Depois de dar toda atenção e dispensar os cavalheiros ela estava exausta, sentindo uma forte dor nos pés e sua cabeça latejava. Lucia planejava ir até seus aposentos, trancar a porta e dormir o dia todo mas os planos de sua aia eram outros.
- Haverá um baile em dois dias Lady Lucia, precisamos ir a modista. - Falou autoritária, Rosa era bons vinte anos mais velha do que Lucia e as vezes agia como se fosse sua mãe.
- Tem certeza que precisamos ir hoje?
- Certamente a cada dia a senhorita engorda mais, se continuar dessa forma a obrigarei a fazer uma dieta.
Lucia fez uma careta para Rose e decidiu não debater, pelas suas contas em breve entraria no terceiro mês de gravidez e realmente começara a engordar nos últimos dias.
- Podemos encontrar alguns modelos mais soltos e que me deixem mais a vontade, isso sim.
Rose bufou e apontou com os olhos para a escada. Lucia murmurou algo que a aia não conseguiu entender e subiu contrariada.
As duas andaram suavemente pelas ruas movimentadas de Londres, a madame Suzi era a modista mais popular da região e George - que costumava comprar vestidos para sua ex amante - sempre havia comprado naquele estabelecimento, portanto, fez questão que a irmã e Abby fossem atendidas pela mais cara e renomada modista de Londres.
- Olá senhorrita. - Suzi disse com seu forte sotaque Francês. - Como lhe ajudarrei hoje?
- Madame. - Saudou-a. - Gostaria de alguns vestidos mas pretendo mudar um pouco os estilos, penso em algo mais ... Que me deixe mais a vontade.
- Oh, certamente. Venha, lhe mostrarrei alguns modelos.
A madame mostrou a Lucia alguns modelos que tinha na loja, eram acinturados até certo ponto e então desciam de forma leve e solta sem marcar muito o quadril, aliviada Lucia amou cada um dos novos modelos propostos.
- Vou querer um de cada cor. - Falou empolgada. - Por gentileza, adicione a conta dos Blackburn.
Lucia viu o momento que os olhos de Suzi brilharam, filha de um Duque e irmã de um doutor Lucia era a melhor cliente que uma mulher podia ter e para maior sorte da madame a garota comprava vestidos com imensa frequência.
- Ótimo senhorrita, mandarei entrega-la em sua residência.
Lucia agradeceu a mulher e saiu aliviada do local, mas Rosa não parecia muito satisfeita.
- O que há Rosinha?
A mulher roborizou-se e a encarou com um olhar de poucos amigos, Rosa era uma mulher séria e reservada e Lucia parecia não se importar nem um pouco com isso, sempre fazia piadas sem sentido com sua aia, falava coisas que Rosa não se importava e a chamava de Rosinha, o que a mulher detestava, mas no fundo, amava a garota.
- Odeio que me chame assim. - Resmungou. - Não acho que a senhorita devia comprar vestidos mais largos e sim emagrecer.
Lucia revirou os olhos.
- É muito impertinente Rosinha, porquê a mantenho comigo?
- Não encontraria outra aia tão boa.- Disse em um tom convencido e um meio sorriso se formou no canto de seus lábios.
- Há pessoas em hospitais, doentes, ou mendigos que dariam tudo por um prato de comida. - Disse a primeira coisa que lhe veio a mente. - Não sou apta a me abster disso enquanto outras pessoas não o tem mais dariam tudo para ter.
Rosa a observou por alguns segundos, nunca pensara daquela forma e agora estava sendo colocada em uma situação difícil por uma jovenzinha de 16 anos, mas o pior de tudo era admitir que Lady Lucia estava certa e que ela estava totalmente errada então optou por assentir sem dizer nem mais uma palavra até chegarem a propriedade.
Lucia que estava quase caindo se sono correu para seus aposentos, ela vestiu uma camisola confortável de seda e lançou o corpo pesado na cama. Ouvira dizer que mulheres grávidas sentiam mais cansaço do que o normal e de repente isso parecia fazer todo sentido do mundo. Vinha se sentindo indisposta com grande frequência, cansada diariamente e fadigada todos os dias.
Ela revirou-se se um lado para o outro na tentativa falha de adormecer, sua cabeça simplesmente não parava ...
Seria capaz de enganar um bom homem para poder se livrar da vergonha de ser uma mãe solteira? Porquê Jhon fizera aquilo se parecia de fato ama-la? E por último mas não menos importante, como seu coração ainda era capaz de amar o homem que lhe ferira de forma inimaginável?