CAPÍTULO 6 - SOB O FOGO DA LEI E DA PAIXÃO

1390 Words
A manhã seguinte chegou fria, mas com uma sensação de urgência no ar. Luca estava sentado à mesa de café, mas não parecia notar o copo na sua frente. Ele olhava para a cidade lá fora, os olhos escuros fixos em algo que ninguém mais conseguia ver. Seus pensamentos estavam longe, navegando entre o passado e o presente, entre as escolhas que fez e as que ainda precisava fazer. A casa segura ainda ressoava os ecos da noite anterior. A adrenalina ainda corria por suas veias. Mas o que havia começado com medo e desejo ainda o atormentava. Ele havia prometido a si mesmo que manteria Naomi afastada. Mas tudo o que ele queria agora era vê-la de novo, sentir o calor dela, as mãos pequenas em seu corpo, o toque que desafia qualquer lógica. A porta da sala se abriu, interrompendo seus pensamentos. Era Matteo. — Já te esqueceste que temos que agir? — perguntou Matteo, com um olhar sério. Ele era o tipo de homem que sempre sabia quando algo não estava certo. E Luca sabia que seu irmão havia percebido o que havia mudado no comportamento dele. Luca não respondeu imediatamente. Levantou-se da cadeira lentamente, o olhar ainda perdido. — A situação com os DeLuca está piorando — Matteo continuou, sem pressa. — E se você continuar a se distrair com ela, vamos todos pagar o preço. Luca olhou para Matteo, e por um momento, os dois ficaram em silêncio. — Eu sei o que estou fazendo — respondeu Luca, com um tom mais baixo. — Mas a Mara… ela não é só mais uma. — Não se iluda — Matteo disse, seus olhos endurecendo. — Ela é uma distração, Luca. Uma distração perigosa. Você sabe o que está em jogo. Nós dois sabemos. Luca se afastou da janela e foi até a escrivaninha, onde estava seu celular. Ele sentiu um impulso estranho de olhar para a tela, mas não fez. Não agora. Ele sabia que, se o fizesse, poderia acabar ligando para Naomi e isso só complicaria as coisas ainda mais. — Você não entende — disse Luca, finalmente. — Não estou falando só de paixão, Matteo. Não é só isso. Tem algo mais. Eu preciso saber onde isso vai me levar. Preciso descobrir se ela pode confiar em mim… se eu posso confiar nela. Matteo ficou em silêncio por um instante, avaliando a situação com o olhar calculista que sempre o acompanhava. — Confiança é uma fraqueza, Luca — disse Matteo, em tom firme. — E se você continuar a abrir espaços para ela, alguém vai entrar. E não será você quem vai sair ileso dessa. Luca não respondeu. Sabia que, de alguma forma, Matteo estava certo. Mas ele também sabia que não podia simplesmente virar as costas para o que sentia por Naomi. E a verdade era simples: ele estava disposto a correr o risco. Mesmo que isso significasse colocar todos ao seu redor em perigo. — Estamos indo para a cidade. Preciso que se prepare — Matteo interrompeu o silêncio, mudando de assunto. — E se você realmente está pensando em deixá-la entrar na nossa vida, precisa começar a agir agora. O jogo vai ficar mais sujo a partir de hoje. Luca assentiu, mas sua mente ainda estava distante. Ele pegou o celular e, por um instante, pensou em ligar para Naomi. Pensou em dizer a ela o quanto ela significava, o quanto a queria segura. Mas algo o impediu. A porta se fechou com um estalo, e Luca se viu sozinho novamente. --- No apartamento de Naomi, o ar estava pesado. Depois da noite de sustos e tiros, ela não conseguia se concentrar em nada. Sentia-se assombrada, a mente em uma espiral de perguntas sem respostas. O que aconteceu naquela noite? O que ela estava fazendo se metendo em um mundo tão perigoso? Ainda assim, uma parte dela queria entender mais. Queria saber mais sobre aquele homem que, de uma maneira que ela não conseguia explicar, havia mudado sua vida — e a forma como ela via o mundo. Ela se sentou no sofá e pegou o telefone. O som da notificação foi o suficiente para fazer seu coração disparar. Uma mensagem de Luca. “Podemos nos ver hoje? Preciso falar com você. Sobre tudo.” A mensagem foi simples, mas o peso de suas palavras fez Naomi hesitar. Ela sabia que o encontraria em algum momento. Não podia negar o que sentia, nem mesmo a gravidade da situação em que se envolvera. Mas a questão era: ela estava pronta para isso? Muitas perguntas passaram pela sua mente, mas uma delas se destacou acima das outras: Como ela poderia confiar em alguém como ele? Ela respirou fundo e começou a digitar, mas a dúvida a paralisou. No fundo, ela sabia a resposta, sabia o que faria. Mas ainda não estava pronta para dar o passo definitivo. Não ainda. “Sim. Onde?” --- Mais tarde, na casa segura, Luca preparava-se para sair. O carro estava pronto. Matteo estava ao seu lado, observando-o com atenção, como se esperasse algo. A verdade era que ele sabia o que Luca estava prestes a fazer. E isso o incomodava. Mas não podia impedi-lo. — Vai ser arriscado — Matteo falou, com a frieza de sempre. — Se você sair agora, ela vai se aproximar mais. E mais uma vez, quem vai se prejudicar é você. Luca não respondeu. Sabia o que estava em jogo. Mas a necessidade de ver Naomi, de estar perto dela, era mais forte do que qualquer ameaça. A viagem até a cidade foi silenciosa, e a mente de Luca estava dividida. Uma parte dele sabia que estava se expondo, que cada passo em direção a Naomi o aproximava mais de uma linha perigosa. A outra parte, porém, não conseguia resistir ao desejo de vê-la novamente. Precisava ver seus olhos, ouvir sua voz. Sentir o calor da sua presença. Quando finalmente pararam em frente ao prédio de Naomi, Luca respirou fundo, como se estivesse se preparando para um confronto. — Vai ficar tudo bem — Matteo disse, com um olhar preocupado. — Só não faça mais bobagem. Luca ignorou. Ele saiu do carro e caminhou até a entrada. O som do salto de Naomi no hall ecoava no corredor antes que a porta se abrisse. — Naomi — disse ele, a voz mais suave do que ela esperava. Ela estava de pé à porta, com um olhar que misturava surpresa e desconforto. Ela queria dizer algo, mas nada saiu. O olhar dele a estava atravessando de uma maneira que fazia seu coração disparar. — Eu precisava ver você — ele disse, em um tom grave. — Precisamos conversar. Naomi ficou em silêncio por um instante, mas, em seguida, deu um passo para o lado, convidando-o a entrar. Não sabia por que, mas seu corpo estava sendo atraído por ele, como se já soubesse o que ele significava para ela. Luca entrou. A tensão entre eles estava visível no ar, como uma linha tênue que os mantinha à distância. — Sobre ontem — Luca começou, sua voz baixa e controlada, mas seu olhar fixo. — Eu deveria ter feito mais para te proteger. Não apenas de… dos DeLuca, mas de mim também. Naomi olhou para ele, sem saber o que dizer. O que ele estava dizendo? Proteger ela de si mesmo? — Eu não te pedi para me proteger — ela respondeu, a voz mais firme do que sentia. — Eu… só preciso de respostas. Luca olhou para ela, seu olhar se suavizando por um instante. — Eu sei — ele disse. — Eu só… não consigo te deixar ir. Não posso. Não depois do que aconteceu. Não depois de ver você assim… de ver o que senti quando quase te perdi. Naomi deu um passo para trás. O medo estava lá, mas também algo mais. Algo que ela não queria admitir. — Então, o que você quer? — ela perguntou, sua voz tremendo levemente. — O que você espera de mim? Luca avançou, a mão estendida. — Eu só quero saber se posso contar com você. Se você pode confiar em mim, Naomi. Eu quero te mostrar quem eu realmente sou. E o que eu posso ser para você. O coração de Naomi disparou. E, pela primeira vez, ela não conseguiu dizer não.
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