STEPHAN JONES
— Você está animado para esta noite?
Dou de ombros.
— Um pouco. Estou animado por você estar lá comigo. Isso tornará tudo mais suportável.
— Como eu poderia tornar isso suportável?
— Não sei. Gosto de estar perto de você. Você é como uma lufada de ar fresco para mim. Jovem, bonita, livre. É uma mudança agradável em relação ao que estou acostumado.
— E a que você está acostumado?
Pondero por um momento.
— Não mulheres como você.
— Você mäl me conhece.
— Gostaria muito de conhecer você.
Ela gira o garfo lentamente na massa, dá uma mordida e eu a observo atentamente. Até o jeito como ela come me atrai, o jeito como seu maxilar se move enquanto mastiga, o formato bonito, os lábios carnudos e como ela não tira os olhos dos meus. Ela é uma mistura de timidez e audácia. É atraente.
Sigo o exemplo, dando uma mordida também e limpando os cantos da boca com um guardanapo.
— Então você quer ser meus amigo?
— Claro. Apenas amigos.
Ela meio que sorri como se soubesse que isso não é verdade, porque não é. Eu não preciso de amigos, nunca precisei muito deles. Mas outra amante? Essa é outra história.
— Você disse ao Brandon que iríamos almoçar hoje?
— Sim, claro. Mas mesmo que eu não tivesse... ele teria descoberto de qualquer jeito.
Franzo a testa e olho para a direita quando ela aponta para fora da janela. Há um homem com uma câmera do outro lado da rua, tirando fotos nossas, e eu arregalo os olhos, observando o homem atentamente, tentando ao máximo parecer ameaçador.
— Você realmente não gosta dos paparazzi.
Olho para ela novamente, suavizo minha expressão instantaneamente e sorrio.
— Não, não gosto. Acho que eles são sugadores de sangue. Uma verdadeira escória, na verdade.
— Diga-me como você realmente se sente.
— Prefiro não ser vulgar na sua frente. Pelo menos ainda não.
Ela morde o lábio inferior, reprimindo um sorriso, e continua a comer. Olho para trás e vejo que o homem já foi embora, e me sinto mais à vontade novamente, relaxado. Tenho certeza de que nossa foto estará nos tabloides amanhã de manhã e provavelmente online hoje à noite. Sei que eles vão tentar fazer muitas perguntas sobre o motivo de ela ser minha acompanhante, então já planejei o controle de danos. Normalmente eu não diria nada, mas vou dizer por respeito a ela.
— Você disse que eu sei muito sobre você. Mas isso não é verdade.
Olho para ela por um momento antes de sorrir.
— Não é?
— Não. Eu sei o que todo mundo diz... o que você permite que as pessoas saibam. O que não é muita coisa.
Inclino a cabeça para o lado e a balanço.
— Sou um homem muito reservado, lembra?
— Fechado, parece mais certo. E muito sério.
Agora eu não sorrio. Ela está tentando me ler, está conseguindo, e eu não gosto disso. É incômodo.
— Foi assim que fui criado. — digo baixinho. — Houve muita...
Estou em território perigoso. Não gosto de falar sobre mim. Prefiro não falar sobre a minha infância com ela. Mesmo dizendo isso, foi mais do que eu diria a qualquer outra pessoa. Ela sabe certas coisas sobre a minha infância, tenho certeza, que foram reveladas ao público. Como minha irmã, que era apenas um ano mais nova que eu, ter sido sequestrada e assassinada quando eu era apenas um menino. E depois minha mãe ter cometido suicídio quando eu era adolescente.
— O que você vai vestir hoje à noite?
Minha mudança repentina de assunto a confunde, mas finjo que não percebo. Preciso mudar de assunto agora para não pensar muito nessas coisas.
— Vou comprar um vestido Dolce daqui a algumas horas. Nada de especial. Parece muito com o que eu estava usando ontem à noite.
— Você estava linda ontem à noite. — eu digo, concordando.
— Obrigada. E o que você vai vestir?
— Eu? Só um smoking. Dolce, como você.
— Você sempre se veste bem. Em todas as fotos que vi, você está lindo.
— Eu me esforço ao máximo. Com os paparazzi sempre me seguindo, eu meio que tenho que fazer isso.
Nós dois rimos baixinho.
— Então, se não fizessem isso, você usaria calças de moletom, camisetas e tênis?
— Tenho algumas calças de moletom, mas raramente as uso. Gosto de ternos. Me fazem sentir como se fosse um profissional ou algo assim.
Ela ri de novo e eu gosto muito do som. É fofo, muito leve e alegre. Não sou conhecido por fazer as pessoas rirem, mas ela parece achar minhas pequenas tentativas de brincadeira engraçadas. Acho que consigo ser engraçado quando quero.
— Você acha que o filme será bom?
— Sim. Há alguns bons atores. Acho que eles farão justiça ao livro.
— Assisti a algumas entrevistas que você fez para o programa. Foi divertido para você?
Dou de ombros enquanto esvazio meu copo, mas ele é rapidamente enchido novamente pelo garçom.
— Não sou muito bom nesse tipo de coisa. Sempre acho que pareço um pouco...
— Rígido?
Abro outro sorriso.
— Sim. Suponho que você concorda?
— Um pouco. Você é meio tenso.
— Eu? tenso? Sem chance.
Eu sei que sou, e é isso que a faz rir de novo. Sempre fui tenso, rígido, como ela disse. É assim que eu sou. Nunca senti necessidade de mudar.
— Tentarei não ficar tenso por sua causa, se é isso que você quer.
Ela me olha e suspira baixinho.
— Para mim? Por quê?
O ar muda entre nós. É repentino, tão repentino quanto ontem à noite, como uma faísca, uma descarga elétrica. Não falo, apenas olho fixamente em seus olhos, e isso é uma resposta boa o suficiente para ela. Ela cora, suas bochechas estão ficando vermelhas lentamente, fazendo sua pele pálida ganhar vida.
É tão óbvio que existe algo entre nós. Uma atração. Estou mais do que pronto para agir. Eu poderia reservar um hotel para nós agora mesmo ou poderíamos pegar um táxi de volta para minha casa. É o que eu normalmente faria... mas ela ainda não chegou lá. Ela deixou isso claro ontem à noite.
O que vou ter que fazer para levá-la até lá? Nunca precisei me esforçar muito com as mulheres. Mostro meu interesse e elas parecem simplesmente cair na cama comigo. Sempre caem.
Até as casadas.