A Canção Silenciosa

1995 Words
Já faz 2 dias desde aquela manhã em que todos nós tomamos café da manhã na cozinha e as regras do dormitório foram alteradas. Agora, era domingo à noite e de manhã, eu finalmente ia começar o meu primeiro ano no último ano do ensino médio. Felizmente, tirei meus pontos na sexta-feira, depois de reclamar que estava sentindo meu pé estranho. Todos eles me forçaram a ir ao médico. Já no outro dia, com o pé curado, comecei a procurar empregos de meio período e durante o fim de semana, encontrei a lanchonete mais fofa do mundo, ela tinha várias decorações fofinhas e cadeiras rosas. Enviei meu currículo online e agora estava esperando eles me chamarem, não custava nada tentar, além disso, o salário era muito bom. Ainda era noite de domingo e eu estava sentada no sofá assistindo tv enquanto comia um iogurte. O mais triste era que mesmo eles me dando livre arbítrio para comer o que quiser, eu não sabia cozinhar. Então, nos últimos dias, tenho secretamente fingido que estava comendo, mas não estava. Para mim, era muito vergonhoso dizer a 4 homens adultos que eu só sabia cozinhar macarrão. E ainda quase... queimei uma vez. "Por que está comendo iogurte?" Kevin perguntou, dei de ombros e terminei. "Eu amo morangos." Eu sussurrei, meu estômago roncou alto bem na hora, como se quisesse me desmascarar. "Vá fazer alguma coisa para comer. Isso não é um jantar decente." Ele disse, eu apenas continuei sentada lá sem falar nada, ele me olhou de forma estranha e então, eu explodi. "Eu não sei cozinhar!" Eu disse e então comecei a chorar, alto. "Porque ela está chorando?" Richard gritou entrando na sala, ele olhou para mim alarmado. "Ela disse que não sabia cozinhar e começou a chorar." Kevin disse com as mãos para cima, como se estivesse dizendo “eu não tenho culpa”. "Menina, calma, me diga, o que há de errado?" Richard me perguntou gentilmente. Era tão raro ver Richard sendo gentil que eu comecei a me acalmar automaticamente. "Vocês todos me disseram que eu poderia comer o que quisesse, mas não sei cozinhar! Não posso comer nada!" desabafei, estava com muita raiva de mim mesma. "Seus pais não te ensinaram a cozinhar?" Austin perguntou, entrando na sala com uma expressão preocupada. "Eu queimei a cozinha enquanto tentava fazer o jantar uma vez." Eu disse com vergonha, Kevin riu alto. "Você deveria ter me contado, eu teria te ensinado ou feito alguma coisa para você, você precisa se alimentar bem." Richard falou me observando de cima a baixo, pois eu provavelmente estava parecendo um esqueleto ambulante. "Desculpe..." sussurrei baixinho, estava me sentindo muito pequena agora. "Está tudo bem, garotinha." Richard disse, acariciando minha cabeça e depois, indo para a cozinha onde se ouvia o barulho de panelas. "Você vai cozinhar Richard?" Kevin perguntou em um tom confuso, como se Richard nunca tivesse cozinhado antes. "A menina precisa comer." Richard respondeu com um pequeno sorriso moleque e voltando a cozinha. Me senti estúpida por não ter contado a eles antes. Depois que meus pais morreram – os adotivos, pois os biológicos cometeram suicídio na minha frente – eu percebi que eles me mimaram muito por que sabiam do que tinha acontecido com meus pais biológicos, eles me mimaram muito por causa do trauma que eu tinha passado e eu acreditava que toda aquela proteção era normal até chegar ao ensino médio e ver que não era. Eu não sabia o que era menstruação até a aula de ciências do primeiro ano do ensino médio. Lembro de chegar em casa chorando e foi quando minha mãe e meu pai explicaram o que tudo isso significava, mas não me disseram muita coisa, eles pensavam que eu ainda não estava pronta para aprender sobre sexo e meninos. Acho que de certa forma eles acreditavam que ninguém queria ficar com uma garota que era tão inocente, e nisso, eles podiam estar certos. Eu sou muito tímida e feminina, adoro roupas cor-de-rosa e infantis e ainda coleciono bichos de pelúcia aos 18 anos, acho que isso realmente não ajuda muito na hora de encontrar um namorado. A única coisa que eu gostaria de saber era por que eles se mataram, por que mostraram à filha que tanto amavam a crueldade do mundo. "Você está bem?" Kevin perguntou, eu olhei para ele e corei. Richard e Kevin estavam olhando para mim com expressões preocupadas e só então, me dei conta que talvez eles estivessem me achando uma lunática. "Sim, apenas pensando em meus pais, me perguntando por que eles fizeram o que fizeram." Eu disse com um encolher de ombros, eles pareciam não entender nada. "Por que eles morreram atropelados quando foram atrás de você?" Richard perguntou. Meu corpo inteiro congelou. "Espera, meu irmão não te contou?" Eu perguntei séria, não acreditando que eles não sabiam sobre o suicid1o dos meus pais biológicos. Esse assunto era importante, eu fiquei sujeita a pesadelos pós-traumáticos após a morte deles, então meu irmão foi alertado por meu terapeuta para avisar as pessoas com quem eu viveria. "Pelo amor de Deus, o que mais aquele cara patético esqueceu de nos dizer?" Richard rosnou, eu tinha certeza de que Richard odiava o meu irmão. "Que eu sou adotada. Meus pais biológicos cometeram suicídio na minha frente quando eu tinha 8 anos e fui adotada pelos pais do meu irmão aos 9. Meu irmão foi instruído pelo meu terapeuta a informa-los por causa dos pesadelos que tenho desde o dia em que eles morreram, mas pelo visto, ele não fez nada disso." Eu falei calmamente, lembrando-me de respirar pausadamente enquanto falava essas coisas, para não ter um ataque. "O QUE!!!??" Richard gritou, ele parecia zangado, não comigo, mas com o que eu tinha dito. "Eu não posso acreditar que ele não te contou..." Sussurrei envergonhada e triste, talvez eu precise de outra sessão de terapia para lidar com aquilo. "Eu vou MATAR aquele filho da p**a, eu juro!" esbravejou Richard colocando um prato com comida na minha frente, quase quebrando ele e o cheiro da comida logo invadiu meu nariz. "Parece delicioso." Eu sussurrei, pegando o garfo ao lado do prato. "Eu vou para o ginásio." Richard rosnou, saiu da cozinha e bateu a porta da sala. De repente, me senti muito triste. "Ei, não chore!" Kevin exclamou. "Ele me odeia?" perguntei, chorando enquanto comia, a comida era boa demais para desperdiçar. "Não! Ele não cozinharia para você se não gostasse de você, ele apenas não suporta ouvir que alguém negligencia os membros da própria família" Kevin explicou. "Então meu irmão não se importar comigo o deixou com raiva?" eu perguntei confusa, eu era muito burra. "Sim, ele também odeia o quanto você parece se importar com ele, mesmo depois de tudo que ele fez para te machucar." Kevin explicou, fazendo eu me sentir meio i****a. "Apesar de tudo, ele ainda é da família, mesmo que ele prefira me ver morta, sou uma pessoa muito dependente e ainda preciso dos seus cuidados, quem mais abriria mão da sua vida o suficiente para cuidar de mim? " Eu perguntei com um tom deprimido e frio, Kevin pareceu surpreso comigo. "Nós gostaríamos." Austin falou de repente, eu me virei em sua direção e fiquei vermelha quando percebi que ele estava sem camisa. "Mas não é sua responsabilidade, a única escolha que eu tenho é o meu irmão." Eu disse com o tom mais triste que se possa imaginar, Austin riu. "Quem disse que você pode escolher quem quer você? Quem disse que deixaríamos você se afastar? Quem disse que não gostamos do que já fizemos? Olhe em volta, você não vê que estamos mudando? Ou você não percebeu que esse lugar está diferente depois que você chegou? A gente se importa com você. Você já faz parte do PLAYER CLUB, Belle, querendo ou não." Austin falou suavemente, e aquilo que ele falou me atingiu como um ônibus. Aquele era o PLAYER CLUB e nenhum deles jamais teve uma mulher morando ali. "Ainda podemos t*****r por aí, mas não trazemos mais ninguém aqui por sua causa. Nós a respeitamos como uma amiga de quem gostamos. Mas, o mais estranho é o Richard, ele nem olhou mais para nenhuma outra garota desde que você chegou." Kevin falou e por algum motivo, doeu um pouco em mim saber que eles ainda transavam, mas meu coração se aqueceu em saber que Richard não tinha interesse em ninguém. Fiquei confusa. "Você é especial." Austin sorriu para mim e eu corei. "Richard pode estar um pouco mais zangado - ele vai à academia para se sentir melhor, já que não está fazendo sexo." Kevin falou baixinho, como se estivesse receoso em falar aquilo para mim. "Eu sei várias coisas sobre sexo, sei até demais - só sou muito tímida para fazer qualquer coisa, mas eu sei de tudo." Eu disse com um tom atrevido e meio forçado, mesmo isso não sendo verdade. Eu realmente tinha experimentado nada de sexo, mas eu odiava ser tratada de forma diferente só porque era inocente e virgem, então, preferia dizer que sabia de tudo. "Oh!" Austin disse espantado, Kevin sorriu. "Boquete" Kevin disse, os olhos de Austin se arregalaram e eu corei e fiz uma careta. "Eca!" Lembrei-me de quando decidi que pesquisar isso era uma boa ideia. "Gozar" Ele disse, meu rosto era uma mistura de vergonha e nojo. "Eu sou tímida, não estúpida." Eu soletrei, escondendo meu rosto dele. Minhas bochechas estavam queimando. "MASTURBAÇÃO." Kevin gritou no meu ouvido, eu dei um tapa nele. "EU AINDA NÃO FIZ ISSO!" Eu gritei de volta, escondendo meu rosto atrás das minhas mãos. "Bondage, Anal, oral, 69, suruba!" Kevin andava gritando, eu sabia do que ele estava falando graças à internet. "Para!" Eu choraminguei tapando meus ouvidos, cale a boca i****a. "Acho que esse cérebro não é tão inocente, afinal." Kevin disse, Austin apenas estava com uma expressão envergonhada - acho que ninguém gostaria de ter ouvido essas merdas. "i****a, EU JÁ TINHA DITO ISSO!" Eu gritei envergonhada, ele revirou os olhos. "E como você comprou todas essas roupas? Você é rica?" Ele perguntou curioso, claro que eu estava longe de ser rica agora. "Quando meus pais biológicos morreram, eles me deixaram um cartão de credito e meus pais adotivos me deixaram usar, já que tinha saldo ilimitado - alguém sempre coloca dinheiro de volta, mas eu não sei quem é, mas agora meu irmão pegou esse meu cartão e por isso, estou sem dinheiro" Eu disse a ele, senti saudade daquele cartão de credito sem limite. "Ele pegou sua conta bancária também?" Kevin parecia com pena de mim, não gostei desse olhar. "Sim." Eu disse tristemente, eu ainda gostava da ideia de ter um emprego, mas ainda sentia falta de ter meu cartão do banco para pelo menos não ter que me preocupar com roupas e alimentação. "Luke legalmente não tem direito a esse cartão, vou recuperar ele para você, não se preocupe." Ele deu um tapinha no meu ombro, com uma expressão vingativa e saiu de casa. Um frio na espinha tomou conta de mim e logo, previ o pior. "Não tente impedi-lo, ele está certo." Austin me impediu, quando levantei para seguir Kevin. "Por quê? Meu irmão vai me odiar ainda mais quando ele for confrontar ele!" Eu choraminguei, Austin balançou a cabeça. "Ele disse que você precisa começar a se cuidar, esse é um passo para mostrar a ele que você não precisa dele e que ele não pode te controlar." Austin disse com seu sorriso caloroso ensolarado, eu me pergunto por que ele me chama de raio de sol, se ele brilha mais que eu. "Espero que sim." Eu sussurrei, ele sorriu e apertou a minha mão. "Não se preocupe raio de sol, Kevin sempre conserta tudo." Austin disse, e uma parte de mim se perguntou como Kevin se tornou a pessoa mais confiável desse grupo. Eu esperava que ele não fizesse nenhuma besteira.
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