27 -- Taina Narrando O carro já estava ligado há alguns minutos, mas eu continuava parada, com as mãos presas ao volante como se soltar significasse desabar de vez, porque a verdade era que eu ainda não tinha conseguido sair daquele momento, não tinha conseguido sair daquela casa, não tinha conseguido sair do que tinha acontecido ali dentro, e quanto mais eu tentava organizar os pensamentos, mais tudo se embaralhava dentro da minha cabeça, como se cada palavra que ele tinha dito ainda estivesse ecoando de forma insistente, repetindo, distorcendo, invadindo tudo que eu sempre tive certeza sobre mim mesma, me deixando sem chão, sem referência, sem saber mais o que era reação minha e o que tinha sido provocado. Minha respiração vinha irregular, curta demais, falhando no meio do caminho com

