No dia seguinte:
São sete e meia da noite, está um frio de congelar lá fora, sorte que eu consegui pagar a conta de luz com o dinheiro que Jk me deu e posso usar o aquecedor, se não já estaria morto de frio agora. Acabei de deitar na minha cama quentinha, me enfiei dentro das cobertas fofas e liguei meu celular a fim de assistir um filme antes de dormir. De repente o celular começa a vibrar, olho para a tela iluminada de baixo dos cobertores e vejo que é Jk me ligando. Suspirei, meu coração acelerou no peito. Atendi o celular.
Jm- Alô? - Digo com a voz trêmula.
Jk- Oi gatinho. Quero que você venha dormir aqui comigo hoje.- Disse com a sua vos grossa.
Jm- Hoje? Tipo agora?
Jk- Isso mesmo. Eu vou mandar meu motorista ir ai te pegar as oito.
Jm- Espera. Eu não sei se posso ir ai no momento.
Jk- E por que não pode?
Jm- É que eu ja estou na cama de pijama para dormir. Não pode ser outro dia?
Jk- Não. Eu preciso de você agora Jimy. Venha de pijama mesmo, nós só vamos dormir.
Jm- Tudo bem...
Jk- As oito esteja pronto.
Jm- Ok. Até depois.
Jk- Até.
Desliguei o celular e o joguei com força na poltrona do outro lado da cama. Suspirei e coloquei minhas mãos sobre meu rosto. Minhas orelhas se abaixaram lentamente e agarrei meu urso forte. Meu coração disparou e logo caiu uma lágrima do meu rosto. Lembro do dia em que minha mãe fugiu com tudo e me deixou sozinho nessa casa velha, sem pena nenhuma. Como ela pode fazer isso com o seu filho caçula? Se ela não tivesse feito aquilo eu não estaria nessa situação agora. Eu não tenho medo do Jk nem nada disso, ele parece ser um cara legal e respeitoso, mas essa proposta é absurda! eu queria um prego de verdade e não um namoro por contrato. Tudo bem que eu ganhe muito, mas mesmo assim. O que eu irei falar para minha irmã? Ela vai rir da minha cara quando ficar sabendo disso. Mas eu precisei aceitar isso, não tem outro jeito.
Suspirei e levantei da cama todo desleixado. Joguei meu urso na cama e me pôs de frente ao grande espelho em minha frente. Passei a mão levemente nos cabelos o ajeitando e fiz uma careta. Meu rosto esta péssimo, preciso de uma skin care. Depois de cuidar do rosto passei um perfume doce no pescoço, posso estar desleixado e de pijama, mas preciso estar cheiroso. Já havia tomado banho e escovado os dentes, então apenas sentei e fiquei esperando chegar as oito.
Havia um pelo branco das minhas orelhas peludas na minha calça de veludo, o que era bem comum pois eu sou híbrido de gato. Com os dedos das mãos retirei o pelo em minha coxa e joguei o pelo no chão. Após alguns minutos esperando na poltrona quase dormindo, escuto um som de buzina vindo da rua. Rapidamente peguei meu celular, calcei o chinelo e corri para a porta de casa. Fiz um sinal para o motorista dentro do carro. Tranquei a porta e fui em direção do automóvel de luxo. Senti o vento gelado encostarem em minhas bochechas. Rapidamente entrei no carro. Avistei um homem de cabelos grisalhos e de terno preto no votante.
Ele me olhou sério e disse.
- Boa noite.
Jm- Boa noite. - Disse fechando aporta do carro com cuidado. Dei um sorriso gentil.
Coloquei o cinto e o homem acelerou o automóvel. Observei o interior do carro com toda a atenção. Passei as mãos sobre o estofado de couro brilhoso e dei um sorriso discreto. Sempre gostei de carros de luxos, são tão bonitos e nunca pensei que um dia andaria em um. O carro tem um cheiro tão agradável de aromatizante e menta.
O motorista de repente estende a mão para mim, com uma bala em sua palma da mão diz com a voz gentil.
- Quer um halls de menta?
Jm- Quero sim. Obrigado.
- De nada.
Joguei a bala na boca e suspirei a observar a bela cidade pela janela. Estava deserto na rua, de dia é bem comum ver empresários bebendo café em cafeteiras caras, e moças elegantes saindo de lojas de marca e carregando sacolas de compras. Gosto de observar o movimento, mas agora esta tudo tão calmo por ser de noite, há apenas folhas de papéis e copos descartáveis voando com o vento nas ruas.
Após alguns minutos de viajem o carro para e o motorista anuncia a chegada. Vesti o meu moletom quentinho e sai do carro. Com a cabeça baixa botei os pés no gramado artificial e levantei a cabeça lentamente olhando para frente. Me deparei com uma enorme mansão linda e na frente na porta lá estava Jk. Parado me olhando com seu sorriso de coelho e acenando para mim. O vento balançava seu cabelo escuro para um lado e para o outro, deixando-o mais atraente e bonito.
Caminhei lentamente, encolhido e com vergonha até ele que me observava com toda atenção. Me aproximei dele e senti minhas bochechas esquentarem de vergonha. Olhei para Jk e dei um sorriso bobo.
Jm- Oi Jeikei. - Gaguejo e desvio o olhar.
Jk- Olá gatinho. Suas bochechas estão vermelhas com o frio. Vamos entrar. - Ele agarra uma das minhas mãos e me leva para dentro da sua residência. Suas mãos grandes e fortes quase cobrem as minhas, que são pequeninas. Após entrarmos, me surpreendo com o tacanho do interior da mansão, é tão grande, me sinto uma formiga aqui dentro. Jk se aproxima do sofá e ajeita os travesseiros.
Jk- Sente-se.
Fui caminhando em passes curtos ainda observando a bela casa e sentei no sofá confortável. Jk retirou seu sobretudo e sentou-se bem ao meu lado. Observei discretamente suas coxas expostas bem definidas, fortes e grossas. Mordisquei os meus lábios.
Jk- O que está olhando pequeno? - Ergue as sobrancelhas.
Jm- Nada...- Desvio o olhar. Meu coração palpitou forte. Levei as mãos a minha cabeça e passei os dedos nos fios de cabelo.
Jk- Seu cabelo é lindo.
Jm- Obrigado.- Mordo os lábios envergonhado. Sem perceber ele me agarra pela cintura e me puxa para perto de si. Encosta o rosto em meu cabelo depois da um cheiro bem forte no meu pescoço. Dou um pulo para o lado e o encaro seriamente.
Jm- Pare com isso! Vamos com calma.
Jk- Desculpe. Esqueci que você é tímido. -Sorri.
Jm- Que bom que entende. - Ajeito os cabelos que Jk bagunçou.
Jk- Sabe pequeno Jimy, creio que vamos ter um relacionamento saudável e divertido.
Jm- Mas esse relacionamento não vai ser sério.
Jm- Por enquanto. - Sussurrou em meu ouvido.
jm- Eii!- O encaro com cara de bravo.
Jk- Então...eu não sei se é certo perguntar mas estou curioso.
jm- Hmm... pode perguntar o que quiser.- Cruzo as pernas.
jk- Por que sua mãe fugiu? Ela fez isso de repente?
jm- Bom...Há algumas semanas a gente recebeu um dinheiro do meu pai, era uma pequena herança do seu negócio. Ele morava em outra cidade e tinha uma loja. Ele tinha contato apenas comigo e com minha irmã, pois com a minha mãe não, eles haviam se separado há anos porque a minha mãe o traia.
jk- E então ela fugiu com todo o dinheiro depois? Que safada...desculpa
jm- Não precisa se desculpar, ela é mesmo. Bom, um dia eu cheguei da escola e avistei um papel em cima da mesa. Quando peguei o papel e comecei a ler os meus olhos se encheram de lágrimas. Na carta havia escrito "Desculpa filho, mas precisei ir embora para resolver algumas coisas, espero que fiquei bem. Te amo, Adeus. Ass: mãe"
jk- Nossa...Ela disse só isso? da pra ver o quanto ela se importava com você...
jm- Poisé. Então alguns dias depois de superar isso eu comecei a buscar emprego.
jk- Você tem noção de onde ela pode estar?
jm- Não faço a menor ideia...Espero que esteja bem longe. Nunca mais quero ver o rosto dela.
jk- Jimy, você não tá mais triste com isso? Porque tipo, ela é sua mãe...Se fosse comigo estaria arrasado.
jm- Ah, então...como posso explicar. A gente nunca teve muito contato de mãe e filho sabe? Minha mãe nunca quis me ter, meu pai que pediu pra eu nascer, ele queria muito ter um filho. Minha mãe sempre foi de aprontar, ela nunca amadureceu. Sempre foi de sair em festas, beber, gastar muita grana e trair. Meu pai se apaixonou absurdamente por ela então aceitava ela de qualquer jeito, mesmo sabendo das traições ele continuou forte com ela. Ele pediu um filho pra ver se ela mudava, mas não adiantou. Ela nunca me tratou com amor, não ligava pra mim. Ela continuou com as traições e a roubar dinheiro da carteira do meu pai para gastar em roupas caras. Até que um dia ele não aguentou mais e acabou com tudo.
jk- E você, não preferiu ir morar com seu pai por quê?
jm- Minha mãe não gostava do meu pai, ela fez de tudo para ferrar com ele. Roubou todo o dinheiro dele e depois pegou a minha guarda, ela nem me queria, mas quis que ele ficasse sem ninguém. Ela certamente sabia que eu iria querer ir embora com ele então já providenciou tudo.
jk-. E seu pai como ficou depois disso?
jm- Bom ele seguiu a vida dele, ergueu a cabeça e começou a trabalhar duro em outra cidade. Após alguns anos montou sua lojinha de óculos e começou a viver bem. Mas infelizmente ele descobriu uma doença terminal e acabou falecendo recentemente. Assim, sua loja e o dinheiro ficaram pra gente. E o resto você já sabe.
jk- Eu sinto muito. Você tinha um bom relacionamento com seu pai?
jm- Claro, a gente se dava bem. Ele me amava. A gente sempre saia juntos aos fins de semana com a minha irmã.
jk- E sua irmã, como é o relacionamento de vocês?
jm- Somos melhores amigos. A gente se fala por telefone e nos vemos apenas algumas vezes. Ela mora um pouco longe.
jk- Ela trabalha de quê?
jm- Ela é veterinária. Vive muito bem em uma praia com o marido. Ela vai fazer 28 anos mês que vem.
jk- Que ótimo.
jm- E você? tem família por perto?
jk- Então, meus pais morreram a anos. Eu fui adotado pelos meus tios e bem tratado por eles. Eles são milionários, tudo que eu tenho hoje são graças a eles.
jm- Que sorte.
jk- Eu tenho uma irmã mas ela mora em outro pais. A gente não se fala a muito tempo, o nome dela é Gennye.
jm- Não sente vontade de vê-la?
jk- Não. Não sou sozinho, tenho alguns amigos de infância, eles estão comigo até hoje. Não preciso dela.
jm- Um dia você me apresenta seus amigos.
jk- Lógico. Bom jimy, vamos deitar, percebi que você está morrendo de sono. Seus belos olhos estão lacrimejando.
jm- Claro.- sorri.
Chegando no quarto...
contínua...