Querido diário, ainda na sala de aula...
Depois que o professor se apresentou, tentei prestar atenção na aula dele, mas o emo tatuado não saía da minha cabeça. Para piorar, era a minha matéria preferida, História. Matt me olhava e dava risada, já os outros prestavam atenção na aula, até Whindersson que eu achava que ele não gostava de estudar, pois então, tocou o sinal e fomos todos para o pátio.
Chegando lá, nos sentamos nas mesas lá da cantina e de longe vejo Mike chegando com seus amigos. Ei, pera aí, o emo tatuado é amigo do meu irmão? Não pode ser. Faço uma cara de espanto que Zacky percebe logo.
- Aconteceu alguma coisa Dheia?
- Nada não Zacky... - falo e dou uma risada disfarçada ao mesmo tempo.
- Tá olhando para o meu irmão, num é?
- O emo tatuado é seu irmão?
Zacky solta uma gargalhada e depois diz:
- Emo tatuado, essa é boa. Sim, ele é meu irmão, o nome dele é James, mas pode chamá-lo de Jimmy.
- Jimmy... Interessante...
- Ficou afim dele?
- Menino, eu m*l conheço ele, então não posso dizer isso.
Zacky ri de novo, eu não conhecia o Jimmy, mas conhecia o Zacky desde quando estudava no ensino fundamental. Jimmy e Zacky estudavam em turnos diferentes e eu nunca fui à casa de Zacky porque meus pais nunca me deixaram sair de casa. Só agora que entramos no Ensino Médio que eles passaram a estudar no mesmo turno, mas sinceramente, Jimmy me chamou bastante a atenção desde quando o vi pela janela. Mike e os seus amigos chegam perto de nós e ele me cumprimenta:
- E aí maninha, como foram seus primeiros horários?
- Oi Mike, os meus primeiros horários foram ótimos, ah deixa eu te apresentar o meu novo amigo, o Whindersson. Ele é novo na cidade.
- Oi Whindersson, prazer em te conhecer.
- O prazer é todo meu Mike. Ei Dheia, eu ainda não conheço os seus amigos direito, por favor me apresenta.
- Seu pedido é uma ordem Whindersson: Esse é o Matthew, mas pode chamá-lo de Matt que é da nossa sala, Brian, mas pode chamá-lo de Synyster ou Syn, também da nossa sala, esse é o Zachary, mas pode chamá-lo de Zacky, Arin, Brooks, Sthephany, Kleuda e Isadora, mas pode chamá-la de Isa. Todos são da nossa sala, mas vou esperar chegar os outros para te apresentar.
- Tudo bem sushi.
O quê? Já ganhei um apelido do mister Piauí? Meu Deus do céu, ganhei meu dia hoje. Mike também foi apresentar os seus amigos para o Whindersson, ele apresentou o Jimmy, o Johnny, o Paul e o Flake. Eles adoraram conhecer o mister Piauí, então resolvemos lanchar, cada um deu sua contribuição e Matt foi comprar os lanches. Lanchamos e ficamos conversando até três pessoas desagradáveis chegarem e acabar com nossa festa.
- Olha quem eu encontro aqui, os rejeitadinhos e os seus amiguinhos. - era Anna e suas amigas patricinhas.
- Anna, será que nem na escola você não nos deixa em paz? - diz Mike.
- Não posso fazer nada se sou irmã de dois zeros à esquerda.
Mike começa a bufar de tanta raiva e eu fico quieta no meu canto cabisbaixa e triste. Ela vê e continua as provocações:
- É sempre assim, a fresca sempre chorando, seja mulher p***a, para de chorar e aceita que é uma ninguém, o papai e a mamãe sempre me preferiram, nem ao Mike eles amam.
- CHEGA ANNA, CHEGA! SUAS HUMILHAÇÕES CONTRA A DHEIA JÁ PASSARAM DOS LIMITES! ELA NÃO FEZ NADA DE r**m PARA VOCÊ E VOCÊ SEMPRE A HUMILHANDO. VÊ SE VOCÊ SE ENXERGA E PARA DE SER TÃO FÚTIL, NÃO VAI GANHAR p***a NENHUMA SENDO ASSIM. - Mike se exalta com Anna.
Elas e suas amigas gargalham e Anna rebate os gritos de Mike:
- Se enxerga você seu Zé Ninguém, você não é nada, sabe, nada!
Ela sai dali rindo com as amigas e eu não me controlo e começo a chorar. Matt, Whindersson, Mike e Jimmy foram até mim e me amparam, Mike toma a palavra:
- Dheia, não liga para as provocações da Anna, é isso que ela quer, te ver sempre para baixo.
- Eu sei disso Mike, desde quando eu nasci que ela me humilha, já estou acostumada com isso.
- Olha, eu não te conheço, mas o Zacky sempre falou de você. Então, não deixa que as pessoas falem assim de você ou pra você. Essa garota quer te ver pra baixo, mas não aceite isso e não chore. Podemos conversar mais, é só marcar. - diz Jimmy e eu sorrio pra ele.
- E se eu deixar, né Jimmy?
Jimmy ri e Matt me abraça tão forte e diz:
- Conte sempre comigo Dheia, não suporto ver a Anna te tratar assim, ah se eu pudesse dar uns tapas nessa garota, mas como sou homem, seria covarde.
Olho para o Matt e sorrio, depois toca o sinal e voltamos para a nossa sala. m*l consigo prestar atenção na aula e as humilhações da minha irmã latejam em minha cabeça e choro em plena sala de aula. O professor Muto vê e pergunta:
- Aconteceu alguma coisa, senhorita Shinoda?
- Nada não, professor Muto. Permita que eu saia da sala?
- Fique à vontade.
Saio da sala chorando e Matt vai atrás de mim, lógico com a permissão do professor. Fico correndo e ele me para.
- Dheia, Dheia.
Ele pega pelo meu braço e trocamos olhares ali mesmo, minhas lágrimas ainda caem, ele as enxuga e depois diz:
- Dheia, não suporto te ver assim, mas estarei ao seu lado sempre que precisar e sempre te defender da praga que se diz sua irmã.
- Obrigada Matt, tem sido um verdadeiro amigo.
- Vou ficar aqui com você.
Matt ficou nos corredores me amparando, deitei minha cabeça em seu ombro e ele passou os dedos em meus cabelos. Depois que me acalmei, voltamos para a sala. Sentei em meu lugar e continuei prestando atenção na aula. Horas depois, bateu a hora da saída e voltei com Mike para casa. Anna foi atrás e chegamos em casa. Fui até o meu quarto e joguei as minhas coisas em cima da cama. Tomei banho e me sentei para almoçar com minha família, que nem sei se devo chamar de família.
Depois fui lavar e enxugar o meu prato, pego minha bolsa, boto meu celular dentro e meu pai pergunta:
- Para onde vai Andreia?
- Para a casa de tio Oliver.
Fecho a porta e saio para a casa de tio Oliver, quando chego lá, toco a campainha e quem me atende é tia Lucero:
- Oi Dheia, que bom que veio.
- Oi tia, tudo bom?
- Tudo sim - ela percebe a tristeza em meu olhar - aconteceu alguma coisa meu anjo?
- A Anna me humilhou na escola.
- De novo? Ela nunca para. Entre que vou chamar Alanis para conversarmos.
Ela foi chamar Alanis e enquanto isso, vou apresentar outra parte da minha família, Oliver é irmão do meu pai e é casado com Lucero que nasceu no México e ambos têm dois filhos: a Alanis e o Rob. Eles são uns amores comigo, diferente dos meus pais. Parece que quando estou aqui, estou livre de qualquer problema que habita em minha casa. Alanis aparece na sala e diz:
- Prima, que bom que veio. Tava rezando pra você aparecer.
- Vim ficar com vocês a tarde toda, o clima lá em casa está pesado prima.
- Eu soube Dheia, Anna não passa dos limites. E pra piorar, tio Lindemann e tia Donna ainda passam a mão na cabeça dela ainda.
- Lamentável minha filha, lamentável, mas Dheia, não liga para isso, você é especial para nós e sempre será.
Eu sorrio para tia Lucero, Rob vem chegando depois.
- Dheeeeeia que saudades. - ele me abraça.
- Nos vimos na escola primo.
- Eu sei prima, mas faz tempo que não conversamos.
- Tá bom Dheia e Rob, vamos assistir um filme.
Eu, tia Lucero, Rob e Alanis pegamos um filme e ficamos assistindo, tio Oliver estava no serviço e fiquei ali com eles me divertindo, jogando jogos de tabuleiros, comendo doces e fiquei ali até anoitecer, depois volto para o meu pesadelo chamado casa.