O relógio marcava 05h43 quando Alicia foi encaminhada para a sala de parto. A luz era baixa, o ambiente esterilizado e silencioso, exceto pelos bipes constantes dos monitores e o tilintar de instrumentos sendo organizados. O cheiro do hospital invadia suas narinas enquanto a contração mais forte até então a fazia se encolher na maca, suando, gemendo baixo. Roberto estava ao seu lado, vestindo avental descartável e touca, com os olhos marejados e a mão entrelaçada à dela como se aquele contato físico fosse a única âncora possível. — Tá quase, amor. Você tá indo tão bem. — disse ele, pressionando um beijo na testa molhada dela. Ela soltou um riso fraco, quase cínico. — Tão bem? Eu quero morrer… Isso é uma tortura! — murmurou entre os dentes, tentando controlar a respiração. A obstetra en

