A pouco metros dali, Dom nem se importa em disfarçar. Encara os dois com um ar de insatisfação, Nikole não estava o levando a sério.
- Eu quero ir embora Léo, mas Surya e os rapazes estão se divertindo e não quero estragar isso.
- Acho que tenho uma solução. vou falar com sua avó. Terminei de comer, eu já volto.
Mal ele se afastou e Dominico já estava ao seu lado.
- Esse sujeito não consegue ficar longe de você mesmo, hein?
- Ele só está preocupado se estou bem.
- E você não está?
- Claro que sim! Nós três cuidamos uns dos outros, sempre foi assim.
- Cuida como? Ele parece bem interessado em você.
Nikole não respondeu imediatamente, mastigou com calma o resto do sanduíche e depois o encarou.
- Nunca tinha prestado atenção nisso. Obrigada por me avisar, vou ficar mais atenta.
- O que quer dizer com isso?
- Leandro é gentil e se preocupa comigo. Ele é extremamente de confiança, tenho certeza que será um excelente companheiro.
- Você não se atreva a dar corda para ele Nikole. Já disse que nós dois temos assuntos a resolver. Se não consegue ficar sem um macho, eu estou aqui.
Dom se aproximou mais, falou apertando as bochechas dela.
- Você se acha demais Sr Zaffari. Definitivamente não faz o meu tipo.
Ela deu um empurrão nele e se afastou.
- Então é bom que eu comecei a fazer. Se descobrir que você abriu as pernas para ele, tenha certeza de que ele estará acabado!
Antes que pudesse responder, Leandro estava de volta. Sem se aproximar muito disse para ela:
- Nik, sua avó não se sente bem, venha.
Ela sabia que era a deixa que ele arrumou, para que ela fosse embora com a avó. Fingindo preocupação, ela se dirigiu para dentro do salão apressada, com os dois rapazes atrás.
- Vovó, como está se sentindo?
- Aí filha, acho que é a idade. Minha cabeça começou a doer de repente.
- Tudo bem, não se preocupe. Vamos para casa e a senhora descansa.
Deu uma piscada para a avó em um entendimento tácito.
- Eu não quero atrapalhar sua diversão. Posso voltar de táxi!
- De jeito nenhum! A senhora é prioridade, vou te acompanhar de volta.
- Eu te levo.
Leandro se adiantou, enquanto o rosto de Dominico escurecia terrivelmente.
- Está tudo bem Léo. Fique aqui e faça companhia para meus primos e Surya.
- Eu vou com você Nikole. Se precisar levar a vovó para o hospital, eu te acompanho.
- Eu dou conta Surya. Cuide dos meus primos junto com Léo e serei muito grata.
- Ok. Qualquer coisa é só ligar.
Na esperança de escapar sozinha com a avó, Nikole ficou sem saber o que fazer quando Dominico saiu atrás delas.
- Você também não precisa vir Sr Zaffari. Aproveite o baile.
- Não estou interessado! Vamos, acompanho vocês de volta ao hotel.
- Na verdade, vamos para minha casa. A vovó quer passar uns dias lá.
Como se tivesse combinado, Alessa não exitou em responder.
- Eu quero muito passar uns dias na casa que foi da minha filha.
Era a desculpa perfeita. Ninguém tinha coragem de negar um pedido de uma mãe idosa, que se apegava as lembranças da filha.
Pessoas de idade tinham essas coisas e se apegavam a qualquer lembrança.
- Já está tarde, hoje vocês vão para o hotel e amanhã cuidamos para ir para a casa de Nikole.
- Tudo bem vovó. Vou ficar ao seu lado da mesma forma.
O que Dominico não esperava era de Nikole resolver passar a noite no quarto da avó, arruinando qualquer chance dele se aproximar. Havia planejado ter uma conversa com ela e talvez até passarem a noite juntos.
Mas, nada estava saindo da forma que ele planejara.
Na manhã seguinte, Nikole bateu na porta de seu quarto cedo.
- Bom dia Sr Zaffari!
- Bom dia!
Ele estava surpreso da moça estar em sua porta. Se afastou para lhe dar passagem.
- Entre!
- Vou ser rápida para não incomodar.
Antes que pudesse dizer a que veio, foi puxada para dentro e a porta fechada em suas costas.
- Já está na hora de parar de me tratar com tanta formalidade. Me chame de Dom.
- Não tenho tanta i********e para te tratar assim.
Dominico se aproximou perigosamente, seu rosto sério não dava ideia do que passava em sua mente.
- Já tivemos o ponto máximo de i********e, não sejamos hipócritas!
- Então realmente era você naquela noite!
A voz de Nikole foi pouco mais que um sussurro e o rosto dele se tornou mais sombrio.
- O que você quer dizer com isso?
- Nada!
Nikole não queria falar sobre aquela noite, mesmo porque não se lembrava de absolutamente nada. Ela apenas deduziu que era ele, agora tinha absoluta certeza.
- Meu avó ainda não retornou. Não quero ficar andando com essas jóias por aí.
Estendeu para ele um pacote.
- Poderia devolver por favor?
- As jóias foram dadas a você, não são para serem devolvidas.
- Não posso ficar com elas. Não tenho como manter em segurança e nem onde usá-las.
Dominico a analisou por um tempo, depois falou estudando sua reação.
- Tenho certeza que o padrinho está preparado um lugar mais adequado para você morar. Tenha paciência e aguarde.
Ele já estava procurando uma cobertura ou casa em algum condomínio seguro. Ainda não havia discutido isso com Arturo, mas estava certo de que ele não se oporia.
- Não pretendo sair da minha casa. Não tem sentido ele comprar outra, se já tenho uma. As jóias que você trouxe estão juntas, por favor confira se está tudo certo.
Dominico que havia relaxado um pouco, voltou a ficar com o rosto tão sombrio que dava arrepios.
- Está devolvendo o presente que te dei?
- Sr Zaffari...
- Me chame de Dom, já te disse.
- Eu não posso aceitar um presente tão valioso. Como disse, não tenho onde guardar e muito menos é adequado para uso. Melhor Pegar de volta.
- Qualquer mulher estaria dando pulos de alegria com essas jóias!
- Não sou qualquer mulher, nem você nem ninguém vai me comprar com jóias ou dinheiro.