Olhando emprego

1067 Words
Com o pretexto de estar preocupado com Nikole, Dom se recusou a ir embora. Ela o colocou no seu quarto e foi para o quarto com Alessa, porém não conseguiu dormir. Sua preocupação em perder o emprego não deixou que dormisse. Cansada de virar na cama, resolveu levantar e procurar possíveis vagas de emprego. Embora com a gravidez, sabia que seria um desafio conseguir uma vaga durante esse período. Desceu para a sala sem fazer barulho e ligou o notebook para acessar alguns sites de emprego. Fez algumas anotações enquanto navegava sem muita esperança. No dia seguinte começaria a enviar currículos, primeiro iria ao RH do grupo Ferraz. - Não vai dormir? Ela se assustou com a voz de Dominico, virou as anotações para baixo. Nem ela sabia porque fez isso. Mas ele já havia percebido do que se tratava, sem que ela soubesse, ela já estava observando a algum tempo. - Estou sem sono. - Perdeu o sono porque perdeu o emprego? Ela se concentrou na tela e não olhou para ele. - Não gosto de cultivar o ócio, então já quero ter alguma coisa em vista. - Não tem que se preocupar, não vai faltar nada a você se não trabalhar. Aproveite para descansar por um tempo. Tempo, era tudo que ela queria ter para se organizar. De repente sua vida estava uma bagunça completa e um certo desespero começava a se formar. Nikole tinha a cabeça feita e não iria se entregar sem lutar. O destino estava a empurrando para uma situação cada vez mais complicada. - Está tudo bem. Acho que estou mesmo precisando trilhar novos caminhos. Para Dominico era a deixa que faltava, ele estava aguardando uma oportunidade para tocar no assunto. - Você sempre pode vir para o grupo Smiths. Seria bom e te daria mais tempo para passar com seu avô. Nikole não acreditava no que ouvia, não era ele que queria ela distante das empresas da família? - Porque mudou de ideia? Sei que não gosta de mim e me quer longe das empresas. - Faço qualquer coisa pelo padrinho. Se ele estiver satisfeito, eu também estou. Ela se sentiu gelar por dentro, era como se ele tivesse enfiado um punhal em seu peito. Aparentemente, tudo girava em torno de Arturo. - Eu tenho a impressão de que minha demissão tem algo haver com vocês. - Claro que não baby! Mas não vou negar que veio em boa hora. Com um passo ele estava ao lado dela, as mãos pousando em seus ombros, massageando levemente. Mas ela se levantou e pôs uma distância segura entre eles. - Agradeço a oferta, mas minha resposta é não. - Pense com calma. É uma oferta boa com um salário que não vai conseguir em nenhum outro lugar. - Não pretendo trabalhar nas empresas da família Smiths, nem agora nem nunca. E se eu descobrir que vocês estão por trás da minha demissão, não vou perdoar. Corto qualquer contato de vez. - Nikole, escute... - Já está tarde, é melhor ir dormir. Sem dar espaço para mais discussões, ela subiu para o quarto. Na manhã seguinte, Nikole levantou cedo e se arrumou para ir ao escritório. Não sabia se iria cumprir aviso ou se estava liberada de imediato. Quando entrou na cozinha, o cheiro de café se espalhou pelo ar. - Bom dia querida! - Bom dia vovó! Não precisava levantar tão cedo. - Estou tão acostumada, não consigo ficar na cama. Nikole colocou a mesa para três pessoas enquanto Alessa fazia sanduíches. - Vovó, preciso ir trabalhar. Não sei se vou ser liberada ou ficar até arrumar outra pessoa. - Eu sei, não precisa se preocupar comigo. - A Sra pode ir para o hotel com Dominico quando ele acordar. - Não vou a nenhum lugar. Te espero aqui. O coração de Nikole se apertou. Não queria deixar a avó sozinha em uma cidade estranha para ela. Mas também precisava resolver sua situação o mais rápido possível. - Então venho na hora do almoço. Eu trago alguma coisa para a gente almoçar. - É provável que seu avô queira almoçar com você. Melhor não fazer planos. Nikole deu um suspiro desanimado. Não tinha considerado isso. De qualquer forma não iria deixar a avó sozinha. - Eu ligo para a senhora e aviso. - Bom dia! A voz de Dominico chegou aos seus ouvidos. - Não se preocupe com Alessa, vou providenciar para que vá para o hotel. - Mas ela quer ficar aqui. A questão é se venho almoçar com ela. - Eu pensei que poderíamos ir ver os imóveis que você ganhou na parte da tarde. - Eu não aceitei o presente, lembra? - Não tem como devolver, já estão em seu nome. Como decorar e sua especialidade, deixei por sua conta, mas vamos pagar pelo seu primeiro trabalho. - Você é louco! - Não, considere como o primeiro para seu portifólio. Capricha arquiteta, mostre seu potencial. - Não aceitei o presente e não aceito o trabalho! - Faça como quiser, já é seu e não pode simplesmente jogar fora. Nikole não quis mais discutir, daria um jeito de devolver os imóveis para o avô. Virou para Alessa que estava calada sem saber como reagir a discussão dos dois. - Vovó, te ligo para combinar o almoço. - Estaremos partindo amanhã, então é melhor almoçar com seu avô. Nikole sabia que deveria se sentir aliviada, mas ficou triste. Sequer conseguiu ter uma boa conversa com a avó. Ou pelo menos era nisso que ela queria acreditar. Depois de tomar uma xícara de café com leite, ela se levantou. - Eu preciso ir. Te ligo vovó. - Mas você nem tomou café direito. - Não estou com fome. Geralmente só tomo café puro e como algo lá no escritório. - Você precisa cuidar melhor da alimentação, vai acabar ficando doente assim. Alessa estava preocupada com a gestação dela. Mas não podia dizer nada na frente de Dominico. - Estou ótima vovó, não se preocupe. Deu um beijo no rosto dela e Dominico se levantou. - Eu te levo! - Não precisa, termine seu café com calma. Depois divirtam-se pela cidade, vou dar um jeito de chegar a tempo para me despedir de vocês. - Tenho algo para resolver, também estou de saída. Sem aceitar um não, ele já estava saindo pela porta. Minutos depois, ela saia com seu terninho de trabalho completo.
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