Beethoven

554 Words
Tudo bem se você quiser parar por aqui hoje Isabel. - A Senhora Romero sabia o quanto era difícil para mim voltar ao passado e reviver todos aqueles momentos. Ela foi quem juntou os meus pedaços. Asceno positivamente com a cabeça. - Continuaremos na próxima semana meninas, espero ver todas aqui. - Diz ela se despedindo das mulheres com histórias semelhantes a minha. Pego minha bolsa e antes que a Senhora Romero possa fazer qualquer pergunta, já estou do lado de fora caminhando pela úmida cidade. - Que bom que chegou cedo querida, fiz as batatas á francesa que você adora, não estão iguais as de sua mãe, porém parecem saborosas. - Papai fica em silêncio por um minuto e eu o compartilho com ele, sabíamos o que esse silêncio queria dizer. - Vá lavar as mãos para jantarmos. - Completa ele voltando de sua reflexão. Aquele ano sem a mamãe não foi nada fácil para o papai, e eu também não estava junto á ele. Não tive forças para realmente estar com ele, me tranquei em meu próprio mundo e é natural que agora ele queira compartilhar momentos como aquele jantar. - Estão ótimas papai. - Eu elogio timidamente. - Antes que eu me esqueça, chegou pelo correio uma coisa para você. - Que coisa? - Não sei, é uma caixa. Eu não abri, a deixei em sua cama. - Que estranho, não encomendei nada. - Reflito. Ajudei o papai a lavar a louça do jantar e ele se retirou para sua poltrona, era lá que ele passava a maior parte do dia assistindo aos noticiários. Talvez na esperança de que alguma notícia fosse a respeito de Nate. Por outro lado, eu não queria saber nada dele, talvez já estivesse morto. Eu subo até meu quarto, ele estava como sempre, como antes do casamento. Mamãe fez questão de manter lo como deixei, talvez ela tivesse certeza de que um dia eu voltaria. Lembro me do dia em que Nate fez o pedido de casamento, foi em meu aniversário de vinte e três anos, ele tirou do bolso uma caixinha com duas alianças que não saberia calcular o valor: - Case se comigo Isabel. - Mamãe não sabia se ficava feliz ou preocupada: - Mas você é muito jovem para se casar assim, não acha? Naquele ponto de nossa relação, mamãe já havia presenciado algumas cenas que ela classificou como incomuns para o homem tão seguro de si. Ela já não tinha tanta certeza se toda aquela perfeição que Nate demonstrava era normal. - Nós também éramos jovens quando nós casamos. - Diz papai sorridente. - Senhora Mori cuidarei de sua filha como se fosse a mais rara das jóias. - Nate segura a mão de mamãe que cede. - Tudo bem, desde de que ela se forme primeiro. Ele sorri para mim com orgulho de seu desempenho. Em cima da cama estava a caixa deixada por papai, estava envolta num papel marrom, tento abri lá com cuidado, rasgando o papel suavemente até conseguir desembrulhar tudo. Era uma caixinha de música, dentro há uma bailarina manchada com tinta vermelha que dançava a nona sinfonia de Beethoven. Nada mais era que uma ameaça. Nate não havia morrido ou fugido do país como muitos pensavam. Ele estava por aí, e também sabia que eu estava viva.
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