“Confusa” era uma definição apropriada para mim naquele momento. As únicas vezes em que eu ficava assim era quando estava prestes a ser adotada ou ao apresentar o meu mestrado na faculdade.
Bem...Eu estava pecando no meu sonho para o doutorado, tentando focar em um trabalho que não me valorizava.Desejava mesmo sair do estacionamento vazio em que se encontrava a minha vida e dirigir para um futuro brilhante em um lugar onde me olhassem com outros olhos.
Estava tentando me manter plena e calma da melhor forma possível.O empecilho que me impedia de ter sucesso nisso? Joseph e nosso último dia na sala escura. Eu não sabia o porquê,já que ele era meu amigo, mesmo que nossa conversa do outro diatenha parecido uma briga para decidirmos se iríamos ou não dar continuidade a um relacionamento que não tínhamos.Realmente, queria continuar conversando com ele e buscando um entendimento de sua parte por mais tempo.
Passei quase a noite toda pensando nisso e no que faria nesse dia. Meu peito parecia mais inquieto que o normal, deixando-me furiosa.
1: Você só está assim por conta da situação, não porque gosta dele em outro sentido.
2: Não é tão difícil fazer amizade. O que está sentindo é algo novo, pois nunca se permitiu achar um amigo, mesmo que tenha Hoper.
3: Vê-lo não vai mudar nada, só terá uma imagem para associar à voz.
— Pelo amor de Deus, Samantha!Não é nada demais. —reclamei comigo mesma. — Depois que fizer isso, a curiosidade vai, aos poucos, apagar toda a insegurança e interesse. Claro...Foi por isso que Hoper bolou essa experiência. Por natureza, o ser humano é curioso.Assim que não tiver mais a incógnita, poderá voltar a ser a Samantha de sempre, sem a parte medrosa.
— Você está falando sozinha? —Hoper apareceu na porta do meu quarto, olhando-me com o cenho franzido e me julgando.
Por sorte, eu praticamente sussurrei as palavras que saíram da minha boca, ou ela se convenceria de que sua loucura conseguiu me mudar.O que não era verdade.
— Sempre fiz isso.Não entendo a surpresa. —reclamei. Estava mesmo p**a por tudo. — E a culpa é sua.
Foi irritante ver seu sorriso surgir lentamente, assim como o olhar convencido.
—Me deixe ver.—Colocou os dedos no queixo como se estivesse bolando um argumento que me deixaria com mais raiva. — Está assim, como se fosse a um casamento, por causa do cara da sala.
— Não pire.Estou assim porque você me colocou nessa situação desconfortável. —Usei a raiva na fala para que ela calasse a boca. — Ele me irrita constantemente, me acusa...Isso não aconteceria se...
— Achei que fosse impossível, mas realmente aconteceu. —Suspirou.
— O que aconteceu?
Estava em frente ao espelho, olhando-me pela milésima vez, e a via pelo reflexo. Sua cara de exibida me chateou tanto, que me virei para ficar cara a cara com ela.
— Está apaixonada. —não foi uma suposição, muito menos uma pergunta, ela estava afirmando. Que ridículo.
— Não pire, Hoper.Eu nem o conheço.Como posso me apaixonar por um desconhecido? — Ridículo. Era ridículo.
Eu não iria cair nas suas provocações.
— Samantha...
— Se você me provocar, posso não sair de casa.Éo que deseja?
***
Hoper ainda estava chateada por conta do nosso conflito de mais cedo, e eu da mesma forma. Como já era difícil demais estar estranha e confusa, não precisava de ninguém atiçando a parte que eu estava mais odiando: a que não parava de pensar em Joseph.
Achei estranho não estarmos nas salas ainda.Parecia que minha amiga estava armando algo.
— Podem me seguir. —disse a morena que nos recepcionava sempre que chagávamos.
Como se tudo já não fosse ridículo o bastante, todas fomos levadas para outro espaço.O que nos deixou confusa.Eu me sentia furiosa por ter a pessoa que bolou isso morando comigo e não saber o que estava acontecendo.
— Hoje vocês terão a oportunidade de ficar mais perto dos....
Mais perto? Como assim?Por quê?
Eu só conseguia enxergar a moça de cabelos cacheados balbuciar palavras que eu não entendia e desejei matar minha melhor amiga.Pelo que tinha entendido, iríamos ficar cara a cara com os “parceiros” com quem conversamos durante o mês inteiro.
Estava insegura. Não havia me preparado para esse dia, e apostava que Joseph também não.Contudo, para ele, devia ser bem mais tranquilo, pois repetia e repetia que eu era como uma irmã mais nova sua.O que me deixava feliz e desanimada ao mesmo tempo.
É claro queeu não estava alipara romance.Deixamos isso bem claro.No entanto, os sinais estavam me levando a ficar confusa e assustada.
Em primeiro lugar: minha ansiedade bateu no limite quando a porta foi aberta e vi que não estávamos em uma das salas habituais. Estava escuro, com aquele clichê das luzes no chão e tudo mais.
Segundo: meu coração estava praticamente sendo expulso do peito e minhas mãos suavam, poisnão estávamos só,havia mais pessoas no ambiente.Não sabia quantas delas, por conta da falta de iluminação, porém sentia pelas vozes.
Terceiro: todos os meus sintomas não eram porque encontraria um amigo comum, era por causa de Joseph. Parando para pensar, eu ainda o tinha apenas como amigo, entretanto estava nervosa como se fosse encontrar outra pessoa que não fosse ele.
Será que ficou confuso demais? Eu sou assim: confusa.
A mulher falou algumas coisas e outras pessoas também.Eu não conseguia ouvi-las por conta do meu estresse emocional.
Por um acidente causado pela falta de luz, acabei me esbarrando em alguém que tinha quase duas vezes o meu tamanho.
—Me desculpe.Eu não...
— Tudo bem.—era a voz dele.