Orgulho feminino

1764 Words
É segunda-feira, e Luciana, muito concentrada, chega no horário habitual para trabalhar, arrumou a bolsa na sua mesa, foi até o refeitório buscar um café bem forte para o chefe, volta, pega a sua agenda e com passos seguros caminha em direção escritório de quem ela tem certeza, já está focado no trabalho porque é sempre o primeiro a chegar. Domingo, depois de ficar de mau-humor, e se xi*ngar um pouco por se sentir tão burra, ela raciocinou e chegou a um acordo consigo mesma. A noite maluca com o seu chefe será inesquecível, disso não há dúvida. Mas, ela não se humilhará diante dele parecendo afetada. Será algo complicado, mas não impossível, por isso ela jurou ao seu orgulho feminino que a arrogância de Gabriel não será grande demais para ela. Então, assim como ele exigiu, ela fará o possível para fingir que aquela noite não significou nada para ela. Ela deu duas batidas suaves na porta de madeira, espera a ordem habitual para entrar e, sem se intimidar, entrou como sempre para realizar o seu trabalho com a mesma eficiência. — Bom dia, Sr. Santana. O seu café. Ela disse ao se aproximar da mesa do homem que estava concentrado no seu notebook segundos antes de ouvir a sua voz. Ela deixa o café com as duas colheres de açúcar ao lado e afastou-se um pouco para manter a distância adequada. Ela abriu a agenda e, como profissional que é, começa a confirmar todo o roteiro do dia com o chefe. Enquanto isso, um Gabriel muito egocêntrico franze a testa ao ver a postura natural da sua assistente à sua frente, pois esperava ver nela algo mais, talvez, um tanto envergonhada, intimidada por sua presença, mas não, não há absolutamente nada disso. O olhar dela busca o seu com algumas perguntas, mas, não corresponde ao olhar dele. Ela simplesmente age como se nada tivesse acontecido. Não há vestígios do que ele experimentou nos seus gestos. — Você precisa de mais alguma coisa, senhor? Questiona a garota, encerrando a sua agenda. — Não, por enquanto é tudo. Ele confirma, focado no rosto dela. — Perfeito, então vou embora, com a sua permissão. A mulher se despede, virando as costas para quem observa o movimento dos seus quadris, analisando como eles ficam bonitos apesar de estarem escondidos sob aquele uniforme chato que de um momento para o outro parece tão fora de lugar. — Ei, Luciana, espere! Ele consegue chamá-la antes que ela abra a porta, ele se levanta rapidamente da sua posição e caminha rapidamente na sua direção, ele se aproxima mais do que deveria, pousando nas costas dela. — Eu preciso de mais uma coisa… Ele diz bem perto da orelha, tentando verificar se há alguma reação na garota que tremia sob o seu toque apenas duas noites atrás. Para sua surpresa, a sua assistente não expressa absolutamente nada, então um certo aborrecimento se instala no seu ser. — Sim, diga-me, senhor, do que você precisa? Ela pergunta respeitosamente, vira o corpo para encará-lo por mais perto que esteja, e abriu a agenda na cara dele para anotar. O ego de Gabriel cai aos pés de alguém que mantém a sua postura firme apesar de sentir que está perto de desmaiar por tê-lo tão perto. — Acho que você não deveria anotar, é sobre o encontro que cancelei semana passada com a dona Verónica Perdomo, preciso que você remarque, ligue para ela e confirme que neste sábado tenho tempo para me encontrar com ela. Ele lança um movimento que ele pensou que poderia desencadear algum gesto de aborrecimento por parte da sua funcionária, pois ele sabe que essa senhorita Perdomo é uma das suas conquistas que esta esperando que ele abra espaço na sua agenda para um encontro. — Com prazer, senhor, imediatamente. Ela responde como se nada tivesse acontecido enquanto procurava na sua agenda aquele encontro que havia riscado como finalizada, para remarcar. — A que horas deseja que eu confirme o encontro com a senhora? Ela pergunta, olhando-o diretamente nos olhos, a suas íris demonstrando pouco interesse. — Às oito horas da noite no Hotel Valentín, então confirmarei qual quarto para que você possa lhe dar as informações completas. Responde ele em tom seco, mordendo a língua para não dizer mais nada, porque por algum motivo ele não consegue entender, porque está se sentindo tão chateado e muito frustrado. — Perfeito senhor, ficarei atenta à sua confirmação. Algo mais? — Não, nada mais, você pode ir embora. O seu tom de voz irritante é evidente, enquanto um olhar duro penetra nas íris de Luciana que está fazendo o possível para continuar o seu jogo de ser fria como um bloco de gelo. — Com a sua permissão, senhor. Ela usa aquela frase novamente, demonstrando respeito por seu superior, e sai do escritório, fecha a porta atrás de si, solta o ar que nem sabia que estava prendendo e quase não consegue chegar na sua mesa devido a todas aquelas emoções que ela foi impedida de demonstrar na frente do chefe. Claro, a raiva de ter que agendar o seu encontro quente para sábado começou a afetar ela. Ela não quer sentir nada, mas a verdade é que isso a está afetando demais. As horas passavam mais lentamente do que um Gabriel m*l-humorado poderia suportar. — Ei, você vai almoçar? Já passa do meio-dia e, pelo que eu sei, você não tem um corpo glorioso apenas se alimentando do ar. Comenta Jeronimo ao entrar no escritório do irmão mais velho sem se anunciar. — Não venha aqui falar besteira, Jerônimo, não estou com disposição para suas mer*das! Ele responde focado no seu notebook sem se preocupar nem por um segundo em focar a sua atenção no seu irmão. — E agora o que dia*bos aconteceu com você? Você comeu um escorpião ou que po*rra é essa? Jerônimo questiona, sem se importar com o óbvio aborrecimento do irmão. Ele aproxima dele, deixa as caixas com comida chinesa que ele pediu para entrega para os dois, senta em uma das cadeiras vazias, pega os pauzinhos e começa a comer. — Você vai me contar o que está acontecendo com você ou prefere se envenenar com a sua raiva? Ele pergunta com curiosidade, com um ar de quem não tem problemas na vida. — Não vou te contar nada, não seja fofoqueiro. Responde aquele que foi vencido pela fome, e deixou o computador de lado, para pegar a caixa de comida e com cara de poucos amigos começa a comer na frente do irmão que o olha com certa zombaria, pois, tem alguma suspeita de que possa ser o que está acontecendo com o grande Gabriel Santana. — Bem, não me diga, o problema é meu se você morrer de indigestão. Falando em outra coisa, eu não sabia que a sua assistente tinha um pretendente, só vi o contador chegar para buscá-la e eles saíram juntos. Ele fez o comentário malicioso, soltando uma gargalhada ao notar o queixo tenso do irmão, que ontem lhe contara, sem entrar em detalhes, sobre a noite intensa que viveu com a sua assistente. Gabriel, enfurecido com as palavras dele, com raiva deixa de lado a comida e rapidamente se levanta da sua posição, olha pela janela que dá uma visão perfeita da mesa da sua funcionária, que costuma almoçar na mesa dela, e obviamente a expressão no seu o rosto endureceu quando percebeu que ela não estava ali. — Aí você diz que o fofoqueiro sou eu, Gabriel. Vai fo*der em outro lugar, que a sua assistente está na hora do almoço e está livre para fazer o que quiser com o seu tempo. Jerônimo acrescentou um pouco mais de sal à ferida, terminando tudo o que sobrou na sua caixa. — Agora vejamos, não é verdade que aquela regra estúp*ida que você impôs nesta empresa de não ter relacionamentos amorosos entre colegas, mais parece que alguém além de você está violando. O menino que conhece tão bem o irmão e sabe que ele está prestes a explodir de raiva continua com as suas brincadeiras. — Cala a po*rra da boca e sai do meu escritório se não quer que eu acabe quebrando a sua cabeça! Gabriel ameaça seriamente o irmão que continua zombando dele na cara. — Sim, vou rir à vontade de você no meu escritório. Nunca fale dessa água, não vou beber, irmãozinho, porque aquela gota d'água que você deseja desesperadamente é a que falta e é isso que vai acabar te enlouquecendo. Ele expressa em meio à risada zombeteira. Abrindo a porta para sair antes de ser morto. — Sai daqui Jerônimo, você está acabando com a minha paciência e eu juro que vou te matar se você ficar mais um segundo! Ele grita furiosamente, indo em direção à porta, e bate nela com um estrondo retumbante que ecoa alto no seu ódio. Ele não consegue controlar o impulso, então olha novamente pela janela, sentindo-se um completo idi*ota por se comportar daquela maneira, por se sentir tão irritado e por não saber controlar o que estava sentindo. — O que dia*bos há de errado com você, Gabriel Santana? Você é um id*iota ou o quê? Que dia*bos você se importa se Luciana Morante sai ou não com alguém? Ele se censura ao mesmo tempo, em que tenta fugir daquela janela que o fazia se sentir um palhaço, por estar ciente de mer*das que não são da sua conta. Porém, ele interrompe a sua intenção ao ver Luciana, muito bonita e muito sorridente, chegar, na companhia do homem com quem ela havia almoçado sabe-se lá onde. Por algum motivo que esse homem cheio de coragem não consegue entender, o seu peito arfa, a sua raiva aumenta e do nada nasceu uma vontade infer*nal de quebrar a cara do idi*ota que estava compartilhando risadas engraçadas com a sua funcionária. O impulso o domina e movido por aquele absurdo que estava vivenciando, ele abre a porta e do seu escritório, com uma postura de querer matar alguém, deixa escapar o seu aborrecimento. — Senhorita Morante, venha até mim, agora! O seu tom de voz forte ecoou na direção de Luciana e do garoto contador, que o olhou carrancudo, antes de caminhar em direção ao elevador e sair para o seu local de trabalho. ‍​‌‌​ ‌‌‌​​‌​‌‌​‌​ ​‌ ‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌ ‌​​​‌ ‌‌‍
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