Esteh Narrando
Chegamos no baile pra matar mesmo, o surtado do Canário já surtou, mas eu nem liguei pra ele. Já basta meu pai e meus tios no meu pé, agora ele… afff. Descemos pra curtir aqui embaixo.
Gabriel – E aí, gatinha, tá na pista, tá disponível? – Gabriel fala no meu ouvido, enfiando a mão nos meus cabelos e me segurando pela boca. Quando ele faz menção de me beijar, não sei de onde o Canário saiu, mas ele já caiu socando o Gabriel, que não reagiu. Até achei estranho, mas ele sabe quem é o Canário. Reagir seria um m*l, mas ele não conhece, já vi que é um bundão, não consegue nem lutar pelo que quer.
Quando meu pai coloca Gabriel pra correr, eu volto pro camarote, fingindo demência. Canário vem atrás de mim, ele podia me errar.
Canário –Deixa só quando for um dos de frente, se esses playba vão vir fazer festa na minha comunidade. Só não acabei com a raça dele aqui por respeito ao tio Hulk.– Ele fala nervoso, tirando a camisa.
Jesus, que visão é essa, homem gostoso da p***a. Que ele não escute isso! Vou até a mesa e sirvo uma bebida.
Monike – Se eu soubesse que ia dar essa confusão toda, não teria chamado Gabriel. Eu só chamei ele pra ver se largava um pouco o seu pé, ou se o baile na favela faria ele se afastar de você. Mas vi que não. Mulher, agora enfrenta ele lá na faculdade. Mas , você tem um defensor. O garotão alí ó, deve estar apaixonado, deve não, eu tenho certeza.– Ficamos as duas conversando perto da grade com Bárbara.
DI Menor – Sei não, velho, vocês dois ainda vão dar casamento, parceiro. Cão e gato. Ao invés de aproveitar a vida, estão aí brigando. – Ele fala, puxando Bárbara pros braços dele.
Esses dois não se largam mais. Se Canário não fosse tão o****o, quem sabe, né? Olho pra mesa onde ele estava e a p**a da Daiana já está em cima dele de novo. Reviro os olhos e saio de perto. Quando eu ia descer, ele segura meus braços ainda na escada.
– O que foi agora? Vai ficar arrumando desculpas pra ficar tocando em mim?– Falo com cara de deboche.
Canário – Vai pra onde? Posso saber?
– Vou descer.
CANÁRIO – Mas não vai mesmo, ou você sobe, ou pode ir embora. – Não acredito que ele disse isso.
– Então beleza, tô indo embora.– Falo ajeitando meu vestido e desço a escada.
DI Menor –Ei, pode parar com isso, Estefany, você não precisa ir. E Canário, abaixa a bola, p***a, que c*****o passa na cabeça de vocês? – Ele fala, me segurando pela mão e com a outra no peito do Canário.
– Esquenta não, irmãozinho, pra mim já deu, tá? Tô vazando. Deixa esses surtados aí com as neuras deles, porque eu nasci livre, não sou boneca de porcelana pra ficar de efeito e nem pássaro pra viver em gaiola. Tchau, fui. – Falo, e DI Menor solta meu braço. Monike vem atrás de mim.
Monike – Vou te deixar em casa e vou pro apartamento do meu gatinho. – Ela fala piscando pra mim. Essa aí só vive enrolada com os playba da zona sul.
– Mais tarde eu desço pra gente curtir uma praia e depois vim pro pagode. – Falo, entro em casa e vou direto pro meu quarto, tiro a roupa, tomo banho, visto uma camisola, passo um creme de morango na pele, desodorante.
Deito pegando o celular, já vejo que tem uma mensagem do Canário que dizia: "VOCÊ AINDA SERÁ MINHA. TE AMO." Deito e acabo dormindo.
O fim de semana passou voando. Curti uma praia, mas Monike sem o surtado do Canário por perto. Voltei pra casa cedo porque tenho prova na faculdade. Hoje fiquei por aqui mesmo, não estava com cabeça pra pagode.
DIA DE AULA
Acordo cedo, tomo logo aquele banho pra levantar defunto. Faço esfoliação no corpo, passo o creme nos olhos corporais, lavo meus cabelos, finalizo com uma máscara. Tiro todo excesso e termino meu banho. Coloco uma calcinha branca, blusinha branca colada, uma calça jeans e salto médio pra ficar com cara de advogada. Coloco uma argola grande, parece até uma roda de bicicleta, faço uma make leve, na boca passo só um gloss. Coloco meus anéis e relógio, celular e carteira na bolsa, finalizo o cabelo na escova giratória. Não gosto muito do efeito molhado. Passo meu Floratta Blue do Boticário, já escuto a buzina da Monike e desçoCecília – Menina, eu quero ver o dia em que você vai criar juízo e comer com uma pessoa decente. Não custa nada levantar mais cedo, se arrumar e fazer a sua refeição direito, sentada. – Minha mãe fala, voltando até a cozinha, pega uma maçã e me entrega.
– Tá bom, mãezinha, vou me organizar. – Falo e saio correndo, entrando no carro.
Monike – Fala, p*****a, correndo como sempre, né? – Monike fala, olhando pra minha mão.
– Por favor, amiga, agora não. Já basta o sermão da minha mãe. – Saindo do morro, seguimos para a faculdade.
Logo chegamos. Liguei para mim, e má sorte, quem estava na porta me esperando era Gabriel. Quando Arturo vem pra entrar na sala, olha pra mim e balança a cabeça, negando. Cara doido.
Gabriel – E aí, gostosa, vamos almoçar comigo hoje? – Acho que ele não se assustou no baile, porque não desistiu. Fala, colocando o cabelo atrás da orelha.
– Vamos ver, Gabriel, quem sabe outro dia. Hoje eu tô na correria, tem uns BO para resolver aí. – Falo, já tentando me esquivar dele. Entro dentro da sala e me sento no meu lugar.
Hoje foi uma aula chatinha, aula de Penal, mas ainda bem que passou rápido. Fui uma das últimas a sair da sala, colocando o meu fichário dentro da bolsa. Sinto Arturo se aproximar da minha mesa.
– Oi, professor. – Falo, tentando quebrar um pouco o clima. Não vou negar, ele é um homem e tanto. Ele abaixa na minha frente, põe as duas mãos na minha perna.
Arturo – Daria tudo pra beijar essa sua boca e explorar esse seu corpo. – Ele fala, e eu me arrepio toda. Fico um pouco assustada, porque ele já havia me dado em cima de mim com umas cantadinhas baratas, mas nada tão profundo. O jeito que ele falou me deixou fraquinha.
– Arturo, é… é… sabe... – Vou falar e ele coloca a mão na minha boca, em forma de silêncio, e vem me beijar, num beijo lento e gostoso.
Paro o beijo por falta de ar, pego minhas coisas e saio da sala correndo, encontrando Monike no corredor.
Monike – Mulher, o que aconteceu? Você está branca igual papel. – Pego na mão dela e quase a puxo para sair do campus.