14 — Tainá Narrando Eu nem sei quanto tempo fiquei sentada no chão da sala depois de desligar o telefone. O mundo parecia ter perdido completamente o sentido e eu sentia como se estivesse assistindo a minha própria vida de fora, como se aquilo estivesse acontecendo com outra pessoa. O silêncio da casa era insuportável. Cada estalo da madeira, cada barulho distante da rua me fazia estremecer inteira. Minha cabeça não parava de repetir a imagem deles naquela cama, os rostos machucados, os corpos tortos, o cheiro pesado que parecia ter grudado em mim. Quando finalmente ouvi as sirenes, meu coração disparou de um jeito que chegou a doer. O som foi crescendo aos poucos até invadir completamente o portão da casa. Luzes vermelhas e azuis começaram a piscar pelas janelas escuras e eu senti uma m

