CATARINA Toda aquela confusão do sequestro tinha explodido nos jornais como se fosse final de novela das nove. A manchete era uma coisa patética do tipo: “Menino é resgatado após sequestro c***l em praça pública”. E lá estava a foto borrada de uma mulher caída no chão e uma criança sendo levada. A tal da Lucy tinha virado mártir agora. A santa baleada. A mãe guerreira. A namorada ferida. Quase vomitei o café da manhã. A cereja do bolo? A notícia que o Arthur tinha sido encontrado. São e salvo. Justo quando a polícia tocou a campainha da minha casa. Toquei o interfone com a voz mais doce que consegui fingir: — Pois não? Em que posso ajudar? — Polícia!! — A voz disse do outro lado firme. Liberei a subida já suando frio, com medo. Não tenho culpa, não executei o plano, não tenho o que

