LUCY Não sei nem como comecei a chorar. Só sei que, quando dei por mim, tava sentada no chão da cozinha, o azulejo gelado grudado na pele, a camiseta velha embolada na barriga e o cabelo num coque horroroso no topo da cabeça. Devastada. Detonada. Um lixo emocional. E o pior? Por homem. Por Jayme. Que vexame. Respirei fundo, funguei, limpei as lágrimas com a mão e dei uma risada seca, debochada de mim mesma. — Bonito, hein, Lucy? Parabéns. Essa é nova até pra você. Caindo em pranto por um cara que m*l te conhece, mas já conseguiu te virar do avesso em uma noite. O pior de tudo era lembrar. Não dava nem pra ficar brava do jeito que eu queria, porque as lembranças vinham coloridas, nítidas, fresquinhas na minha cabeça como filme passando em câmera lenta. O jeito que ele me olhou quan

