Capítulo 44 AYLA NARRANDO O carro tava parado naquela rua escura, só o barulho da nossa respiração preenchia o silêncio. Meus batimentos estavam tão acelerados que parecia que meu coração ia sair pela boca. Eu olhava para o Heitor, e Heitor olhava pra mim, os olhos dele queimando de desejo, de raiva, de sei lá o quê. Eu sabia que tava brincando com fogo, sabia que ele tava segurando os instintos desde aquela festa, mas eu queria ver até onde ele ia. Minha boca abriu pra soltar mais uma provocação, mas antes que eu conseguisse falar, ele avançou. Heitor — Fala de novo… — a voz dele saiu rouca, arrastada, os olhos escuros como a noite lá fora. — Me chama de frouxo de novo, porrä. Abri um sorrisinho debochado. Ayla — Tá surdo, Heitor? Quer que eu soletre? O erro foi meu. Antes que eu

