Lembrete.

1078 Words
No quarto em que os dois estavam, Maya vestia a sua camisola, enquanto pensava profundamente em sua vida. Vicent percebeu que ela estava preocupada com algo, Maya nunca estava com um semblante tão preocupante quanto aquele. E sabia que de alguma forma aquilo estava relacionado com o passado que ela ainda escondia. Andou até ela, segurou na mão de Maya e a levou até a cama, se sentaram um de frente para o outro. Segurou o rosto dela e acariciou levemente, ela fechou os olhos apreciando a sensação. --- Não quer me contar ainda? --- Tenho medo da sua reação. --- O que faz você pensar que se adiar isso a minha reação será diferente? --- Sei que não vai mudar em nada. --- Então conte Maya, quero saber o que houve com você e o que é que está te preocupando tanto, isso também está me tirando o sono, divida sua dor comigo. Aquela era a primeira vez que Maya ouvia alguém dizer para dividir a dor que sentia. Se perguntava se Vicent dizia aquilo por falar, ou se realmente era como ele se sentia. Entender os sentimentos de alguém era a tarefa mais difícil de uma vida, e se sentia dessa forma naquele momento. Seu coração estava perdido e não sabia o que fazer, a confusão em sua mente era visível até mesmo para Vicent. --- Eu vou entender se não quiser me contar ainda. --- Harry. --- Hum? --- Esse é o nome dele, do homem que era obcecado por mim e que me fez viver um inferno por tantos anos. Maya respirou, se começou falar iria até o fim, se parasse, talvez depois não teria mais coragem para continuar. Não era fácil falar do passado, mas era preciso, sabia que sim, caso contrário aquele casamento não daria certo. --- Eu não me lembro bem, mas eu tinha quinze anos quando ele me viu pela primeira vez, eu não gostei do olhar dele, e por um tempo tentei me afastar mas era complicado. Meus pais adotivos tinham uma certa amizade com ele, não consegui fugir dele porque ele estava sempre por perto, e assim que passei a frequentar a universidade ele veio atrás de mim, eu consegui mantê-lo longe, mas não por muito tempo. Vicent estava com raiva, seu interior borbulhava como um vulcão em erupção, e Maya nem havia terminado de contar. E ouvir o fim daquela história parecia demais para ele, ainda assim queria ouvir. Tentou ao máximo manter a calma que estava por um fio, não poderia se descontrolar na frente dela. --- E então Maya, o que aconteceu? --- Ele me tomou a força, tentei fugir, mas acabei perdendo um amigo de longa data e ainda fui mantida presa por todos esses anos. --- Está dizendo que todos esse anos que não consegui encontrar você, ele tinha mantido você presa? Recebeu um balançar afirmativo, fechou os olhos, depositou um beijo na mão dela, não queria se descontrolar, mas estava sendo difícil. --- Maya, não pense tanto nisso eu preciso de ar ok? Não quero me descontrolar em sua frente. --- Está bravo comigo? --- Nunca minha vida, só preciso respirar. Depositou um beijo na testa dela, saiu do quarto e foi em direção a área de lazer. A mesa de vidro que havia ali virou cacos no chão, Vicent não conseguiu se controlar. Queria estar quebrando a pessoa que fez tudo aquilo com Maya, mas não podia fazer isso. Omar apareceu, se sentou em uma cadeira e ficou observando seu filho enlouquecer. Em toda sua vida nunca viu seu filho enlouquecer de raiva, era a primeira vez que via Vicent se descontrolar. Aquilo era como um lembrete de que seu filho estava apaixonado, perdidamente apaixonado por Maya. Esperou Vicent se acalmar por si só, não tinha nada para dizer a ele, e além disso nem sabia o que havia acontecido entre eles. Quando ele estava calmo Omar foi na cozinha pegar um copo com água para Vicent, ele estava precisando. Entregou o copo com água a Vicent e se sentou ao lado dele, passou a mão no ombro dele. --- Foi tão r**m assim o passado dela? --- Eu irei encontrar provas pai, eu vou fazer ele pagar, isso é uma promessa. --- Se precisar de mim estarei aqui. --- Como pode existir pessoas assim pai, que tipo de ser humano é capaz de fazer isso com uma mulher como Maya? --- No mundo existem vários tipos de monstros filho, o m*l esta sempre ai para nos mostrar que o bem existe para haver um equilíbrio. --- Ainda assim, é impossível compreender pai, Maya não merecia. --- Pense pelo lado bom, Maya já não vive mais o que vivia antes. Omar não tinha ideia de como consolar o filho, Elena quem era boa nisso, ele nunca fez esse papel. Se Enoch estivesse ali, saberia como consolar o irmão, ele sempre sabia o que dizer em momentos difíceis. Diferente de Omar, que m*l sabia como reagir em momentos como aqueles --- Sabe que ficar com raiva não vai resolver o seu problema não é? --- Sim pai, sei muito bem disso, mas é instintivo, eu só consigo pensar em m***r a pessoa que fez isso com Maya, se eu o encontrasse, com certeza mataria ele, não aguento esse pensamento. --- Eu tenho certeza que me sentiria assim se algo desse tipo acontecesse com sua mãe, nem sei o que seria de mim. Vicent suspirou, estava enlouquecendo, e isso por que nem estava frente a frente com a pessoa que fez Maya viver naquele inferno. Nem queria saber o que poderia fazer se um dia ficasse frente a frente com ele. Esse pensamento só deixava seu interior ainda mais fervoroso. Precisava respirar e acalmar seu coração, caso contrário poderia fazer Maya pensar errado a respeito do que ele sentia. Voltou para o quarto enquanto seu pai seguia para o dele, naquele momento precisava acalmar o coração de Maya. A encontrou na cama, abraçada aos joelhos e com os olhos marejados, notou que ela havia chorado. Se sentiu o pior homem do mundo por ter permitido que ela chorasse. Foi até ela, a pegou nos braços e a fez se sentar em seu colo na cama, abraçou o corpo dela. Distribuiu beijos pelo cabelo dela, sua intenção ali era somente dizer que tudo ficaria bem. Apesar da enorme raiva, queria que ela parasse de se sentir tão m*l por algo que já havia passado.
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