Você vai entender

1027 Words
--- Dara narrando Depois que o PC me colocou aqui no quarto, eu simplesmente desabei. Choro. Choro sem parar, como se todas as pequenas felicidades dos últimos dias tivessem virado facas cravadas no meu peito. É como se nada tivesse sido real. O tempo passa, e com ele cresce esse vazio sufocante dentro de mim. A porta se abre de repente. O rosto não é conhecido. Um rapaz entra, deixa uma bandeja na cômoda e me olha com pena antes de dizer: ??: Aí, teu rango... tá massa, veio lá da dona Maria. Come, mina, se acalma... dá pra ouvir teu choro lá da entrada. – Ele fala e já se vira pra sair. — Ei, como é seu nome? — pergunto com a voz embargada, agarrando-me à esperança de uma conexão, de uma ajuda, qualquer coisa. Victor: É Victor. — Tu não tem vulgo? Victor: Ainda não. Comecei agora nessa vida... — Me ajuda... por favor, me deixa ir embora! Victor: Eu não posso, mina. Queria poder ajudar, de verdade. Mas se o— Ele é interrompido bruscamente. PC aparece na porta como um furacão. PC: Não é pra ficar de papo com a Dara. Vaza! Corro até ele, desesperada. — PC, por favor... me deixa ir embora! Eu tenho minha vida, meu cachorro ficou com a vizinha, eu disse pra ela que voltava hoje... Amanhã eu trabalho! Eu tenho uma vida me esperando, por favor! — suplico com o coração na garganta. PC me olha com pena, quase vacilando. PC: Dara... tenta se acalmar. Tu viu esses dias como é o Dante. Ele é cabeça dura, mas... talvez amanhã ele acorde e perceba a m***a que fez. Aí te libera. Sei que parece loucura, mas não te desespera! — Ele já fez isso antes? Já prendeu alguma mulher aqui? — pergunto com esperança nos olhos, como se isso pudesse significar que ele me soltaria também. PC: Não... ele não é de se apaixonar. — Então não tem como saber se ele vai me soltar... ou me m***r! — digo em lágrimas, sentindo o chão sumir debaixo dos meus pés. PC: Eu vou tentar conversar com ele... juro. Mas fica calma, tá? A gente tá aqui. Nesse momento, Dante surge na porta. Enorme. Imponente. O olhar sombrio e frio. Meu coração gela. Dante: Vaza, PC! PC sai sem dizer mais nada, e Dante se aproxima de mim. Senta na cama. Tenta tocar minha mão, mas eu recuo bruscamente. — Por favor... me deixa ir embora, Dante... Dante: Sinto muito. Aqui vai ser sua casa agora, Dara. — Por que você tá fazendo isso comigo? Você me odeia? O que eu te fiz? Dante: Eu te amo. E você vai ser feliz aqui... só precisa entender isso. — Eu te odeio! Nunca vou te amar! Dante: Você me ama sim, Dara. — Eu amava a pessoa que você tava sendo... mas esse monstro aqui? Esse eu não amo! VOCÊ É UM MONSTRO! Dante: Não fala assim, meu bem... — Você não é capaz de conquistar alguém de verdade... precisa prender! Eu espero que a polícia te prenda! Espero que você morra! — grito, mas assim que as palavras saem, percebo o peso delas. Não... eu não quero que ele morra. Só quero minha liberdade. Dante não diz nada. Apenas se levanta, abre a porta e sai. Silencioso. Frio. Me jogo na cama e choro. Mais. Mais do que antes. É um desespero sem nome. — Por quê, Deus? Por quê? — murmuro. — Eu achei que nosso amor era real. Que era puro. Como posso estar aqui agora, presa como uma boneca trancada num armário? Isso não é amor... Olho em volta, tentando encontrar alguma saída. Qualquer saída. — Amar é prender? Amar é controlar? Eu não entendo mais nada... Tudo dentro de mim está confuso, ferido, abalado. Minha fé, meu coração, minha sanidade. — Deus... me ouve... me tira dessa escuridão... — imploro antes de adormecer, esgotada. --- Lion narrando Vejo ela dormindo. Seus olhos inchados de tanto chorar. Meu peito dói. Eu fiz isso com ela. Mas... foi por amor. Só por amor. Ela não entende ainda, mas vai entender. Um dia. PC: E aí? Como ela tá? — pergunta ao me ver descendo as escadas. — Ela disse que quer que eu seja preso... que eu morra... PC: p***a, irmão. Olha o que tu fez. Tirou a liberdade da menina... Ela falou do cachorro, da vida dela... é f**a! — E as malucas das amigas dela? PC: Meteram o pé, mas disseram que vão voltar. — Que amizade, hein! PC: As mina têm vida, pô. Eu disse pra Luiza que não adiantava ficar aqui. Também falei que uma hora ou outra tu ia se dar conta e ia deixar a Dara ir. — Eu não vou! PC: Pensa melhor, mano... — Não tem o que pensar, c*****o! Eu amo a Dara. E ela me ama! Ela quer hospital? Eu construo um! Quer o cachorro? Vai lá, pega o jatinho, traz o cachorro da vizinha! PC: Sério isso? — Tô falando! Fala com a Luiza. Pede o cachorro. Quero ele aqui pra ontem! PC: Irmão... tu não tá bem não... — Faz o que eu mandei, PC. Vaza! Ele sai sem mais uma palavra. Suspiro. Mais uma dose da bebida. Subo de novo. Preciso vê-la. Só ver. Entro no quarto devagar. Ela ainda dorme, virada pro canto da cama, toda encolhida. Me aproximo, sento na beirada, olho cada detalhe do seu rosto. Até chorando, ela é linda. Toco seu cabelo com cuidado. — Prometo, meu amor... vou fazer você ser feliz aqui. Você é tudo pra mim. Tudo. — falo baixo, como se fosse um segredo só nosso. Cubro ela com o cobertor. Dou um beijo na testa. Meu coração arde. — Amanhã... quando acordar... vai ver que tudo isso é por nós. Pelo nosso amor. Você vai entender. Vai me perdoar. Vai me amar de novo... — sussurro, levantando devagar. Saio do quarto e vou pro de hóspedes. Não quero assustá-la ainda mais dormindo ali com ela. Deito, mas o sono não vem. Só o peso da saudade... e o medo de perdê-la. ---
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