Onde nós amamos estar é o nosso lar, lar que os nossos pés podem sair, mas o nosso coração permanece. E onde eu considero o meu verdadeiro lar é em um estúdio de dança. Eu estava ensaiando algumas coreografias sozinha, ao som de Work de Rihanna. Eu amava dançar, é a minha paixão desde a infância, de quando eu fazia balé, foi nessa época que eu descobri o meu talento. Dançar para mim é como buscar fôlego, alivia as minhas tensões e limpa a minha mente. Era incrivelmente libertador.
Eu me assistia através do espelho, enquanto dava tudo de mim para melhorar a transição dos meus passos. Quando, de repente, as meninas entraram na sala, e então fui obrigada a encerrar.
— Ash, temos uma nova garota esse ano! – Meg disse, entrando junto com a Jane e outra garota que não conhecia.
— É? – perguntei, parando de dançar e tomando fôlego.
Abaixei o volume do som, me aproximei delas e sorri gentilmente.
— Merlia, essa é a nossa capitã, Ashley Cooper! E, Ash, essa é a Merlia, ela gostaria de entrar para a equipe. – Meg nos apresentou.
— É um prazer – ela estendeu a sua mão e eu a peguei, apertando com força.
— O prazer é meu, Lia, posso te chamar assim? – perguntei e ela acenou que "sim" sorrindo, e eu aproveitei para observá-la de cima à baixo.
Ela usava óculos, seus cabelos estavam em um coque assanhado, e suas roupas estavam sujas de comida. Ali eu pressenti que ela nos daria trabalho.
— Então, aluna nova? Ou foi recomendada pela coordenação? – perguntei.
Algumas alunas as vezes eram enviadas para mim, pois precisavam de pontos à mais de atividades extracurriculares. Só que eu já estava cansada em dar tudo de mim para preparar uma nova integrante, e assim que elas conseguem os pontos que precisavam, elas abandonam a equipe, nos deixando na mão. Elas que procurem rodar as suas bolsinhas para conseguir os pontos precisam, ora! Gosto de comprometimento!
— Sou nova, me mudei de Jacksonville para Miami há uma semana. Não conheço nada por aqui, e disseram que vocês tem uma atividade animada de torcida. Bom, eu... – ela engoliu em seco, demonstrando para mim que estava nervosa, e eu sorri para ela, tentando lhe encorajar. Eu não era um monstro como muitos costumavam dizer por aí! —, sempre quis ser uma líder de torcida, mas as garotas da minha antiga escola eram malvadas...
— Não se preocupe, nós da MSHS sempre damos espaço para todos mostrarem os seus talentos. Você está tendo essa oportunidade agora, e é um prazer recebê-la! – eu sorri vendo a sua animação, e me virei para Jane, que estava cantando baixo, ouvindo a música que eu dançava. — Mas, você, mocinha, pode sentar ali no canto, você não vai dançar enquanto estiver bêbada!
— Mas eu já estou bem! – ela retrucou, jogando a sua mochila no chão, irritada.
— Aham, sei, e se você cair e se machucar eu serei a responsável por deixar você dançar, então senta aí e para de reclamar, ninguém mandou você ir beber, assuma as consequências de suas escolhas! – eu puxei Merlia e Meg para o meio da sala, e aumentei o som da música.
— A gente precisa ver o que você já sabe sobre dança, como você executa os seus movimentos, o seu ritmo, essas coisas... entendeu? – Meg explicou e Merlia entortou os lábios.
— Digamos que eu não saiba nada sobre dança, eu só sei mexer o meu corpo, e já sou péssima apenas fazendo isso! – ela sorriu sem jeito. Eu sabia que ela iria nos dar trabalho! — Me desculpem por decepcionar vocês, meninas – eu sorri, achando graça de sua fofura.
— Relaxa com isso, temos tempo o suficiente para te ensinar, aliás é a nossa obrigação. Até porque ninguém começa já sabendo de tudo! – ela sorriu, e Meg acenou concordando comigo.
Ficamos até às três da tarde ensinando algumas coisinhas para a novata, ela era bastante desastrada, e tivemos muito trabalho para destravar os seus quadris, mas é apenas o começo. Nós achamos uma boa ideia convidá-la para a festa, aproveitaremos para trabalhar um pouco a timidez dela. Mesmo ela relutando um pouco, ela terminou aceitando.
Como eu estava de castigo, pelo o motivo que nem me lembro mais, eu esperei meu pai ir dormir para me arrumar e sair de fininho na calada da noite. Eu escapei pela janela. E como de costume, Meg passou para me pegar em seu carro, e Jane e a novata já estavam no banco de trás quando entrei.
— Vocês estão lindas, meninas – Merlia comentou no caminho para a casa do Ton.
— E você está muito vestida, devia pegar uma tesoura e fazer arte nessa sua roupa de freira! – Jane comentou, com a fala emboloada, me fazendo gargalhar.
— Você já está bêbada de novo? – perguntei, retocando o meu gloss.
— Eu te ofereceria um gole, mas já acabou o meu estoque – todas nós rimos, mas eu fiquei um pouco preocupada com ela.
Contudo, ela está no direito de afogar as mágoas, ninguém merece ser chifruda pela enésima vez e pelo o mesmo cara.
Assim que chegamos na festa, notamos que todos já dançavam ao lado da piscina, o som estava tão alto que o grave das músicas chegavam à tremer o peito. Haviam luzes de todas as cores, e Ton, o dono da festa, estava na esquina de sua casa rindo com os seus amigos e recebendo a galera que chegava.
Assim que ele me viu, ele abriu um sorriso brilhante.
— Boa noite, princesa – ele abriu os braços me convidando para um abraço, e eu aceitei.
Ele me apertou em seu corpo, e eu sabia que essa era uma tática safada dos garotos para sentirem os p****s das garotas. Crianças imbecis de quinta série! Assim como todos os outros rapazes, ele me dava mole, mas eu não lhe dava moral. Não era ele quem eu queria beijar.