Nikole não se sentiu enjoada, comeu quase de tudo, e estava feliz. Sempre com um sorriso no rosto, recebeu as felicitações de todos. Para sua surpresa, seu patrão também estava lá acompanhado de sua esposa.
- Obrigada por ter vindo Sr e Sra Ferraz.
- É um prazer estar aqui com vocês. Feliz aniversário Nikole!
A Sra Ferraz deu a Nikole uma pequena caixa.
- Querida, te trouxe uma lembrancinha. Se não gostar, pode passar em nossa loja e trocar por algo do seu agrado.
Ao abrir a caixa, Nikole se assustou com o presente . Os brincos de Brilhantes da nova coleção da joalheria Ferraz, pareciam pesar toneladas em sua mão. Era uma das jóias mais caras da coleção.
- Sra Ferraz, é uma linda jóia. Mas não posso aceitar.
Nikole sabia que o único motivo de receber esse presente, era por causa do seu avô. De nenhuma forma queria deixar um m*l entendido entre eles.
Como funcionária deles, sabia o quanto eram pão duros. Cada funcionário recebia um cartão vindo do RH no aniversário. Apesar de serem muito ricos, nunca ofereceram uma bala a seus funcionários.
- É uma peça do nosso novo catálogo. Ficamos felizes em te presentear com ela. Você é uma das melhores funcionárias do departamento. Então é também uma forma de agradecer por sua dedicação.
Nikole ficou sem palavras. Por mais que se esforçasse, nunca teve um reconhecimento verbal de Carlos Ferraz. Ainda que o salário fosse satisfatório, ele não era de dar mérito a ninguém.
- Eu agradeço pela gentileza.
Mas estava decidida a devolver o presente. Como Juliana Ferraz deixou claro que poderia trocar, faria isso na primeira oportunidade. Não era um presente sincero, era uma forma de bajular seu avô.
Graças a um chá que Alessa lhe fez a tarde, Nikole estava muito confortável na churrascaria. Alessa garantiu que ela não se sentiria enjoada e poderia comer de tudo.
Mas não seria o enjôo a lhe tirar a paz dessa vez. Enquanto comia e conversava tranquila, se sentiu gelar ao ouvir Carlos falar para seu avô.
- Realmente vamos sentir muita falta de Nikole. Ela é muito boa no que faz, vai ser difícil encontrar alguém a altura.
Por um momento, Nikole esqueceu de respirar e sentiu seu corpo gelar com o que ouviu. A comida não descia e ela se sentiu sufocada, seus olhos ardiam e foi difícil segurar as lágrimas.
Ela respirou fundo na tentativa de se controlar e se levantou, tinha que sair dali e respirar um pouco.
- Nikole, você está bem?
Dominico era o único a estar atento e percebeu a mudança.
- Estou sim. Vou sair um pouco e já volto.
Se virou e saiu em direção a sacada, dando o máximo de si para manter os passos firmes.
Leandro tentou se levantar preocupado, mas foi impedido por Dom.
- Pode deixar que vou verificar ela.
Surya estava em uma conversa animada com Zacary e não notou a mudança na mesa. Só quando Léo se aproximou e que se inteirou da situação.
- Surya, Nikole não parece bem. Vá lá fora dar uma olhada se está tudo ok.
Imediatamente ela se levantou e seguiu na direção indicada por ele.
Dominico ficou contemplando a figura de Nikole por alguns minutos, seu coração apertou com a fragilidade da moça. Ela se fazia de forte, mas ele sabia que nesse momento estava arrasada e ele não sabia porque.
Também não entendia seus sentimentos, mas vê-la desse jeito o deixou triste, sem saber porque queria dar proteção a ela.
Nikole apoiou as mãos no guarda corpo e respirou fundo. A notícia de que estava desempregada a abalou profundamente. Agora que estava grávida, não podia se dar ao luxo de ficar sem trabalhar. Para piorar, ainda estava pagando o empréstimo e se saísse agora, não teria praticamente nada para receber.
Ainda não tinha digerido sua demissão quando ouviu a voz de Dominico.
- O que você tem Nikole?
Ele a viu levantar a mão e limpar uma lágrima que teimava em cair, quando notou sua presença.
- Não é nada. Só preciso de um momento sozinha. Pode voltar Sr Zaffari, não vou me demorar.
Dominico sabia que tinha acontecido alguma coisa, mas não entendia o que. Ele não prestou atenção na conversa entre Carlos e Arturo, estava admirando a beleza de Nikole e nada mais o interessava.
- Você não está sozinha, baby. Pode confiar em mim.
Ele tentou se aproximar com cautela.
- Confiar em você? Confiança tem que ser recíproca.
Escondida na penumbra, ela virou parcialmente a cabeça e pediu:
-Por favor, eu realmente preciso de um pouco de espaço. Não estou acostumada a ter minha privacidade invadida a toda hora.
De costas para ele, Dominico admirou sua beleza e sabia que ela estava tentando ser forte. Mas estava um caco por dentro e tudo que ele queria era lhe dar um pouco de conforto.
- Nik, você está bem?
A voz de Surya foi um certo alívio para ela.
- Estou sim, só queria tomar um pouco de ar fresco.
- Porque não me chamou? Eu adoro dividir o ar com você.
Surya estava preocupada que Nikole pudesse estar enjoando e Dominico estava logo alí.
- Pode voltar para a mesa. Vou ficar com ela e já voltamos.
Como ela já havia rejeitado sua ajuda, Dominico não se opôs. Afinal, Surya era sua amiga e lhe daria todo apoio que precisasse.
- Tudo bem! Se precisar me chame.
- Obrigada!
Assim que ele se afastou, ela abraçou a amiga.
- O que ouve Nikole?
- Acabei de saber que vou ser demitida.
Dominico não havia ido embora. Ao ouvir isso, ficou tranquilo e por fim ,se afastou. Para ele não era grande coisa, talvez fosse melhor assim e Nikole aceitasse ir para a Grécia com o avô.
- Nikole, não se preocupe com nada. Sabe que pode contar comigo e com o Léo. Nós sempre estaremos aqui por você.
- Obrigada Surya. Vocês são ótimos.
- Vamos voltar para a mesa, daqui a pouco todos vão sair para te procurar. Depois conversamos com calma.