Maia
— Mais alguma reunião hoje, senhor? – pergunto provocando-o, enquanto observo a paisagem passar pela janela do carro.
— Não, senhorita – respondeu, fazendo o jogo. Um belo sorriso brilhando em sua face.
— Então para onde iremos agora?
— Para o hotel, minha assistente. Jantar e dormir, temos uma reunião no interior de são Paulo amanhã. A viagem será de carro, mas será longa. Sairemos cedo. — Ele volta o olhar para alguns papéis que estão sobre a pasta aberta em seu colo,
— Mais contratos de compra e exportação? – Até parece que sou uma assistente de verdade,
— Talvez algumas aquisições – fala ele. – E é claro que falaremos de outros negócios também. – Completou.
— Que tipo de aquisição, senhor? – Confesso que estou gostando da brincadeira enquanto o carro percorre as estradas de São Paulo em direção ao hotel onde estamos hospedados.
— Cavalos.
— Ah. – Fico parecendo uma boba sem saber o que falar. Se ele já possuía uma fazenda, é claro que tinha cavalos.
— Quem sabe no futuro eu abra um haras também. – Esclarece ele. – Pode ser rentável, vou investir e fazer uma pequena criação, se eu achar vantajoso sigo para a expansão e a criação de um haras.
— Para um fazendeiro muito bem sucedido, não vejo problemas em investir em um futuro haras – falo como eu acredito que uma verdadeira executiva falaria.
— Na verdade eu não sou um fazendeiro – diz ele. – Eu sou um homem de negócios, vivo viajando por esse motivo, quem se dedica à fazenda aqui no Brasil é minha irmã, Nathalya. Ela é que é a fazendeira aqui, e ela gosta muito disto.
— Então o senhor, meu chefe, é apenas um homem com muitos negócios espalhados pelo mundo?
— Exatamente. – O carro para na frente do hotel.
Ele desce primeiro e segura em minha mão para que eu desça.
O clima entre nós dois tem melhorado muito depois da nossa conversa. Consegui entender o comportamento dele, pois o homem carrega luto e culpa, e não quer se envolver com ninguém. Eu consigo entende-lo, embora fazer o que ele me pediu fosse algo um pouco fora da minha zona de conforto. Nunca fui contratada para fazer papel de assistente e amiga, ainda mais por um homem desse que é uma verdadeira tentação.
Ao chegarmos em nossa suíte, Dmitry liga para o serviço de quarto e pede nosso jantar. É estranho estar em um quarto de hotel com um homem que eu não tenho que ficar o tempo todo me insinuando, sorrindo e falando coisas melosas; que eu não tenho obrigação de ir para a cama com ele. Mas com este homem eu não iria para a cama por obrigação, não mesmo, ele é lindo e gostoso. Adoraria prova-lo. Tenho que estar constantemente me lembrando de que ele está de luto.
— Pedi um pouco de tudo, não sei do que você gosta – ele diz ao desligar o telefone.
— Lembra-se que somos apenas duas pessoas.
Ele ri descontraído, e depois do que ele compartilhou, gostei de vê-lo assim.
Quando a comida chega, realmente é um pouco de tudo. Tem massas, carnes, sushi e outras coisas. Ele vai até o bar que há no canto do quarto, e busca duas garrafas e duas taças, as colocando sobre a mesa que tem na varanda do quarto. O vento está frio e eu vou buscar um casaco em minhas malas, enquanto ele arruma nosso jantar na mesa.
— Uau, que lindo – elogio ao ver como ele dispôs os pratos, os talheres, as bebidas e as taças.
— Sente-se, senhorita – diz ele.
Sento-me. Gosto de vê-lo gentil, é bem melhor de se lidar do que com o irritadiço.
Pego um pouco da massa que está cheirosa e muito chamativa. Quando a levo à boca, sinto uma explosão de sabores, está uma delícia.
— Que delícia – falo ainda de boca cheia.
O jantar está sendo agradável. Apesar de ter bastante coisa para comer, é incrível, mas devoramos quase tudo. Há apenas pequenas sobras de cada prato.
Ficamos sentados enquanto conversávamos e bebíamos algumas taças de bebida. Já tinham ido algumas taças de vinho branco e eu me sinto bem mais soltinha e sorridente.
Ele segura seu copo de uísque e ainda parece inabalável, embora já tivesse perdido a conta de quantos copos ele havia bebido.
— Eu falei algo de mim hoje, é justo que você fale algo sobre você – diz ele.
— Tenho nada para falar, Dmitry, acho que devemos dormir, já que disse que sairemos cedo amanhã.
O que eu falaria da minha vida? Contaria minha infância pobre e minha adolescência trágica? Melhor não, até porque estou meio alta e posso falar ou fazer coisas que não devo.
Me levanto, indo para a cama, mas ele segura minha mão.
— Não fuja.
— Não estou fugindo.
— Está sim. Vamos, me conte algo.
— Já disse que não tenho nada para contar, algo agradável pelo menos. – Paro e olho aqueles belos olhos azuis. – O que o senhor, meu chefe, gostaria de saber sobre mim?
Ele me olha e me analisa, o que ele poderia me perguntar?
— Como uma mulher linda como você, inteligente e simpática, acabou como acompanhante de luxo?