Na manhã seguinte, Lucia havia se recomposto e se preparava para o encontro com o senhor Saltzman, não podia dizer que o coração batia regularmente e tampouco que suas pernas não estavam tremendo. Abby que simplesmente dormira fora apareceu com uma cara de inocente.
- Irá passear com o general?
Luci encarou a amiga e se aproximou em passos lentos analisando cada movimento dela.
- Aonde passou a noite? .- Perguntou em disparada e Abby engasgou-se com a própria saliva. Ela se lançou na cama e tampou o rosto com a almofada.
- Na cama do seu irmão. - Esgueirou o olho pela brecha. - Sem roupa.
Lucia levou a mão até a boca e teve que se sentar para não cair. Não existiam segredos entre as duas mas Lucia nunca seria capaz de se acostumar com a sinceridade da amiga.
- Então o perdoou, irão se casar?
Abby olhou para ela com uma expressão que dizia '' não é óbvio? ''
- É obvio né. - Respondeu antes de bufar e Luci fez menção de abraçar a amiga mas logo recuou, ela torceu o nariz e fez uma cara de nojo.
- Melhor não, nem sei se tomou banho.
Abby gargalhou e jogou forte a almofada na amiga, as duas começaram uma boba lutinha de travesseiro e foram interrompidas quando Rose parou na porta com as duas mãos plantadas na cintura.
- Quer mesmo que o sr. Saltzman a veja toda amarrotada menina Lucia?
Lucia sentiu as bochechas corarem, dormira nos braços daquela mulher e de repente havia adquirido um imenso carinho por ela, certamente não queria aborrecê-la.
- Perdoe-me Rosinha.- Disse com a cabeça baixa enquanto passava a mão pelo vestido tentando desamassa-lo.
- Lady Abigail. - Rosa de dirigiu a Abby depois de terminar o sermão.
- Sra. Rosinha. - Retrucou em ironia e saiu correndo do quarto antes de levar um xingo, Rosa detestava ser chamada desse modo e Abby detestava ser chamada pelo nome.
- Garota impertinente. - Murmurou. - Sr. Saltzman está lhe aguardando no salão, vamos?
Lucia engoliu a risada presa em sua garganta e seguiu Rosa. A cada passo que dava em direção a general seu coração saltava mais rápido no peito, ele parecia um homem bom e ela certamente iria para o inferno por engana-lo mas maldição, o que mais poderia fazer?
- Srta. Blackburn. - Landon inclinou-se e tomou a mão enluvada de Luci levando-a lentamente até os lábios e depositou um beijo ali.
- Milorde, é um prazer revê-lo. - Ela abriu um sorriso largo dando a ele a bela visão de seus dentes brancos e alinhados, exibindo uma pequena covinha do lado esquerdo.
Landon esticou o braço para Lucia e ela acomodou-se no vão que existia. Os dois caminharam até o parque enquanto conversavam sobre coisas pouco convencionais, Lucia contou a ele que tinha uma vaca batizada em sua homenagem, Abby colocara o nome do animal de Lucinda e as duas se divertiam muito com isso. Landon contou a ela das missões que fizera no Brasil e detalhara o lugar que Lucia era curiosa para conhecer.
- Há muito verde, muita plantação, é realmente magnífico. Mas é de fato uma lastima a forma na qual os senhores tratam seus trabalhadores. - Ele balançou a cabeça em negação.
Ela torceu os lábios, tinha ouvido alguns rumores sobre mas não estava inteiramente a par da situação.
- Um dia desejo visitar o Brasil, só para conhecer mesmo, tenho certeza de que é uma terra muito bonita pelo que vejo nas pinturas.
- Um dia levarei a senhorita. - Landon abriu um sorriso que Lucia constatou ser a coisa mais bonita do mundo e até mesmo as belas pinturas que havia visto do Brasil perderiam para aquele sorriso.
Ela ruborizou-se e encarou o próprio pé ao se dar conta de que não tirava os olhos dele.
- Conte-me mais sobre o senhor, nasceu aqui mesmo, em Londres?
Landon balançou a cabeça em negação, odiava sua infância e detestava lembra-se dela. Luci viu uma ruga formar-se em sua testa, ele indicou para que ela se sentasse em um pequeno banco de madeira e se sentou em uma distância respeitável.
- Nasci na Escócia, vivi muitos anos lá, todavia, não tenho boas lembranças.
Luci remexeu-se no banco e aproximou-se um pouco mais dele.
- Seria indelicado perguntar o motivo?
Ele fez um leve sinal com a cabeça.
- Srta. Lucia ... - Iniciou e ela sentiu um arrepio ao ouvi-lo pronunciar seu nome. - Como bem pode ver, tenho interesse em corteja-la. - Disse sem rodeios e ela quase parou de respirar. - É uma moça encantadora, muito inteligente e não posso fingir que sua beleza não é notável. Portanto, creio que devo ser sincero com a senhorita caso minhas expectativas sejam correspondidas.
Luci simplesmente perdeu a fala, ela ficou olhando para aquele homem direto e tão bem decidido por pelo menos três minutos, até que Rosa pigarreou e isso a trouxe de volta a realidade.
- Certamente milorde. - Respondeu com dificuldade sentindo o rosto queimar.
Landon aproximou-se um pouco mais e apoiou as mãos no banco.
- Sou o primogênito de um Visconde. Meu pai foi um tremendo tirano, abandonou eu e minha mãe quando eu ainda era pequeno demais para entender, ele se casou com outra e ela morreu de tristeza. - Ele pigarreou. - Eu não desejava assumir o título, tampouco meu pai deseja que eu assumisse e somente por isso, irei assumi-lo quando ele se for. Sei que a srta. é filha de um Duque e que não poderia se casar com qualquer um ... Sendo totalmente transparente, declaro a srta. o interesse de lhe fazer a corte.
Lucia balançou a cabeça assentindo e engoliu em seco antes de conseguir abrir um sorriso.
- O senhor tem o meu consentimento. - Respondeu em um sussurro que ele m*l conseguiu ouvir.