Anastácia
Meu nome é Anastácia. Tenho vinte e dois anos.
Mas vocês podem me chamar de Ana.
Nunca fui uma mulher que acreditou na sorte. Sempre acreditei no trabalho duro. Ainda assim, ele nunca adiantou muita coisa.
Trabalho de segunda a segunda, exausta, sacrificando cada hora da minha vida, e mesmo assim, quando minha mãe ficou doente, eu não consegui fazer nada. Ela está na fila de espera por uma cirurgia. Disseram que precisava aguardar. Mas não há como aguardar. Ela tem uma doença grave que atingiu o pulmão, e o quadro só piora a cada dia.
Quando viemos morar em Moscou, passamos um tempo vivendo na rua. Dormimos em abrigos improvisados, enfrentamos o frio com roupas emprestadas e fome constante. Depois de algum tempo, consegui um emprego. Minha mãe também. Achei que, finalmente, nossa vida começaria a melhorar. Então ela adoeceu.
Uma pneumonia m*l tratada evoluiu para algo muito pior. Agora, seu estado é crítico. O pior de tudo é perceber que ninguém se importa com duas mulheres sozinhas e pobres. Aqui, se você não tem dinheiro, você não existe.
Eu estava extremamente nervosa. Já não via saída. Tentei um empréstimo no banco, mas riram de mim e negaram na mesma hora. E quem daria crédito a alguém como eu? Meu salário m*l cobre alimentação, aluguel e os remédios da minha mãe, que são caríssimos. Sempre que tento consegui-los gratuitamente, chego à fila às três da manhã e saio perto do meio-dia. Depois corro para o trabalho, chego atrasada e tenho o dia descontado. Meu patrão não tem piedade de ninguém. Muito menos de mim.
Naquele dia, eu estava no balcão da cafeteria aguardando o próximo pedido quando um cliente bateu a mão com força sobre a madeira. Ele estava irritado. Encarou-me por alguns segundos antes de falar.
— Vocês acham que eu tenho tempo a perder? Fiz meu pedido há trinta minutos e nada. Se continuar assim, vou exigir o cancelamento.
Respirei fundo. Ele não estava esperando há trinta minutos. m*l tinham se passado dez. Mas eu estava com a corda no pescoço. Não podia discutir. Meus chefes eram insuportáveis: Dona Olga e o senhor Orlov. Um casal que se dizia correto, mas explorava cada funcionário até o limite. Eles não aceitaram o atestado de acompanhante no dia em que levei minha mãe ao médico. Descontaram meu dia e ainda me ameaçaram de demissão caso eu causasse qualquer problema.
Virei-me para o cliente com o sorriso mais falso que consegui sustentar.
— Senhor, peço que aguarde mais um momento. Seu pedido já está sendo preparado. Há outros pedidos à frente, e seguimos a ordem de chegada. O senhor chegou há cerca de dez minutos.
Ele me olhou com desaprovação, mas eu fingi não perceber. Aqui, fingir é uma questão de sobrevivência.
Quando o pedido finalmente ficou pronto, ele pegou as moedas do troco e as jogou em cima de mim, como se eu fosse um animal. Minha vontade era reagir, mas me contive. Observei enquanto ele se dirigia até Dona Olga. Ela fez uma expressão fechada, olhou na minha direção e ele apontou para mim. Eu respirei fundo. Sabia que seria chamada a atenção novamente.
Quando ele saiu, Dona Olga veio até mim.
— Anastácia, o cliente reclamou de você. Não é a primeira reclamação esta semana. Se continuar assim, não vai chegar muito longe na vida.
Eu queria dizer que não desejava ir longe naquela vida de servidão. Mas permaneci em silêncio.
— Eu apenas pedi que ele aguardasse — respondi com calma. — Havia outros pedidos à frente.
— Mesmo assim, você precisa ser mais delicada. Vou fazer seu pagamento agora. Pode ir para casa.
Ela colocou o dinheiro na minha mão. Conferi imediatamente. Pessoas como eles nunca erram a favor do funcionário.
— Está correto. Obrigada, Dona Olga — respondi.
Ela se afastou sorrindo. Eu, por outro lado, sentia vontade de gritar. Arrumei minhas coisas e segui para o ponto de ônibus.
Esperei quase uma hora. Quando finalmente cheguei em casa, chamei pela minha mãe. Não obtive resposta. Entrei, percorri os cômodos vazios e fui até o quintal. Encontrei-a caída no chão, com a mangueira aberta, a água escorrendo ao redor do corpo imóvel.
— Mãe… por favor, não faz isso comigo — implorei, entrando em desespero.
Gritei tão alto que os vizinhos ouviram. Um senhor que morava em frente entrou no quintal com o filho. Ele pegou minha mãe no colo, chamou um táxi e a colocou dentro. Eu entrei em seguida. Fomos direto para o hospital.
Paguei o táxi assim que chegamos. Levaram minha mãe às pressas. Os vizinhos foram embora. Fiquei sozinha, sentada em uma cadeira dura, com as mãos tremendo e a mente em caos.
Depois de um tempo que não soube medir, uma médica saiu pela porta dupla.
— Anastácia? — chamou.
Levantei-me imediatamente.
— Sou eu. Como está minha mãe?
A médica respirou fundo antes de responder.
— Ela está estável, mas a situação é grave. Sua mãe desenvolveu uma doença pulmonar avançada. A pneumonia anterior evoluiu para um quadro crônico. Parte do pulmão perdeu a função.
Senti o chão desaparecer sob meus pés.
— Ela está na fila… disseram para aguardar.
— Infelizmente, ela não tem esse tempo — respondeu com franqueza. — Sem a cirurgia, o quadro pode evoluir para insuficiência respiratória. O risco de morte é real.
— Quanto tempo ela tem?
— Sem intervenção, semanas. Talvez meses, se o organismo resistir.
Engoli em seco.
— E a cirurgia?
— No particular, pode ser feita imediatamente.
— Quanto custa?
— Cento e oitenta mil rublos. Esse valor inclui cirurgia, internação e medicação.
O número ecoou dentro da minha cabeça como uma sentença.
— E se eu não tiver esse dinheiro?
— Faremos o possível para estabilizá-la enquanto aguardamos o sistema público — respondeu. — Mas as chances diminuem a cada dia.
— Posso vê-la?
— Pode.
Entrei no quarto e vi minha mãe ligada a aparelhos, respirando com dificuldade. Segurei sua mão.
— Eu vou dar um jeito — sussurrei. — Nem que eu precise vender a minha alma.
Naquele momento, eu ainda não sabia.
Mas o inferno já havia me notado.
E ele estava apenas começando.