Meu corpo estava feliz quando eu acordei sozinho no chão da sala de manhã, mas o meu coração estava machucado. No fim das contas era isso; ele voltava para a casa que ele dividia com o seu namorado e acordava ao seu lado na cama. “Eu amo Jimin”, ele deixou tudo bem claro. Eu acho que agora eu tinha algumas respostas sobre quem era Jimin e quem eu era. Jimin era a pessoa que Yoongi amava e eu era só mais um dos caras com quem ele transava fora do seu relacionamento. Só que dessa vez o seu namorado não estava feliz com isso.
Me levantei e fui tomar banho. Eu tinha que limpar a casa e voltar ao meu trabalho. Era isso o que eu ia fazer, me dedicar ao meu trabalho e quando Yoongi batesse na minha porta de novo — a fim de t*****r — eu iria fechá-la na sua cara. Eu vivia lembrando a ele dos meus sentimentos e ainda assim ele tinha coragem de vir aqui só para me usar, porque sabia que eu nunca conseguia afastá-lo.
Me arrastei até o banheiro e fiz tudo o que tinha para fazer. Dei uma ajeitada na casa e, como sempre, peguei uma enorme xícara de café e fui para o meu estúdio. Me sentei na minha cadeira confortável e comecei a desenhar. O tempo voou. Eu tinha tracejado vários esboços para enviar ao Taehyung, quando a campainha tocou e eu fui atender.
— Hoseok! — cumprimentei surpreso.
Ele estava com um buquê de flores nas mãos e isso me deixou confuso.
— O senhor Kim passou por aqui, mas ele estava com pressa e me pediu para te entregar isso. — diferente do comum, ele não parecia muito animado.
Peguei o buquê, estranhando o fato dele vir do meu editor, e abri o cartão, lendo em voz alta.
— "Parabéns, Jungkookie. Você ganhou outro prêmio e o seu manhwa recebeu uma proposta de virar anime. Isso é tão incrível para alguém tão jovem no ramo. Eu estou orgulhoso do nosso trabalho juntos. Avise aos seus pais o quanto antes e vamos sair para comemorar essa noite!" — encarei Hoseok, completamente desnorteado. — O que?
— Uau! — mostrou ânimo de novo. — Parabéns, Jungkook. Isso parece mesmo incrível.
— É, eu…Obrigado — de repente me lembrei do meu anonimato. — Isso não pode sair daqui, tudo bem, Hoseok?
— Claro, mas eu vou querer assistir o seu anime. Me diga o título depois. — riu jovial.
— Será o nosso segredo.
— Agora eu tenho que voltar para a recepção.
Acenei para ele e bati a porta assim que ele me deu as costas. O meu coração bateu tão forte que eu até podia senti-lo nos meus ouvidos. Digitei uma mensagem rápida para Taehyung agradecendo e disse como eu estava feliz e nervoso com a novidade. Depois eu segui o seu conselho e liguei para os meus pais para contar tudo. Eles estavam orgulhosos, já que eu não tinha fracassado e eu os entendia muito bem para ficar chateado.
Voltei ao trabalho um pouco mais animado, apesar disso tudo querer dizer que eu ia ter mais coisas para fazer, mas, por enquanto, só tínhamos o que comemorar. Quando a noite chegou, eu me arrumei para a noite de bebedeira com Taehyung. Ele havia dito que vinha me buscar, então eu desci para a entrada do prédio e esperei ele chegar com o seu carro chamativo. Tudo no senhor Kim era chamativo, desde a sua beleza até os itens caros que ele ostentava. Me escorei na recepção e vi que Hoseok estava saindo do trabalho bem na hora que o meu editor chegou.
— Oi, Hoseok. Você está saindo agora? — falou assim que percebeu. — Porque não vem com a gente? — perguntou assim que recebeu o aceno confirmando.
— Seria legal, mas eu trabalho cedo amanhã.
— Não se preocupe, não te deixaremos beber tanto. — riu insistente. — Vamos, vai ser divertido. O Jungkook não tem muitos amigos em Seoul e eu posso te deixar em casa depois. Eu tenho um motorista.
Taehyung continuava agindo como um irmão mais velho e isso me fazia corar. Então, eu o ajudei a convencer o Hoseok a ir antes com a gente, antes que meu editor me envergonhasse mais. A gente ainda estava na entrada e Taehyung mexia nas minhas roupas como se eu fosse uma criança sem jeito.
— Vamos, Taehyung, para com isso. — falei informalmente com ele. — Eu não sou uma criança e você para de rir, Hoseok.
— Claro que você é uma criança, Jungkook, você nem fez vinte anos ainda. — agora ele mexia nos meus cabelos.
— Mas eu estou perto de fazer. — e só depois de dizer aquilo, percebi que soava meio infantil.
— Okay, então quando você fizer, eu prometo te tratar como um adulto, enquanto isso você é minha responsabilidade. — ele tocou o meu rosto e me encarou com um sorriso terno.
Taehyung era uma pessoa muito sentimental e se preocupava demais comigo, porque eu não tinha o apoio da minha família, mesmo que eu fosse tão talentoso e também por eu ser tão recluso. Ele praticamente dava comida na minha boca e eu meio que gostava disso, era como um irmão mais velho que eu nunca tive. Ele não era um chefe ríspido e eu não lhe dava tanto trabalho, o que fazia a nossa relação ser muito boa.
Ele me abraçou e me encarou orgulhoso. Bem nessa hora, o Yoongi cruzou a entrada de mãos dadas e dedos entrelaçados com Park Jimin. Seus olhos curiosos focaram em nós três, enquanto Jimin me olhava com frieza.
— Boa noite. — meu amante cumprimentou a todos.
E nós respondemos, mas os seus olhos analisavam o estranho entre nós três, Kim Taehyung. Ele era tão óbvio e como se não bastasse ser, o seu olhar crítico bateu em mim. Como se ele quisesse dizer alguma coisa, mas ele não diria, não com o Jimin ali.
— Vamos, Jungkookie. — Taehyung segurou a minha mão e me puxou para a saída.
Enquanto nos afastávamos, eu podia jurar que Yoongi encarou o meu chefe cheio de fúria e eu não pude deixar de sorrir para ele, como se perguntasse se era bom provar do próprio veneno. Mesmo que não houvesse a menor chance de rolar algo romântico ou s****l entre Taehyung e eu, era bom ver o meu vizinho com ciúmes.