LUCY Tem coisa que só o silêncio grita. E hoje… o meu apartamento tá inteiro gritando. Cada canto dele, cada parede que testemunhou risos, choros e aquelas manhãs que começavam com um “bom dia” sem palavras só com riso alegre e de boca cheia de cereal vindo do Arthur. Mas agora… o que resta é o som abafado da minha mala sendo arrastada no chão. Meu armário aberto, roupas jogadas na cama como se tivessem sido arrancadas por alguém em pânico. E talvez tenham sido mesmo. Por mim. Porque eu tô em pânico. “Você não é nada, Lucy. Não é mãe do Arthur. Não é esposa. Não é namorada. Não é nem a babá oficial.” A frase ficou repetindo na minha cabeça como um CD riscado. E o pior é que ninguém me disse isso em voz alta. Eu mesma gritei pra mim mil vezes, por dentro. Depois daquela cena com a t

