PRÓLOGO

413 Words
Roma, 23h47. O som dos saltos de Amara Lewis ecoava pelo mármore frio do Palazzo De Santis. Cada passo era um lembrete do risco que corria, e do papel que agora representava. Isabella Romano, restauradora de arte. Jovem, talentosa, inofensiva. Uma mentira perfeita. Os olhos percorriam as paredes repletas de quadros renascentistas, mas era o silêncio do poder que a deixava inquieta. Aquela mansão não era apenas uma obra-prima , era um santuário de segredos, e ela estava ali para decifrá-los. Um murmúrio masculino quebrou o ar. — Está perdida, signorina? — a voz veio firme, baixa, carregada de um sotaque que soava como pecado. Amara se virou. O homem diante dela era Lorenzo De Santis, o dono de tudo aquilo e, sem saber, o homem que ela jurara destruir. O terno n***o caía sobre o corpo dele como uma segunda pele. As mangas dobradas revelavam pulsos fortes, uma tatuagem discreta surgindo sob o relógio caro. Mas foi o olhar que a prendeu: escuro, analítico, predador. — Estava admirando a coleção, senhor De Santis — respondeu, mantendo o tom profissional, ainda que o coração batesse rápido. — É uma das mais impressionantes que já vi. Ele deu um passo à frente, Depois outro, A cada movimento, o ar parecia rarear. — Impressionante? — ele repetiu, parando tão perto que ela sentiu o calor do corpo dele. — Ou perigosa? O olhar de Lorenzo desceu lentamente pelo rosto dela, pelo pescoço, até o decote discreto do vestido preto. Havia algo em sua postura , o domínio silencioso de quem está acostumado a ser obedecido. Amara respirou fundo. Não podia ceder. Não agora. — Às vezes, senhor De Santis — disse ela, com um meio sorriso , o perigo é apenas uma questão de perspectiva. Um brilho cruzou os olhos dele. — Gosto de pessoas que enxergam o mundo assim. — Ele se inclinou, o perfume amadeirado e a voz grave roçando sua pele. — Mas pessoas que jogam com o perigo… costumam acabar queimadas. O toque dos dedos dele em seu queixo foi leve, quase imperceptível, mas bastou para incendiar o ar entre eles. Ela não recuou. Nem piscou. Por um instante, Lorenzo acreditou em ver algo ali, um lampejo de desafio, talvez uma faísca de algo que ele ainda não conseguia nomear. E foi nesse breve segundo que o destino selou o jogo entre eles. Ela seria o veneno que correria em suas veias. E ele, o inferno que a arrastaria sem piedade.
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