— Não precisa dizer nada. Toquei em uma questão que não é da minha conta. — expliquei, pensando que assim ela não se sentiria obrigada a revelar nada a um estranho. — Tudo bem. Não é nada demais, só a minha vida decepcionante. — a forma leve como ela falou não disfarçou bem a sua amargura. — Se isso a machuca, é demais sim. — Minha trajetória até aqui foi recheada de idas e vindas. Primeiro, minha mãe me abandonou. Ela sempre dizia o quanto eu atrapalhava a sua vida, e me deixar foi opção sua. Fiquei sozinha por um tempo, jurando que em alguma hora ela voltaria, só que, no fim, não voltou, e eu fui mandada para um orfanato. — Não estava esperando por isso. Achei que ela não falaria nada. Ouvi-la confessar tudo me deixou desnorteado. — Sempre fui, posso dizer, estranha. Todos diziam “es

