Só mais uma dose ParteI

888 Words
Maia — Mais alguma reunião hoje, senhor? – pergunto provocando-o, enquanto observo a paisagem passar pela janela do carro. — Não, senhorita – respondeu, fazendo o jogo. Um belo sorriso brilhando em sua face. — Então para onde iremos agora? — Para o hotel, minha assistente. Jantar e dormir, temos uma reunião no interior de são Paulo amanhã. A viagem será de carro, mas será longa. Sairemos cedo. — Ele volta o olhar para alguns papéis que estão sobre a pasta aberta em seu colo, — Mais contratos de compra e exportação? – Até parece que sou uma assistente de verdade, — Talvez algumas aquisições – fala ele. – E é claro que falaremos de outros negócios também. – Completou. — Que tipo de aquisição, senhor? – Confesso que estou gostando da brincadeira enquanto o carro percorre as estradas de São Paulo em direção ao hotel onde estamos hospedados. — Cavalos. — Ah. – Fico parecendo uma boba sem saber o que falar. Se ele já possuía uma fazenda, é claro que tinha cavalos. — Quem sabe no futuro eu abra um haras também. – Esclarece ele. – Pode ser rentável, vou investir e fazer uma pequena criação, se eu achar vantajoso sigo para a expansão e a criação de um haras. — Para um fazendeiro muito bem sucedido, não vejo problemas em investir em um futuro haras – falo como eu acredito que uma verdadeira executiva falaria. — Na verdade eu não sou um fazendeiro – diz ele. – Eu sou um homem de negócios, vivo viajando por esse motivo, quem se dedica à fazenda aqui no Brasil é minha irmã, Nathalya. Ela é que é a fazendeira aqui, e ela gosta muito disto. — Então o senhor, meu chefe, é apenas um homem com muitos negócios espalhados pelo mundo? — Exatamente. – O carro para na frente do hotel. Ele desce primeiro e segura em minha mão para que eu desça. O clima entre nós dois tem melhorado muito depois da nossa conversa. Consegui entender o comportamento dele, pois o homem carrega luto e culpa, e não quer se envolver com ninguém. Eu consigo entende-lo, embora fazer o que ele me pediu fosse algo um pouco fora da minha zona de conforto. Nunca fui contratada para fazer papel de assistente e amiga, ainda mais por um homem desse que é uma verdadeira tentação. Ao chegarmos em nossa suíte, Dmitry liga para o serviço de quarto e pede nosso jantar. É estranho estar em um quarto de hotel com um homem que eu não tenho que ficar o tempo todo me insinuando, sorrindo e falando coisas melosas; que eu não tenho obrigação de ir para a cama com ele. Mas com este homem eu não iria para a cama por obrigação, não mesmo, ele é lindo e gostoso. Adoraria prova-lo. Tenho que estar constantemente me lembrando de que ele está de luto. — Pedi um pouco de tudo, não sei do que você gosta – ele diz ao desligar o telefone. — Lembra-se que somos apenas duas pessoas. Ele ri descontraído, e depois do que ele compartilhou, gostei de vê-lo assim. Quando a comida chega, realmente é um pouco de tudo. Tem massas, carnes, sushi e outras coisas. Ele vai até o bar que há no canto do quarto, e busca duas garrafas e duas taças, as colocando sobre a mesa que tem na varanda do quarto. O vento está frio e eu vou buscar um casaco em minhas malas, enquanto ele arruma nosso jantar na mesa. — Uau, que lindo – elogio ao ver como ele dispôs os pratos, os talheres, as bebidas e as taças. — Sente-se, senhorita – diz ele. Sento-me. Gosto de vê-lo gentil, é bem melhor de se lidar do que com o irritadiço. Pego um pouco da massa que está cheirosa e muito chamativa. Quando a levo à boca, sinto uma explosão de sabores, está uma delícia. — Que delícia – falo ainda de boca cheia. O jantar está sendo agradável. Apesar de ter bastante coisa para comer, é incrível, mas devoramos quase tudo. Há apenas pequenas sobras de cada prato. Ficamos sentados enquanto conversávamos e bebíamos algumas taças de bebida. Já tinham ido algumas taças de vinho branco e eu me sinto bem mais soltinha e sorridente. Ele segura seu copo de uísque e ainda parece inabalável, embora já tivesse perdido a conta de quantos copos ele havia bebido. — Eu falei algo de mim hoje, é justo que você fale algo sobre você – diz ele. — Tenho nada para falar, Dmitry, acho que devemos dormir, já que disse que sairemos cedo amanhã. O que eu falaria da minha vida? Contaria minha infância pobre e minha adolescência trágica? Melhor não, até porque estou meio alta e posso falar ou fazer coisas que não devo. Me levanto, indo para a cama, mas ele segura minha mão. — Não fuja. — Não estou fugindo. — Está sim. Vamos, me conte algo. — Já disse que não tenho nada para contar, algo agradável pelo menos. – Paro e olho aqueles belos olhos azuis. – O que o senhor, meu chefe, gostaria de saber sobre mim? Ele me olha e me analisa, o que ele poderia me perguntar? — Como uma mulher linda como você, inteligente e simpática, acabou como acompanhante de luxo?
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