Exponho meus pensamentos.
No entanto, ela ri como se eu tivesse contado a melhor das piadas.
- Jamais. Ele não tem o costume de sair com a gente.
Franzo o cenho.
- Por que não?
- A noiva dele jamais deixaria.
Noiva?
- Não sabia que ela era noivo...
Natalie não responde, pois o garçom chega bem na hora com a intenção de anotar nosso pedido.
A atenção dela se volta toda para o rapaz.
Conversamos e comemos um pouco enquanto aproveitamos a música ao vivo.
- Vem, vamos tirar uma foto - Natalie diz e logo pega o celular.
No mesmo instante ela posta a foto em suas redes sociais.
...
É domingo a tarde e estou em casa. Me sinto inquieta e entediada. No mesmo instante, ligo para Mason e o convido para sair. Ele aceita.
- Para onde vamos?
Dou de ombros.
- Eu não sei, só quero caminhar um pouco.
- Tá, vou pegar o carro.
O encaro.
- Eu disse caminhar, Mason. Caminhar.
Ele revira os olhos, mas não discute, logo saímos. Caminhamos um pouco e então o tempo de fecha, formando algumas nuvens.
- Acho que vai chover.
- Tem medo de chuva? - Pergunto brincando, mas ele não ri.
E parece que ele estava certo. Logo alguns pingos de água começam a cair.
- Por que me trouxe para caminhar na chuva?
Ignoro suas reclamações e continuo a andar como se nada tivesse acontecendo.
Assim que Mason ver um abrigo, ele corre para debaixo para fugir da chuva que insiste em cair.
Reviro os olhos.
- Qual é... - Reclamo - É tão bonito...
Ele me encara com um olhar de poucos amigos.
- Você me trouxe para caminhar na chuva... NA CHUVA!
- Não gosta?
- A água é molhada.
Rio de suas palavras.
- Não me diga.
Sei que ele está fazendo hora com a minha cara. A diversão dura pouco. Logo ele fica sério e percebo que a brincadeira acabou.
- Pra quem você tá ligando? - Pergunto quando o vejo pegar o celular.
- Meu irmão. Ele tá aqui perto.
Meu Deus...
Noto um pequeno lago próximo e caminho lentamente até ele enquanto meu namorado fala ao telefone. Pego algumas pedras e jogo no lago fazendo movimento nas águas.
Quando percebo que ele desliga, me aproximo novamente.
- Conseguiu? - Pergunto.
- Sim - Mason responde sem sair do seu abrigo para não se molhar.
Instantes depois vejo o carro do seu irmão. Ele para próximo onde estamos.
- O que aconteceu aqui? - Max pergunta a mim quando abaixa o vidro do carro.
Rio.
- Aparentemente seu irmão tem medo da chuva - Digo apontando para Mason que está distante.
Ele ri.
Quando ele escuta a buzina do carro, corre rapidamente para entrar no veículo, tentando se molhar o menos possível.
- Você não vem?
- Não - Respondo a Max.