20. Brutal

2287 Words
Saímos a tempo daquela água, aquilo começou a borbulhar. -Vamos para a casa.....isso foi muito esquisito.-Procurava minhas roupas que eu jurava ter deixado no chão. -Amor....onde você deixou nossas roupas?-Olhava para toda nossa volta. -Eu sei lá....eu deixei no canto. -Ah mais é um c*****o mesmo, vou andar semi nua.-Abri meus braços dramaticamente, ao olhar para baixo, minha menstruação descia igual água da torneira.-Ah ....ótimo. -Amor vamos sair daqui, tá escuro, abafado ... deve ter sido algum engraçadinho. -Eu sei Henry, você acha que estou ligando para chegar na casa semi nua? ou de ter perdido meu pijama que eu adoro? eu estou com medo de alguém com más intenções esta nos observando. Enquanto caminhávamos em passos em passos rápidos no escuro, não no completo escuro , já que estávamos usando a lanterna do celular. Chegamos próximos a uma ponte, encarei Henry de relance. -Amor.....A gente passou por aqui? -Eu não me lembro de nenhuma ponte... -Será que a gente realmente saiu daquela realidade? - Ray, não me diga que está tendo visão igual o maluco da van? -Julie perguntou, tão apreensiva quanto nós. -A gente esta na realidade deles ainda....puta merda!-Henry estava pálido.-Como vamos sair daqui? -Calma meu.... - Não é visão, Julie. É pressentimento.- Ray respondeu chateada. - Sei o que pode curar isso!-May falou indo até a barraca de Ray. May voltou 2 minutos depois, com 2 garrafas de vodka. Isso me fez lembrar de ir pegar minha maconha e alguns comprimidos, que as vezes eu uso. - Agora vamos pra fogueira logo. - falou May. Andamos rumo a fogueira conversamos sobre qualquer besteira até que chegamos na tal fogueira. Ray, May, Rick e Julie ficaram muito chapados. Rick beijou um cara muito estranho, que provavelmente não fazia a barba a meses devido ao tamanho dela e May se apaixonou por um sapo. Isso mesmo, um sapo. Ficou beijando ele, como se fosse uma pessoa de verdade e fez até juras de amor para o pobre sapinho que não sabia o que fazer. Eu e Kevin saímos quando vimos que erámos os únicos mais ou menos sóbrios em volta daquela fogueira, e resolvemos voltar para nossa barraca, mas quando chegamos lá na nossa barraca eu não consegui fazer mais nada além de deitar e dormir. Antes de eu dormir, peguei meu celular e nele marcava 00:25. Estava caminhando em um parque que eu gostava de passear muito com o Kevin, lá na cidade que moramos. Quando de repente vejo uma garotinha. Eu fui em direção dessa garotinha, essa garotinha era tão parecida comigo, mas ao mesmo tempo lembrava-me outra pessoa. Eu me aproximei dela e disse um simpático "Oi", ela olhou pra mim surpresa e respondeu: - Oi. Eu olhei pra pequena garota de olhos castanhos e falei: - Qual é o seu nome? - Os olhinhos castanhos olharam pra mim e me surpreenderam quando ela falou. - Que nome você me daria? Eu sorri e sem pensar disse: - Eu te chamaria de Karina! Ela riu baixinho e respondeu. - Meu nome é Karina. - Ela respondeu tirando uma mecha do próprio cabelo que caiu em seus olhos. - Serio? nossa primeira vez que eu acerto uma coisa nessa vida.- Respondi rindo alto, e Karina também riu. - Você parece comigo quando eu era da sua idade. Onde está sua mãe? Karina me olhou confusa e respondeu: - Você! - E saiu correndo, e eu não a segui. Acordei com dor de cabeça, maluco que p***a de sonho foi esse? Eu olhei para meu lado direito e o Kevin estava dormindo feito pedra. Peguei meu baseado "Estava morrendo de vontade de usar ele na fogueira mas nem usei", senti uma forte pontada no pé da barriga. Peguei o remédio de dor de cabeça e tomei ele. Antes de sair da barraca olhei o relógio, era 3:33, Fui até o outro lado da lagoa. Acendi meu cigarro e fiquei lá, até que comecei a sentir uma forte dor de barriga, cruzes ate falta de ar me veio. Desci da pedra onde eu estava sentada, completamente zonza e de pernas trêmulas. Comecei a caminhar em direção onde estava minha barraca com o Kevin, que seria no outro lado da lagoa. Mas, quando me dei conta estava toda molhada porque estava tentando atravessar a lagoa. Me desesperei por completo, comecei a nadar na beira da lagoa, antes de voltar cambaleando para trilha. -Eu odeio essa sensação....sentir o que essas pessoas sentem.-Henry estava um tanto histérico. -Tenha calma!-Eu pedi. A gente estava caminhando em direção da garota, parecia que ela estava fugindo da gente. Não sei se era o efeito da maconha, mas eu estava vendo uma sombra vindo na minha direção. Que p***a era aquela? Peguei uma pedra no chão, ou duas, não sei, já que estava vendo tudo duplicado, a ergui acima da minha cabeça m*l conseguindo ficar em pé, estava tudo girando e girando. E voltei a dar passos cautelosos em direção a ponte de novo. Merda, eu estava sem senso de direção também? A sombra continuava vindo em minha direção, e eu já estava em cima da ponte, a sombra agora parecia estar tomando forma de uma pessoa. Quando ela estava já bem perto de mim, joguei a pedra em sua direção. Acho que a acertou, pois ela cambaleou para a beira da ponte e caiu no chão, a centímetros de cair da ponte . Quando pensei em sair dali, aquilo que estava caído no chão grudou em meu tornozelo, fazendo com que eu caísse no chão completamente desorientada, aquilo subiu sobre meu corpo que estava de bruços, por instinto me virei o mais rápido que pude. Sem pensar duas vezes peguei uma pedra que estava próxima a mim e o acertei. Tirei aquele corpo de cima do meu, jurava que eu ia morrer, m*l conseguia respirar e podia jurar que fiz cocô nas calças. Minha visão se ajustou a luz fraca da lamparina que ficava na cabeça da ponte, um pouco embaçada, não conseguindo ver quem, mas clara ao enxergar a forma de uma faca em sua mão. Aquela coisa ia me matar? Não me permiti pensar muito e empurrei o corpo para que caísse na água. Estava assustada e nada parecia fazer sentido na minha mente, me perguntava se era alucinação ou se eu realmente tinha matado aquela coisa! Sai correndo e ás vezes tropeçava pelo caminho. Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, finalmente achei a minha barraca que dividia com Kevin "a esta altura o efeito da maconha já havia cessado do meu sangue". Agitada, arranquei minha roupa que ainda estava molhada e a joguei longe, entrando na barraca completamente nua, antes me certifique se estava limpa, por sorte sim. Apertei meu corpo nú contra o de Kevin, que involuntariamente colocou seu braço me prendendo nele, mas não acordou e assim eu dormi. Estava dentro de uma casa luxuosa, com uma camisola branca e longa. Andei até uma porta branca e a abri, lá estava a menina do meu sonho, expremida contra um cantinho do quarto encarando o nada. Ao me notar, ela me olhou com um olhar triste e disse com a voz chorosa: -Faltam quatro, mamãe. Perguntei completamente confusa. - Faltam quatro o que? - Faltam quatro desgraças acontecer, para que você saiba que eu existo! - Continuei encarando a menina, como se ela tivesse crescido um pouco desde que nos vimos pela última vez. Ela notou minha confusão, e deu um sorriso amargo deixando evidente a sua falta de dentes da frente. E me falou: - Uma já aconteceu!- Eu já estava ficando irritada com a menina, mas a perguntei com calma " Do que você esta falando?". A menina me encarou, e murmurou um "Boa sorte, mamãe!" e desapareceu. Fiquei procurando Karina pela casa, mas ela não estava em lugar nenhum, foi quando eu estava na sala que vi um porta retrato de uma mulher, Karina e... Kevin? Aproximei meu rosto da fotografia e constatei. Sim era Kevin, e a mulher era eu, soltei o quadrinho no chão fazendo-o se espatifar em dezenas de pedacinhos. Comecei a olhar os outros porta-retratos e todos mostravam a mim, Kevin e Karina o que fez meu peito doer, por que parecíamos tão felizes, mas ao mesmo tempo tristes. O que estava acontecendo? Foi quando eu vi uma cúpula de vidro em cima de uma escrivaninha de madeira, que me chamou a atenção, me aproximei e percebi que dentro da cúpula havia um livro preto trancado com um cadeado de ouro..... Acordei com Kevin me fazendo carinho "talvez um pouco forte demais". Me virei para olhar para o rosto dele que carregava um olhar preocupado. - Tudo bem, Ina? - Sim, só estou com dor de cabeça. - fechei meus olhos, como se recusasse olhar para ele. Entretanto Kevin insistiu. - Você parecia estar tendo um pesadelo... - Suas sombrancelhas juntas em preocupação. - Tá tudo bem mesmo, Kevin. Não precisa se preocupar. Minha voz estava arrastada e rouca, Kevin ia insistir novamente senão fosse Ray interromper entrando na barraca: - Vocês viram a Julie? -Seus olhos se esbugalhou ao ver Kevin em cima de mim, e suas bochechas foram a um vermelho pimentão. - Opa, acho que atrapalhei alguma coisa.... O constragimento estava visível em sua voz, foi só ai que percebi que eu estava só peleda e Kevin apenas de cueca. Ela já ia saindo da barraca quando Kevin falou rindo: - Não atrapalhou nada, sua tonta! - E riu ainda mais - E não, não vimos a Julie, por quê? - Kevin me cobriu com sua camiseta usada e Ray ainda envergonhada falou: - Eu acordei e a Julie não estava na barraca... É.. já vou indo então...- E antes que pudéssemos responder ela saiu com pressa da barraca, fazendo a mim e Kevin nos olharmos e começarmos a gargalhar. Do nada Kevin parou de rir e olhou para mim: - Acho que devíamos sugerir em ir atrás dela, sei lá. - Quando ele disse isso uma pontada bateu em meu peito, me fazendo estremecer: - Também acho. Eu só vou vestir uma roupa e já saio.-falei disfarçando meu desconforto e tirando a camiseta de cima de mim. Kevin me olhou perverso e começou a me beijar, mas eu o cortei já prevendo onde aquilo ia dar: - Vai lá Kevin, eu já to indo.- Ele me olhou chateado, mas não falou nada, vestiu uma bermuda e saiu. Tomei alguns comprimidos para dor de cabeça, vesti uma roupa e sai da barraca também. Eu estava indignada por não conseguir lembrar de nada da noite anterior "Eu transei com o Kevin?" o pensamento me fez rir, antes de um sonho estranho voltar a martelar minha mente. Quando eu sai da barraca Kevin e os outros estavam me esperando. Rick fumava um cigarro e falou animado como se aquilo fosse a coisa mais legal a se fazer: - Vamos procurar a Julie!-Revirei os olhos e apontei para irmos logo. Estávamos andando pelo acampamento, eu e Ray em silêncio, já May e Rick não calavam a boca, Kevin só abriu a boca para falar: - Não creio que ela poderia ter vindo mais para cá. Vamos olhar do outro lado da lagoa?- Nós entreolhamos, logo em seguida dando meia volta indo na direção oposta. Andamos até a ponte, já que mais para parte de pedras era muito raso e dava pra ver que não havia ninguém. Ao pisar na ponte eu fiquei zonza e quase cai, mas por sorte ninguém reparou, já que eu estava vindo atrás do grupo. Já estávamos na metade da ponte, quando um policial interrompeu nossa travessia dizendo que não podíamos seguir adiante, ele estava falando alguma coisa para Ray e Kevin, mas não prestei atenção ao ver várias viaturas e uma lona cobrindo algo no chão. Só voltei a prestar atenção quando Kevin irritado, falou: - O policial falou que não podemos seguir em frente, parece que alguém morreu e eles estão investigando, que merda! Ray que estava ao seu lado ao ver que o policial já estava longe, falou baixinho para nós. - Mas claro que não vamos dar ouvidos a esse policial de merda, né? May notando a intenção de Ray, protestou: - Ray, você tá louca? Ray não ligou para May, e saiu correndo pro outro lado da ponte, e sem escolha a seguimos. O que aconteceu foi que Ray discutiu com o mesmo policial sobre ele estar proibindo o direito de ir e vir dos campistas, mesmo com as tentativas de interromper a discussão sem sucesso de Rick, May e Kevin o policial ameaçou de prender todos ali presente. A discussão se seguiu até uma perita com cara de lacraia abrir a lona ao longe, e eu ver o rosto inchado e já deformado do defunto. Gritei horrorizada - Julie! - Todos pararam a discussão e acompanharam o meu olhar, e claro Ray atrevida que era, ignorou as contenções e a tentativa de intercepta-la e foi para o lado do corpo sem vida de Julie. Aquilo tudo era tenebroso, o medo fazia parte do nosso corpo, eu sabia que a qualquer momento íamos voltar para nossa realidade. A cena de desespero de Ray ao ver Julie morta, comoveu até mesmo o policial nojento e houve um silêncio geral, cujo único som era os gritos e soluços horríveis de Ray. Enquanto eu, Kevin, May e Rick apenas estávamos petrificados com a mão na boca, não acreditando no que víamos. -Pronto! de volta ao mundo real.-Disse andando tranquilamente, estávamos próximos da casa. -Como voltamos para cá? -Quando a história fica boa, a gente volta para nossa realidade. Eu julguei todos esses adolescentes mas a história deles parece algo brutal . -Concordo.
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